quarta-feira, 30 de julho de 2008

Vá em frente, meu menino!


Aqui todo mundo sabe que ningém tem mais meu carinho, meu amor e minha atenção do que meu menino, o Guilherme. Compartilho e vibro com suas conquistas, seu aprendizado, suas curiosidades, seu conhecimento surpreendente - atualmente anda todo por dentro da mitologia grega -, mas também procuro ajudá-lo a aprender com os erros, com as pequenas frustrações e com os tombos. Aliás, nesses casos ele tá aprendendo muito porque descobruiu que pode andar de bicicleta sem a famosas "rodinhas de apoio" e todo dia quer uma sessão de "bicicletada". Assim, mamãe Cláudia ou papai INácio precisam dedicar parte de seus dias a essa nova conquista. Mas digo, e sei que pais e mães sabem muito bem, que são momentos de extrema felicidade. Ainda mais ver que o filho fica feliz com suas realizações e neste caso é mais um passo no rumo da liberdade, da autonomia, que todo mundo sonha ter.

Vai lá meu menino, vasto é o mundo, o sertão é grande, disseram Carlos e João, dois mineiros dos bons. Desde garoto eu sempre disse que nunca estabeleceria um jeito de criar meu filho. O jeito é o que nós dois vamos criando juntos, como aquele seu jeitin de descer da bicycle, como você chama. Estamos juntos nessa vida, eu como pai e você como filho, cada um no seu papel, nos respeitando, sendo amigos e francos um com o outro. Felizes, como merecemos ser!

Viva, amigo!

Essa foto é da quarta-feira de cinzas de 1984 e foi feita no sítio do meu pai, na Vila Palestina, lá na Serra da Meruoca. Junto comigo estão o meu sobrinho mais velho, o André, hoje com 26 anos e quase um arquiteto, e o Régis, um amigo, quase irmão, que conheci nos tempos do movimento escoteiro, e que uma tragédia o levou há 11 anos.

A idéia de postar essa foto foi justamente pra deixar aqui nesse meu lugar um registro desse amigo, um folião, que no carnaval sobralense assumiu a organização do Blocos dos Sujos - uma instituição que existe na cidade há mais de 50 anos -, um cara muito divertido, contador de piadas e também um cabra sensível, solidário, que deixou uma saudade danada lá na "Metrópole". O Régis tenha uma enorme identidade com Sobral e por uma dessas coincindências grandes da vida, o acidente que o levou foi no dia 5 de julho, justamente o dia do aniversário da cidade.

Por estar viajando, não presenciei nada que se relacione ao Régis sem vida, por isso só guardo imagens dele vivo, o que pra mim é muito melhor, podem ficar certos. Isso o torna vivo, mesmo que não viva mais entre os amigos.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Em sua memória, meu capitão!

Há 70 anos, a estas horas, na beira do Riacho Tamanduá, em Angicos, sertão brabo de Sergipe, a catinga de pólvora e sangue certamente ainda dominava o ar. No chão, os corpos decepados de Virgulino, Dona Maria, uns quinze cangaceiros e os cachorros Juriti e Ligeiro, que parecem aí na foto, mortos numa emboscada que durou coisa de quinze minutos. Nos últimos dias eu li um monte de coisas sobre Lampião e quero destacar algumas coisas, em homenagem ao vaqueiro que campeou justiça terrena no meio do sertão nordestino.

Lampião, por Virgulino

“Não vivo a vida do cangaço por maldade minha. É pela maldade dos outros. Dos homens que não têm a coragem de lutar corpo a corpo como eu e vão matando a gente na sombra, nas tocaias covardes. Tenho que vingar a morte dos meus paes. Era menino quando os mataram. Bebi o sangue que jorrava da pelle de minha mãe, e beijando-lhe a boca fria e morta, jurei vinga-la... É por isso, que de rifle de costas, cruzando as estradas do sertão, deixo um rastro sangrento a procura dos assassinos de meus paes. (...) É por isso que eu sou cangaceiro. Não sei quando hei de deixar os horrores desta vida, onde o maior encanto, a maior belleza seria exttinguir a maldade daquelles que roubaram a vida de minha mãe e de meu pae e de minhas irmãs.”
( entrevista publicada pelo jornal O POVO, em 4 de junho de 1928)

O amor ...

Acorda Maria Bonita
Levanta vai fazer o café
Que o dia já vem raiando
E a polícia já está de pé
Se eu soubesse que chorando
Empato a tua viagem
Meus olhos eram dois rios
Que não te davam passagem
Cabelos pretos anelados
Olhos castanhos delicados
Quem não ama a cor morena
Morre cego e não vê nada

Um erro e o finado

Uma das melhores leituras que fiz nos últimos dias foi o artigo do meu amigo e camarada de partido, Joan Edessom, meu Mestre Matuto, intitulado “Lampião, um rastro de ousadia e ódio pela caatinga”, publicado na última edição da Revista Princípios. Gostaria de publicar todinho aqui, mas acho melhor que seja lido na própria revista, que tem outros textos muito bons para serem lidos. Como Joan e eu gostamos sempre de citar um erro do capitão Virgulino em nossas conversas políticas, reproduzo uma parte do final do seu artigo.


"Lampião viveu quarenta anos, mais da metade no cangaço. Comeu o pó das estradas sertanejas ao longo de mais de vinte anos. Palmilhou, por vezes a cavalo, mas no mais das vezes a pé, com suas sandálias de couro, incontáveis léguas por sete estados brasileiros. Travou centenas de combates e escapou de todos eles. Em Angicos, o cego não disparou um tiro sequer.

