segunda-feira, 14 de junho de 2010

A alegria do hexa na África

Neste mesmo lugar já contei, acho até que por mais de uma vez, como torci pelo Brasil na Copa de 70, junto com meus irmãos mais velhos. Aqui também já disse poucas e boas sobre o Dunga e sua cabeça dura quanto ao jeito brasileiro de jogar, o que deixou muita gente até com medo do Brasil não disputar a Copa da África. Um parêntese: Você já percebeu que é primeira vez que se fala numa Copa de Futebol de todo um continente, mesmo sendo realizada apenas em um só país? A África, de norte a sul, de leste a oeste, se sente representada pela "Do Sul". É coisa bonita demais, né?

Bom, idependente do futebol travado que a seleção atual joga, o fato é que a danada tá lá, na África, disputando a Copa, e pelo visto pode mesmo ser campeã. Talvez todo o futebol, com algumas exceções, tenha ficado desse jeito meio feio e eu é que fico querendo mais. Agora vale mesmo é o resultado, acima de tudo. E se a gente lembrar que há um ano o Brasil ganhou, ali mesmo na África, a Copa das Confederações, ganhou a Copa América e se classificou superbem, aí é que a esperança aumenta.

Pois eu vou torcer cheio de vontade de ser hexa e, finalmente, aumentar o número de estrelas na minha camisa amarela. É que minha canarinha ainda tem apenas quatro estrelas. Não atualizei, nem comprei outra e por isso quero logo é acrescentar duas. Esse ano tem mais um motivo pra torcer pelo hexa: quero compartilhar com meu filho Guilherme essa alegria. Em 2002 ele tinha apenas dois anos e nem se deu conta do penta. A tirar pela alegria dele ao completar o álbum de figurinhas da copa, cada vitória do Brasil vai ser cheia de muita emoção do meu miúdo. E nada me alegra tanto quanto vê-lo muito alegre. E se imaginar que a alegria vai se espalhar pelo Brasil, aí a alegria fica infinita.

Então é isso. Vamos torcer pelo Brasil, jogando feio ou bonito, é o nosso time em campo. Hexacampeão o Brasil ficará feliz. A outra grande alegria a gente vai viver mais na frente, em outubro, com o Brasil seguindo o caminho do progresso, do bem estar social, da democracia, da soberania, que optou há quase oito anos, quando a alegria do penta se espalhou pelo país inteiro.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Uma mulher que merece

Dolores, Zelinda e Luiza, as meninas, como elas se autodefinem

Uma gargalhada como essa da D. Dolores Feitosa a gente quase escuta só de olhar a foto, né? Pois ela uma criatura que todo mundo quer bem e razão é o que não falta. Vou dizer as minhas: pra começar vale o bairrismo, é sobralense, o que já muito. Quer mais? É destemida desde muito tempo. Na época que os generais "ensombrearam" o Brasil ela, junto com as outras duas meninas aí da foto, Dona Zelinda Torres e Dona Luiza ( que nos deixou no início do ano), ia pra rua junto com os jovens, participava de passeatas, "obrigava" padres a deixararem igrejas abertas para acolher os estudantes quando a repressão baixava o pau, e, como ela conta, "passava talco no cabelo pra polícia pensar que eu era uma velhinha entre os meninos que faziam manifestações".

Dona Maria Dolores de Andrade Feitosa num parou quieta na vida e junto com seu Joaquim Feitosa, amor de sua vida, é uma das pioneiras na luta ambiental do Ceará. Aos 85 anos, além de fazer palestras, participar de muitos eventos sobre ambientalismo e biodiversidade, preside a Fundação Bernardo Feitosa, o Museu Reginal dos Inhamuns, e ainda faz trabalhos sobre arqueologia e palentologia.

