terça-feira, 12 de maio de 2009

A Dilma também é coruja

Uma coisa que todo mundo sabe é que corujice é coisa que sobra nesse lugar aqui. De pai pra filho, de filho pra pai, aqui ninguém se constrange. Pois pra aumentar ainda mais esse bom ambiente familiar trago uma declaração da Dilma Roussef sobre sua filha a Paula, numa entrevista que ela concedeu ao jornal Correio Braziliense, que o Vermelho também publicou. A entrevista é um pouco longa e ali ela fala de tudo, menos de candidatura, assunto que "nem amarrada" ela trata. Peguei abaixo a resposta coruja da Dilma, mas se você quiser ler tudo clique bem aqui.

"Qual o melhor presente que a Paula lhe deu?

O melhor presente que a Paula me deu foi ela mesma. A gente se acha única na hora que nasce, premiada, como se ninguém tivesse filho na vida, só você. É uma sensação que nenhuma outra coisa…talvez quando ela me der um neto".

sexta-feira, 8 de maio de 2009

o olhar







Guilherme é meu cúmplice

Hoje eu não queria fazer nada além de curtir o dia inteiro ao lado desse carinha aí. Brincar, ir pro cinema, contar história - ele adora ouvir histórias, nem que eu invente na hora -, gastar o tempo juntos. Infelizmente a agenda dele e a minha já não permitem mais. Diferente daquela segunda feira de 9 anos atrás, quando ele começou anunciar sua chegada quando o dia ainda nem tinha chegado e só chegou as 15:45, temos muito o que fazer ao longo do dia. Ele, tanto quanto eu, tem sua rotina de brincadeiras, de leitura, de estudo, da escola e até de não fazer nada. Mas foi gastar parte desse dia dele com a Vovó Eridan, já que a Cláudia, mãe dele, também tem um dia cheio de afazeres. Garanto que nem ele, nem a avó acharam ruim, afinal os dois se curtem muito e sei que vai ter até um bolinha com velas, porque a festa mesmo vai ser amnhã. Coisas de agenda, né?

Tô aqui com certa dificuldade pra escrever porque fico mesmo emocionado ao falar sobre o Guilherme e do que ele representa pra mim. Lembrei agora daquela tarde do dia 08 de maio de 2000, quando o século XXI tava começando a chegar, em que eu vi nascer o meu menino. Acompanhei tudo, fiz muitas fotos, chameguei meu filhote desde que nasceu. E aqui todo mundo sabe quem é a criatura mais importante na minha vida. Um dos muitos telefonemas de parabéns que recebi foi o do Aldo Rebelo que, cheio de bom humor, perguntou se ao dar esse nome pro meu filho eu tava querendo proteção, já que Guilherme vem do germânico Wilhelm e significaria "elmo voluntarioso" ou "protetor decidido". Não busquei bem proteção em meu filho, mas com certeza abrigo em nossa relação de pai e filho uma amizade meio cúmplice, que nos proteje de muita coisa e nos garante uma vida muito legal. Somos pai e filho, somos amigos, somos cúmplices na vida e é assim que vivemos muito felizes.


quinta-feira, 7 de maio de 2009

É você Bergson?


Há uns dias postei aqui um artigo da Ielnia Farias, irmã do Bergson - na coluna superior, o segundo da esquerda pra direita - , guerilheiro do Araguaia, em que ela se diz instigada "a realizar todas as ações necessárias para a viragem desta página infeliz da nossa História" e afirma ainda que "ao governo brasileiro, cabe oferecer firme resposta ao nosso anseio, em harmonia com a ansiedade do nosso povo. E, desse modo, restabelecer os laços e sentimentos de confiança e cooperação, nesta questão crucial, na relação com quem o elegeu".