Cometera em toda sua trajetória no cangaço, um erro muito sério. O fracasso do ataque a Mossoró, no Rio Grande do Norte, acompanhou-o por toda a vida. (...)

Em Angicos ele errou pela segunda vez. Muitas vezes repetira que não se fica em coito com uma única saída, “ ratoeira”, segundo os cangaceiros. Angicos era exatamente isso. (...)

Na manhãzinha de 28 de julho de 1938 havia em Angicos os bandos de Lampião, Luis Pedro e Zé Sereno. Corisco ainda chegaria com Dada e seu bando. Conforme dizem os sobreviventes, o combate durou apenas quinze minutos. Foi o mais curto da vida de Lampião, e também o que apresentou maior número de baixas. Foi o combate fatal. Há setenta anos passados.

Lampião e Maria Bonita correm o sertão até hoje, nos romances de cordéis, na boca dos cantadores, na voz sussurrante das contadoras de histórias, na boca do povo, de pai para filho, de avó para neto, de bisavô para bisneto."

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O Zero é 10


Há uns dias atrás entrei uma superbanca de revistas em Fortaleza, alás é uma loja de revistas, ou revistaria, chamada Revista e Cia com o Guilherme, que é fissurado por leitura e logicamente, curte muito quadrinhos. Pois bem, no dito lugar eu já havia comprado muita coisa legal, inclusive a Comuna de Paris e a biografia do Che Guevara, em quadrinhos. Coisa fina mesmo. Na minha incursão com meu filhote, que hoje é freguês da casa, vi essa edição da Recruta Zero, a primeira editada no Brasil, lá pelos anos 50 e reedita em 1991. Paguei uma nota, mas num pudia deixar de ter uma coisa rara como essa publicação. Nunca vi uma forma tão saborosa e descontraida de tirar um sarro com os rigores da caserna. Me diverti muito com as trapalhadas do Zero e sua turma, Dentinho, Quindim e outros, o Sargento Tainha e seu cachorro Oto, o General Dureza, sua esposa Marta e sua secretária Tetê, além de uma ruma de cabra de tudo que é patente. O dono das revistas que eu lia era o Ducito, que tinha uma coleção incrível. Pois tá, quem quiser ler minha raridade, tem que agendar. Por enquanto divirta-se com uma provadinha aí embaixo.

Degustagem


Flor da Paisagem

Hoje cedinho escutei essa música, que é do Fausto Nilo e do Robertinho do Recife, mas que ficou muito conhecida por duas interpretações: uma da Amelinha, no disco Flor da Paisagem, e outra do Fagner, no disco Orós. A danada ta tocando até agora nos meuzuvidos e por isso eu botei a letra aí e um vídeo meio ruinzinho no You Tube, aqui.


Teus "zói" a flor da paisagem
Sereno fim da viagem
Teus "zoi" é a cor da beleza
Sorriso da natureza
Azul de prata meu litoral
Dois brincos de pedra rara
Riacho de água clara
Roupa com cheiro de mala
"Zoinho" assim são mais belos
Que renda branca
Que renda branca
Que renda branca na sala
Quem vê não enxerga a praia
Nós num lençol
Nós num lençol
Nós num lençol de cambraia
Teus"zoi" no fim da vereda
Amor de papel de seda
Teus "zoi" clareia o roçado
Reluz teu cordão colado

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Faustão marcou bobeira

Esse tal de Faustão tá mesmo merecedor duns cascudos naquela cabeçona de balde. Além de falar besteira a tarde toda do domingo, agora resolveu agredir ainda mais as mulheres que já são vítimas da violência. Pois o Bobão da Globo, referiu-se à farmacêutica Maria da Penha, que deu nome à Lei 11.340, que pune a violência contra mulheres, dizendo que ela "de tanto apanhar ficou paraplégica". Ora, onde já se viu uma coisa dessas?

Maria da Penha botou a boca no trombone e exigiu retratação pública já no próximo domingo. Ela reagiu com justa indignação dizendo o seguinte: "Não gostei de terem mudado minha história. Em 15 minutos, minha trajetória de vida foi desconstruída. É necessário que o programa se retrate. Eu acho que o programa vai fazer isso". Eu tenho impressão que vai ser o dia de maior audiência daquele programa porque muita gente estará solidária àquela que é um símbolo da luta para combater a violência contra a mulher e vai querer conferir se o Faustão vai se retratar. É capaz até da Globo botar o pedido de desculpas por final só pra garantir mais audiência, afinal, na TV do Roberto Marinho, vale tudo pra faturar mais um pouquinho.

Vou dizer uma coisa, eu até num acredito que o Fausto Silva concorde com o que disse. Ele deve tá morto de arrependido da besteira que falou. Mas o problema é a naturalidade com que essas coisa são tratadas. É comum vermos a violência contra a mulher ser levada com certo deboche, já arrumaram até um apelido pra Lei Maria da Penha, fazendo um trocadilho bem sacana, que justamente minimiza a violência.

Esse episódio deve servir de lição. A retratação deverá ocorrer, até porque a Globo num vai querer ficar com essa acusação de desrespeitar uma mulher como a Maria da Penha e agredir todas as outras mulheres. Mas a coisa num deve ficar só por aí. Há muitos outros casos em que as mulheres são agredidas e desrespeitadas na TV brasileira e nada acontece. Nas novelas, nas mini-séries, nos programas de auditório e em outras situações, há muita exploração da imagem das mulheres, que ainda são usadas pra fazer propaganda de tudo em quanto. Essa é parte da luta das mulheres, que na verdade deve ser encampada por todos que aspiram uma sociedade mais justa, mais humana, que respeite e valorize os cidadãos independente de sexo, raça, cor, idade, condição econômica ou social.