Por tantas razões assim, a Medalha Chico Mendes, concedida pelo Estado do Ceará pra quem se destaca na defesa do meio ambiente, este ano só podia ir pra essa criatura incrível e eu vou dar um afetuoso abraço em Dona Dolores logo mais, na Assembléia Legislativa. Além de parabenizá-la quero sorver um pouco dessa fleuma dessa gente que ri, tem gana, tem raça, tem força, sempre!!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mais de 70 anos em 30 segundos

Na semana passada, durante um planeamento da próxima campanha eleitoral do deputado federal Chico Lopes, do PCdoB, os participantes ajudaram a construir uma linha do tempo com os principais fatos que marcaram a trajetório do dito cujo. Pois a turma achou pouco registrar a carreira política do Chico e resolveu começar do começo mesmo, do ano que o cabra nasceu. Vendo aquele quadro cheio de fatos que marcaram a vida não só do camarada, mas também a história do Brasil e a vida de cada um que estava ali, busquei a Sonynha pra gravar em 30 segundos quase um século. O resultado é meio impressionante. Esse cara, o Chico Lopes, tem uma vida marcante mesmo e sua trajetória se confunde com parte do que viveu o Brasil, seu povo e o PCdoB, com seus 88 anos de existência.

A qualidade do vídeo não ficou muito legal, por isso vale pausar de vez em quando para ler os cartões com a informação sobre cada fato histórico ou pessoal relacionado ao deputado que tem a cara do povo.

domingo, 6 de junho de 2010

Minha terra tem palmeiras e um céu lindo demais

Ontem viajei da serra pra praia, de Alcântaras pra Camocim, na trilha de reuniões do PCdoB. Mas sabe como é, a reunião nem sempre começa na hora e sempre termina depois do combinado. A primeira tava prevista pra terminar às 15,30h e assim eu chegar na segunda as 18h. Sorte minha porque mesmo atrasado não resisti em parar umas três vezes na estrada pra fotografar. As sombras da noite já começavam a chegar, o sol começou a se misturar com as carnaubeiras e as cores se misturavam no céu. Veja só o que vi.


sábado, 5 de junho de 2010

Yes, somos amigos até hoje

Já que estou em Sobral, pelo menos por mais 3 horas, resolvi matar saudades duma música que conheci aqui, há mais de 30 anos, junto com minha turma adolescente. A gente gostava muito de música e onde encontrasse algo legal tratava logo de buscar conhecer melhor. Até lembrei duma história, das muitas que vivemos naquele final dos anos 70, relacionada a um disco do Yes.

Em 1977 fazíamos a 7ª série, no Colégio Sobralense e, de vez em quando, parte da turma ia estudar na casa de um colega. Certa vez na casa do Zé Ricardo, cujo irmão Júnior, também estudava com a gente, conheci o clássico disco Close to the Edge, da banda inglesa Yes. Fiquei maravilhado com o LP e tratei de espalhar a boa nova musical. Mas o Ricardo não gostava muito daquele som e até topava trocar por algo "mais pesado". O João Rodrigues, também da turma, e fissurado por música, tanto é que virou músico e compositor, também gostou do disco e propôs uma troca com um outro do guitarrista albino Johnny Winter, que era pacada mesmo. O Zé topou na hora e lá fomos o João, seu irmão Fernando, o Nildão e eu lá pra casa dos dois manos pôr o disco na vitrolinha portátil e curtir sentados na área de entrada aquela bolachona mágica que tem apenas três grandes músicas: And You and I, Siberian Khatru e a faixa título Close to the Edge, cada uma a mais bonita.

A vida gente era um pouco assim, cheia de muita música, curtida de maneira simples e sustentada numa amizade que tem força até hoje. Curta então essa bela canção cujo vídeo busquei lá no Blog do Adeodato, outro que faz parte dessa turma eterna.

Berro Dágua nasceu em Sobral

Desde ontem à noite estou em Sobral de passagem para Alcântaras e Camocim, onde acompanharei as seções municipais da convenção eleitoral estadual do PCdoB. Aí não tem jeito, chego aqui e me dá logo vontade de falar sobre a minha sobralencidade, chamegar com minha mãe, meu pai, minhas irmãs ( os irmãos estão todos morando em Fortaleza), a sobrinhada que mora aqui e acariciar esse lugar que num me deixa nem falar porque já fico logo emocionado.