Hoje recebi do Mário Albuquerque, presidente da Associação Anistia 64/68, uma matéria publicada na edição de hoje do Jornal do Brasil, com mais informações sobre a posibilidade real de serem identificados os restos mortais do respeitado líder estudantil cearense, que foi imolado na selva amazônica defendendo a liberdade, a justiça social, os direitos do povo, a soberania nacional, a democracia e o socialismo. Fiquei tão feliz que achei que deveria compartilhar essa sensação com quem ler este blog e por acaso não viu o jornal. Segue abaixo a íntegra da matéria:


Governo pode guardar ossada de militante, diz perícia


Parecer sugere que restos são compatíveis com perfil de guerrilheiro
Vasconcelo Quadros

Parecer emitido pelo perito gaúcho Domingos Tocchetto, a pedido da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, aponta "probabilidade técnica e científica" de que uma das ossadas guardadas num armário da Secretaria Especial de Direitos Humanos, no Anexo do Ministério da Justiça, em Brasília, corresponda aos restos mortais do ex-guerrilheiro Bérgson Gurjão de Farias _ primeiro militante do PCdoB morto, em 2 de junho de 1972, na Guerrilha do Araguaia e ex-estudante de química da Universidade Federal do Ceará.

Tocchetto analisou relatórios, fotografias e um documento denominado informe antropológico forense, produzido por uma equipe de peritos argentinos, que recolheu corpos de supostos guerrilheiros no Araguaia. Segundo ele, detalhes como a arcada dentária e lesões na mastóide e num dos braços da ossada analisada coincidem com informações prestadas por familiares dos ex-guerrilheiro aos argentinos, que deram ao corpo retirado do Cemitério de Xambioá a identificação de X2.

Lido ontem durante sessão da comissão na Câmara pelo deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), ex-presidente da CDH, Tocchetto sugere a nomeação de uma junta de peritos especializados em análise forense e o recolhimento de informações sobre o histórico de Bérgson Gurjão Farias para realizar um confronto através dos métodos antropométricos e somatométricos.

Ele também afirma que, apesar do tempo, ainda é possível fazer o teste de DNA, que seria extraído dos dentes ainda preservados da ossada e confrontado com o sangue colhido pela Comissão de Mortos e Desaparecidos, ligada à Secretaria Especial de Direitos Humanos, de três familiares de Bérgson. A assessoria do ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi informou, no entanto, que o Instituto Genomic, contratado pelo governo, realizou vários testes, mas nenhum deles deu positivo. Segundo a assessoria, os outros exames realizados foram inconclusivos.

Tocchetto sustenta, no entanto, que seus colegas argentinos recuperaram, em 2003, 21 dentes da arcada dentária dos ossos retirados, em 1996, de uma cova do Cemitério de Xambioá onde os moradores dizem que Bérgson Farias foi enterrado. Segundo ele, alguns dentes estavam em bom estado de conservação e poderiam também ser confrontados com a ficha dentária do ex-guerrilheiro que, antes de seguir para o Araguaia, fez tratamento com um dentista em São Paulo. Os peritos argentinos apontam no informe que dez dos 21 dentes examinados à época passaram por tratamento.

Além de indicar o nome de outros cinco especialistas em perícia forense, Domingos Tocchetto sugere a busca de vários documentos sobre o histórico do militante do PCdoB: atestado médico que indicaria o tratamento da mastóide – segundo a família a lesão foi provocada por um confronto de rua com a polícia cearense, em 1968 –, dados pessoais e antropométrico a ser fornecido pela Federação Cearense de Basquete (ele foi jogador), o certificado de alistamento militar do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) do Ceará, a ficha individual datiloscópica, relatórios militares e o álbum dos pelotões com informações e fotografias do militantes que atuaram na Guerrilha do Araguaia.

– Concluímos que ainda existe a possibilidade técnica e científica de se identificar a pessoa a quem corresponde o esqueleto denominado X-2, e se essa pessoa é Bérgson Gurjão Farias – sustenta Tocchetto. O guerrilheiro foi morto numa emboscada, depois de trocar tiros com um pelotão de para-quedistas e acertar um tiro no então tenente Álvaro Pereira, hoje general da reserva e um dos ideológos das Forças Armadas. Revoltada com a ousadia, o resto da tropa trucidou o guerrilheiro. O deputado José Genoíno (PT-SP), ex-guerrilheiro e companheiro de Bergson no movimento estudantil cearense, diz que o corpo, já sem vida, foi perfurado a estocadas de baioneta e, depois, pendurado de cabeça para baixo em uma árvore da base militar em Xambioá.