Pois quem pensava que Sobral havia "inspirado" apenas Albert Einstein em suas pesquisas para a comprovação da curvatura da luz e da Teoria da Relatividade, estava enganado. Eu desconfio que o ator Wilson Aguiar, que nasceu na vizinha Massapê, do meu amigo Francinet (.com.br), e é tio da Bida, minha cunhada, andou se inspirando no João de Apolo, que ainda vive "bem velhinho", como me relatou minha irmã Maria, pra fazer o Nezinho do Jegue, no Bem Amado. Do mesmo jeito que personagem esculhambava o Odorico Paraguaçu depois de "tomar umas", o sobralense, com seu paletó malamanhado e sua surrada pasta 007 cheia de recortes de jornal velho, botava baixava a lenha em figuras como o folclórico e habilidoso político sobralense Zé Prado.

Agora o escritor Afonso Romano de Sant'Anna atiçou meu bairrismo ao revelar mais uma inspiração sobralense. Em artigo publicado no Diário do Nordeste ele fala sobre o livro "A morte e a morte de Quincas Berro Dágua", inspiração do filme que estreou dia desses, e revela mais uma razão pra que tenha orgulho de ser sobralense. Diz ele lá: "o verdadeiro nome de Quincas, não é Joaquim Soares da Cunha como solipsisticamente o disse o romancista baiano. O Quincas real tinha, aliás, um nome muito mais mítico, pois se chamava Plutarco, cabo Plutarco. E já que estou rasgando os véus da ficção e da realidade avanço mais: o nome do Quincas/ Plutarco era esse: Wilson Plutarco Rodrigues Lima e nasceu em 1920, em Sobral".

Como dizia o saudoso Eusélio Oliveira, gostou ou não gostou? Pois é Jorge Amado, como você vai ler na postagem aí embaixo, inspirou-se num farrista conterrâneo que botava boneco lá no Rio de Janeiro. Tá certo que um cabra pinguço não é lá exemplo pra ninguém, nem motivo de orgulho, mas também ninguém vai ignorar que essas criaturas também ajudam a compor a crônica social de um povo, ainda mais um povo cheio de histórias como o nosso brasileiro.


Post post: tenho de compartilhar o crédito dessa postagem com meu amigo Gilvan Paiva, que viu o artigo do Sant'Anna e me chamou atenção. O Gil também tem um blog e vale a pena você ir lá.

O Berro Dágua de verdade

Enquanto buscava mais informações para a postagem aí de cima achei um artigo do jornalista e escritor Edmílson Caminha publicado no jornal onlaine da Casa do Ceará, em Brasília. Vale a pena você ler e saber um pouco mais sobre essa inspiração do Jorge Amado.

A verdadeira história de Quincas Berro Dágua No posfácio que escreveu para a nova edição, pela Companhia das Letras, do A morte e a morte de Quincas Berro Dágua, de Jorge Amado, Affonso Romano de Sant'Anna surpreende muitos leitores ao afirmar que a célebre personagem do romancista baiano existiu mesmo: chamava-se Cabo Plutarco, e repousa no carneiro nº 6059 do Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro.

Pura verdade, mas Affonso não contou toda a história... Quem o fez (com direito a foto e tudo, pa
ra que ninguém duvide) foi o escritor cearense José Helder de Souza (o senhor da foto ao lado, falecido há pouco tempo, em Brasília), num livrinho precioso com o título Cabo Plutarco, o Berro d’Água, que pouca gente leu, publicado que foi em Fortaleza pela Imprensa da Universidade Federal do Ceará, em 1982. A figura tinha por nome Wison Plutarco de Lima nascido em 1920 no município cearense de Sobral. Berro Dágua, portanto, não era baiano coisa nenhuma, mas natural da cidade em que Ciro Gomes iniciou sua carreira política. (Já que falamos nela, Sobral entrou para a história da ciência, pois lá, no dia 29 de maio de 1919, comprovou-se experimentalmente, pela primeira vez, o desvio da luz, conforme previsto por Einstein na Teoria da Relatividade. Mas isso é outra história...)

Emigrado para o Rio, Plutarco serviu como cabo no lº Batalhão de Caçadores de Petrópolis. Mas sua verdadeira e profunda vocação era a boêmia, a farra, a que se entregou com intensa devoção na companhia de bebuns que frequentavam a Galeria Cruzeiro, no centro carioca. Para que se tenha ideia dos pinguços, um era conhecido por “Marechal de Fezes” (alusão a Floriano Peixoto, o Marechal de Ferro), e outro, certamente por haver pertencido à Marinha, pela edificante alcunha de "Capitão de Mar e Merda"... A turma, como se vê, era um tanto próxima dos militares... Um terceiro gabava-se de viver desempregado há 42 anos, sustentado pelos colegas de mesa. Recorde capaz de ofender um Jorginho Guinle, que se orgulhava de jamais haver metido um prego quente numa barra de sabão...


Conta Zé Helder que Plutarco, certa vez, viajava do Rio para Fortaleza em um navio, ao encontro dos pais. Na escala em Salvador, o passageiro caiu na gandaia e esqueceu-se de voltar a bordo, perdido de amores pelas meninas da Cidade Baixa. Sorte dele: o navio chamava-se “Baependi”, posto a pique no litoral pernambucano por torpedos alemães. Em Fortaleza, a família chorava a morte do Cabo quando recebe um cabograma com o aviso de que perdera o navio, mas que tomara outro e já estava a caminho...

De tanto beber, Plutarco morre em abril de 1950 no Rio de Janeiro, aos 30 anos de idade. Durante a despedida, os amigos começam a beber em memória do companheiro que partia, como narra o pesquisador cearense: “Já com muitas doses de cana no bucho, os vapores subindo à cabeça, aqueles rapazes desprendidos, aquela gente folgazã só podia mudar a feição triste do velório, a tal ponto que a certa altura o próprio defunto passou a ter direito também às suas doses,o gargalo da garrafa enfiado na boca. No desvario, já no pingo da madrugada, as garrafas vazias e a sede e a vontade de beber mais aumentando, os participantes daquela sentinela singular dispuseram-se a sair e ir buscar mais bebida. Injusto seria lá deixar sozinho o companheiro morto, e ele assim foi aluído do caixão e carregado em pé, um amigo de cada lado amparando-o pelo sovaco ou passando-lhe um dos braços pela nuca. Lá se foram pelo bucho da madrugada em busca de um bar, um daqueles que não têm hora para fechar suas portas.”
O dia já amanhecendo, põe Plutarco de volta no caixão — não sem antes tirar-lhe o paletó e os sapatos novinhos, comprados para que tivesse um entero decente. Afinal de contas, ao contrário deles, o amigo não precisava mais daqueles luxos... E assim o Cabo Plutarco subiu aos céus ou baixou aos infernos, ninguém jamais saberá, nos mesmos trajes com que viera ao mundo: completamente nu.

Essa história, Jorge Amado a ouviu em Fortaleza, em 1958, na caymmiana “Boate Maracangalha”, que não era propriamente uma boate, mas a residência do Dr. Zequinha de Moraes, advogado e agrônomo (ou “agrobacharel”, como se lia na placa que, por gozação, um amigo pusera na fachada...) Incompatibilizado com os donos de botecos próximos, Zequinha realizara o sonho de todo bebun: ter um bar na própria casa para receber os amigos... Frequentado por jornalistas e escritores, ali foi ter, uma noite, o então jovem romancista
Jorge Amado, a quem contaram as peripécias que, em 1959, a revista Senhor publicaria como protagonizadas por Quincas Berro Dágua. Em 1981, ao receber em Fortaleza o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Ceará, o próprio baiano revelou: “Homem de muitos amigos, tenho aqui, como em toda parte do Brasil, mesa posta em muitas casas e um copo à minha espera na confraria noturna dos últimos boêmios. Foram esses amigos que ainda vivem a aventura e o riso que me forneceram a idéia inicial de uma das minhas histórias mais divulgadas e melhor consideradas. Refiro-me à "Morte e a morte de Quincas Berro Dágua". Esse vagabundo dos becos e ladeiras da cidade da Bahia, que hoje trafega mundo afora em mais de vinte línguas, em trinta países, que virou peça de teatro, balé, programa de televisão. Quincas Berro Dágua foi gerado em Fortaleza, onde brotou a idéia desse pequeno romance. Deram-me notícia de caso acontecido quando da morte de um boêmio, contaram-me como a solidariedade dos amigos prevaleceu na hora da ausência e transformou a dor da despedida em festa.”