– Identificar e sepultar o Bérgson é o sonho da vida de minha mãe – diz a farmacêutica Ielnia Farias Johnson, irmã do guerrilheiro. A mãe do militante do PCdoB, Luiza Farias, tem 94 anos, mora em Fortaleza e, segundo Ielnia, aguarda com ansiedade notícias sobre o filho desaparecido há 36 anos. A irmã conta que há cerca de um ano e meio, uma integrante da Comissão de Mortos e Desaparecidos, Iara Xavier, esteve em Fortaleza, recolheu o sangue de sua mãe e de dois irmãos, mas que depois nada mais se soube das providências. A comissão montou um banco de sangue para fazer o confronto de DNA, mas até hoje não identificou por esse método nenhum dos 59 guerrilheiros desaparecidos.

– O que fez a Comissão de Mortos? Deu-se a colher sangue e material salivar de mães idosas sem conhecimento científico adequado. O Ministério da Defesa e o Ministério da Justiça devem cobrar explicações de porque uma comissão de leigos poderia ser responsável por identificações – disse Pompeo de Mattos ao apresentar a conclusão do perito na Câmara. O deputado cobrou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a imediata transferência das ossadas recolhidas no Araguaia – e que se encontram num armário da Comissão de Mortos e Desaparecidos – para um laboratório adequado. Também pediu que o governo determine a imediata investigação dos ossos cujos indícios apontam pertencer ao ex-militante do PCdoB.

O deputado também pediu que o caso seja apurado pelo Ministério Público Federal e pela juiza Solange Salgado, autora da sentença que obriga o governo a apontar aonde foram parar os corpos dos guerrilheiros. Ele disse estranhar que depois de o JB ter noticiado o pedido de análise e a existência de ossadas na SEDH, o Ministério da Defesa ter publicado portaria criando um grupo de trabalho, coordenado pelo comandante do Exército, Enzo Peri, para realizar novas buscas no Araguaia. – Fica a dúvida: buscar mais corpos para que? Para aumentar o acervo da Comissão de Mortos e Desaparecidos já existentes em seu armários? – pergunta Pompeo de Mattos. Ele diz que entregará o relatório aos ministros Nelson Jobim, da Defesa, Tarso Genro, da Justiça, e Paulo Vannucchi, da SEDH, dos quais cobrará providências. A eventual identificação de Bérgson pode indicar que também são de guerrilheiros as 12 ossadas guardadas no armário da SEDH.


Leia a íntegra do pronunciamento do deputado Pompeo de Mattos


quarta-feira, 6 de maio de 2009

Animal!

A Manuela D'ávila, deputada do PCdoB-RS, achou essa num blog e blogou lá no Há uma menina dela, onde eu vi e blogo aqui. É bem interessante e mostra que, de algum modo, o ser humano num tem jeito, é um animal político, nem que seja só pra dar uma boa gargalhada.

terça-feira, 5 de maio de 2009

"borco boador" ...

No meio dessa história da gripe suína eu acabei foi me lembrando do disco Animals, do Pink Floyd, onde a primeira música, Pigs on the Wing, diz mais ou menos o seguinte:

"Se você não se importasse com o que me aconteceu,

E eu não me importasse contigo

Andaríamos zig-zagueando nosso caminho através do aborrecimento e da dor

Ocasionalmente espiando por cima da chuva

Indagando qual dos vagabundos culpar

E observando porcos em vôo"

Ao assistir esse vídeo promocional do disco, lançado há mais de 30 anos, tive uam certa sensação da gripe suína pairando acima de todos nós, inclsuive acima do alto grau de desenvolvimento científico que o homem obteve até agora, porém incapaz de curar uma gripe.