Essa, a verdadeira história do cearense Wilson Plutarco Rodrigues Lima, o Cabo Plutarco, o Quincas Berro Dágua de Jorge Amado, essa pequena obraprima da literatura mundial, tão cheia de vigor e de beleza quanto O velho e o mar, de Hemingway, e Bartleby, o escrivão, de Melville. Em homenagem a todos eles, ergamos os copos e entoemos em uníssono, como diz o meu amigo, e parceiro de chope, Afreimar Queiroz: “Bebamos a isso!”

terça-feira, 1 de junho de 2010

Por dentro da pré-história.

No último final de semana viajei pela primeira vez com meu filho Guilherme (na foto acima matando sua curiosidade) e uma turma do seu colégio. O programa do colégio é chamado de Viagem Educacional e nosso destino era Mossoró, ali no Rio Grande do Norte, cuja atração são suas águas termais. A cidade é marcada pela presença da Petrobrás - se não me engano é ali a maior área de extração de petróleo no continente - e sua história tem a marca da passagem de do Capitão Virgulino Ferreira Lampeão e seu bando. Ali o Capitão cometeu um dos dois erros graves de sua vida - entrar numa cidade grande, longe do mato, onde se armou uma resistência organizada que o derrotou - mas a cidade parece que se rende em homenagens a tirar pelos enormes painéis expostos numa praça onde estão além de Lampeão, Dona Maria, Corisco e outros cabras.

Pensei que o encanto maior fosse o Museu do Petróleo, onde se vê toda a interessante descoberta do óleo na cidade, que saia pelas torneiras das casas, e o Hotel Thermas com suas piscinas de águas quentes. Nem gostei tanto de ficar dentro dágua num calor danado. De noite até que é legal ficar de molho a mais de 40 graus, mas de dia, no meio do sol, é uma coisa muito doida mesmo. Meu encanto mesmo, e do Guilherme, foi o Lajedo da Soledade, um lugar onde o sertão já foi mar e hoje é uma incrível sítio arqueológico.

Sempre me emociono quando vou a um lugar onde aconteceram fatos históricos marcantes. Pra mim é demais mesmo estar num canto que só conhecia por leitura e estudo. Mas nunca tinha ida ao lugar como aquele. Imaginar que naquele lugar, há milhares de anos, seres humanos começavam a habitar essa terra, a constituir uma cultura simplória para os dias de hoje, mas extremamente complexa para aquelas pessoas ainda muito primitivas, é algo formidável. Também dá um certo orgulho sentir que nesse canto aqui, ao sul do nosso mundo, fomos pioneiros nas realizações humanas, a semelhança do continente africano.

O Guilherme ficou, tal qual o pai, maravilhado e achei muito bonito ele querer assinar o livro de visitas pela segunda vez. Entendi porque ele, que tanto gosta de arqueologia, apesar de seus ainda 10 anos, ter insistido tanto em voltar àquele lugar onde estivera no ano passado. Dessa vez vez questão de me ter ao seu lado e isso me deixou ainda mais feliz.