Saramago e a gripe suína

Eu tenho evitado trazer pra cá assuntos que já são muito badalados por aí, e quando trago um tema desses, busco um olhar dum jeito diferente, pelo menos. O assunto da moda mais badalado é a gripe suína - querem até mudar o nome pra agradar os grandes produtores de carne - e já vi comentários de todo jeito. Resolvi então trazer a opinião do José Saramago, que, se num pode não entender da questão, pelo menos nos dá o prazer de sua escrita. Por isso, faça o que eu digo e o que eu faço: saiba mais sobre a gripe suína e deleite-se com o Zé.


Gripe suína (1)


Não sei nada do assunto e a experiência directa de haver convivido com porcos na infância e na adolescência não me serve de nada. Aquilo era mais uma família híbrida de humanos e animais que outra coisa. Mas leio com atenção os jornais, ouço e vejo as reportagens da rádio e da televisão, e, graças a alguma leitura providencial que me tem ajudado a compreender melhor os bastidores das causas primeiras da anunciada pandemia, talvez possa trazer aqui algum dado que esclareça por sua vez o leitor. Há muito tempo que os especialistas em virologia estão convencidos de que o sistema de agricultura intensiva da China meridional foi o principal vector da mutação gripal: tanto da “deriva” estacional como do episódico “intercâmbio” genómico. Há já seis anos que a revista Science publicava um artigo importante em que mostrava que, depois de anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte havia dado um salto evolutivo vertiginoso. A industrialização, por grandes empresas, da produção pecuária rompeu o que até então tinha sido o monopólio natural da China na evolução da gripe. Nas últimas décadas, o sector pecuário transformou-se em algo que se parece mais à indústria petroquímica que à bucólica quinta familiar que os livros de texto na escola se comprazem em descrever…


Em 1966, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de suínos distribuídos por um milhão de granjas. Actualmente, 65 milhões de porcos concentram-se em 65.000 instalações. Isso significou passar das antigas pocilgas aos ciclópicos infernos fecais de hoje, nos quais, entre o esterco e sob um calor sufocante, prontos para intercambiar agente patogénicos à velocidade do raio, se amontoam dezenas de milhões de animais com mais do que debilitados sistemas imunitários.


Não será, certamente, a única causa, mas não poderá ser ignorada. Voltarei ao assunto.


Sertão sofrido

O chuvueiro por aqui num tá fácil. O Ceará e o Nordeste tão sofrendo demais com tanta água, Aí num teve como eu num lembrar essa beleza que o Gonzagão criou e canta nesse vídeo.

Ângulo novo

Esse sol aí é peguei a uns dias atrás da janela do meu quarto. Era coisa de cinco e meia da manhã e o todo poderoso chegou antes da chuva, que tem castigado muito Fortaleza e o Ceará inteiro. Na janela do meu quarto, ou do janelão da varanda, da minha nova morada, tenho encontrado o sol, a lua, pássaros, passarinhos, pessoas e visuais muito incríveis. Sempre que der, eu trago uma foto deles pra cá. Combinado?

Mudança acidental

Depois de morar por mais de dois anos no Benfica, uma espécie de pólo do mundo universitário, cultural e político de Fortaleza, por razões afetivas, eu me mudei pra Varjota, prum edifício chamado Dragão do Mar, de onde fiz a foto aí de cima. Mas parece que o Benfica num queria muito que eu saisse de lá e me cobrou caro por isso. No finalzinho da tarde de sábado passado, quando eu descia as escadas com uma mesinha de computador, não me dei conta do último degrau e taí o resultado: um doloroso entorce, que me causou problemas no menisco e vai me deixar umas duas semanas de "sapato novo". Ainda farei umas radiografias pra identificar o grau da lesão e espero que seja o mais simples.

Vou dizer uma coisa, esse negócio de ter que ficar em casa, com os movimentos limitados, tendo que esperar alguém pra te levar pra trabalho e outras coisinhas mais, num e comigo. Há muito tempo aprendi a me cuidar, quase não depender de ninguém e agora vou aprender a superar algumas limitações. É aquela história da crise e da oportunidade, se pinta o problema, arruma um jeito, criativo, de superá-lo.