Ao longo da visita, que durou menos de uma hora - o sol e o calor não permitem que se fique ali por muito mais tempo, mas ele e eu combinamos de voltar para visitar todos os lugares onde não fomos -, conhecemos lugares que há 90 milhões de anos (!!!!!) eram o fundo do mar, vimos formações rochosas que registram anos de muita ou pouca chuva, andamos por pequenos canyons onde circularam nossos ancestrais e, o mais incrível, vimos pinturas rupestres que permitem observam como os primeiros seres humanos registravam suas observações da natureza, suas atividades em busca da sobrevivência, a caça em especial, e um emocionante registro das primeiras elaborações de raciocínio expressas em desenhos aparentemente muito simples mas lotados de formulações e talvez as primeiras noções de conjunto, simetria e organização de ideias. Sinceramente, emociona imaginar aquelas pessoas fazendo tudo isso usando uma tinta feita à base de minério de ferro e gordura animal.

Não sei quantas vezes mais ainda voltarei àquele lugar e irei a outros como a Serra da Capivara, no Piaui, da Domaducarmo, minha mãe, e em Santana do Cariri, aqui no meu Ceará. Por perto da minha Sobral e na Serra da Ibiapaba também tem uns sítios arqueológicos, mas ainda não há nada organizado e tudo ainda é muito pouco pesquisado e estudado. Mas não é de se estranhar que isso ocorra num estado, que, como outros, decretou a inexistência de índios já no século 19. Imagine quanta bobagem, né? Nossos povos primeiros ainda estão vivos e por aqui, lutando por sua afirmação. Nessa semana mesmo um índio tomou posse como vereador do PCdoB lá em Crateús, onde o prefeito também é camarada meu. Vou querer ir nesses lugares e, com cetrteza levarei meu Guilherme, que não larga de ser menino brincalhão, mas já se apega a essas coisas de gente que quer saber como nos formamos como gente, habitamos essa terra e a compartilhamos com os demais seres vivos.


"Eles chegaram atirando"

O ataque do governo bandido contra uma frota de navios que levava 10 toneladas de ajuda humanitária para socorrer a população da Faixa de Gaza, na Palestina - veja aqui o que Israel fez na região há pouco de um ano - mereceu uma condenação bem forte em todo o mundo. Lógico que não houve unanimidade porque os Estados Unidos, com Obama e Cia (vale o trocadilho), além de alguns fantoches seus se recusam a combater o terrorismo sionista. Aliás os gringos nem acham que Israel tenha um governo terrorista, muito pelo contrário, pra eles aquilo ali deve ser um exemplo de democracia e seus governantes merecem até homenagens por seus esforços pacifistas.

Aqui no Brasil o nosso governo pensa de diferente e, além de condenar a bandidagem sionista, defende uma ação enérgica contra aquela estupidez. Aliás não vi nenhuma declaração do Serra sobre esse episódio, mas contra a Bolívia ele solta a língua, né? Um covarde. Até a domesticada ONU condenou o ataque e, logicamente, os bandidos israelenses não aceitam a condenação e ainda dizem a organização foi "precipitada, sequer houve um tempo de reflexão para considerar todos os fatos". Dizem que apenas reagiram em legítima defesa.


Mas dê uma olhada nesse vídeo acima e veja também o que disse a brasileira Iara Lee, que está presa em Israel, acusada de invadir ilegalmente o país:"Esperávamos que eles dessem tiros na perna, tiros no ar, só para aterrorizar as pessoas, mas foram direto. Eles atiraram na cabeça dos passageiros". Pra ouvir a entrevista todinha clique bem aqui, porque eu não consegui postar o áudio devido minha ainda limitada habilidade técnica nessas ferramentas internéticas.

Agora aqui pra nós, num é muito estranho que esse ataque tenha acontecido justamente quando o Brasil e a Turquia, de onde partiu a maioria dos navios, ajustam um acordo com o Irã sobre a questão nuclear? Você num acha que Israel tá, mais uma vez, cumprindo o papel de instrumento de desestabilzação do Oriente Médio? Eu acho.


Aproveite pra prestar sua solidariedade aos palestinos exigindo rigorosa apuração das responsabiliades e o fim do bloqueio sionista contra a Faixa de Gaza. Clique aqui e assine.