domingo, 28 de setembro de 2008

Solidariedade

No jornal O POVO de hoje tem uma matéria sobre a dramática situação dos pacientes de AIDS do Hospital São José. Eu a li ontem à noite, sem conseguir segurar a emoção, tanto pelo relato, como pelo texto fabuloso da Ana Mary C. Cavalcante, que tem um talento excepcional pra escrever. Resolvi postar essa matéria pra que você se motive a prestar solidariedade e também perceba como alguém pode escrever tão bem numa matéria curtinha, arriscada a se perder num jornal que estampa uma pesquisa eleitoral a uma semana das eleições. Vamos ler:

Precisa-se de roupas
Ana Mary C. Cavalcante
A reforma indica: a aids vai tomando espaços. O Hospital São José (HSJ), referência no tratamento de doenças infecto-contagiosas, começou reservando 32 leitos, nas unidades D e E, para pacientes soropositivos. Cerca de 20 anos de aids depois, as unidades A, B e C do hospital também acomodam pacientes com HIV - eram 50, na última sexta-feira. E um anexo deve ampliar, em outros 32 leitos, esses internamentos. Nos livros de registro e nas fichas acumuladas mês a mês, no HSJ, os traços vermelhos indicam 93 mortes, de janeiro até o último dia 16, provocadas pela doença. Os números assustam. E há um espanto maior por trás deles: "A aids está pauperizada e as pessoas têm limitações. Elas morrem porque não têm suporte nutricional para suportar os medicamentos retrovirais. Não têm, simplesmente, comida", identifica a ativista Mirtes Brígido, do Fórum de ONG/Aids do Ceará.

sábado, 27 de setembro de 2008

Vida longa, Fernando!

Essa foto aí tem exatos 30 anos. Nela o Fernando Cela e eu estamos nas ruínas de uma casa de farinha lá na Serra da Meruoca, próximo ao sítio do meu pai, na Palestina. Esses dois cabras hoje têm 45 anos, sendo que o Fernando é a partir de hoje.

Lembro que há um tempo atrás liguei pra ele nesta mesma data e ao dizer que ele estava mais velho, recebi uma resposta e um ensinamento que guardo comigo até hoje. Ele disse: "Bicho, que bom, né? Vivi mais um ano". É isso, meu amigo - aqui essa palavra tem todo o seu melhor significado - vamos vivendo e construindo a vida, a felicidade, um mundo melhor. Num dá muito trabalho se a gente faz isso com muita convicção e muita esperança. Aos trinta anos que nos distanciam dessa foto devemos somar mais alguns referente ao tempo que nos conhecemos, pelo menos mais cinco, e muitos outros que ainda compartilharemos dessa vida.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Guilherme livre

Aqui todo mundo sabe demais da minha paixão desmedida pelo meu menino, o Guilherme. Ele num é só meu filho, é um parceiro da vida, um amigo como nenhum outro e um até um cúmplice de pequenas traquinagens. Pois hoje ele saiu todo prosa prum acampamento do colégio dele. Viajou agora há pouco com mais uma tropa de meninos e meninas pra ficar até domingo curtindo o que ele mesmo chamou de "liberdade pra fazer o que quiser". É mesmo um cara de pau, faz de tudo, tem tudo que gosta de ler, brinca até se cansar e ainda diz que foi ficar livre. Marminiiiino!!!

O que eu sei é que quando fui deixá-lo lá no colégio só saí depois que o ônibus foi embora e ainda dei tchau pro ônibus, sem me importar se meu menino tava me vendo. Num vou dizer que fico tranquilo. Fico não. Fico doido pra saber o que ele vai fazer, como vai se cuidar sozinho - outro dia me pediu pra ensiná-lo a se pentear porque ia acampar e tinha de fazer isso sozinho - e se o fim de semana vai ser tranquilo. Mas digo uma coisa: eu também aprendo com isso. Tenho consciência de que nossos filhos são nossos filhos, mas são também filhos do mundo e é nele que vão viver e, de preferência sem depender de mãe e pai. Eles são parte de nossa contribuição para construir a felicidade e também parte da felicidade que buscamos, por isso precisam disso, de ficar longe de mães e pais, de se virar sozinhos, e é por isso que estimulo todas as ocasiões que o Guilherme tem de esperimentar o mundo sozinho de aprender. Da mesma forma que dou a ele tudo que me pede pra ler, livros, revistas, etc e tal. A liberdade que ele quer curtir nesse fim de semana, mal sabe ele, eu já cultivo desde que imaginei que um dia seria pai. Ainda mais sendo pai de quem busca ser livre.
Trilha sonora - enquanto escrevi esse texto, escutei o música That's The Way ( Esse é o Caminho), do Led Zeppelin, na versão gravada por R. Plant e J. Page, do disco No Quarter, e tomei duas doses de Ypioca 150, bem geladinha, com castanha assada.
"É desse jeito ...
É desse jeito que deveria ser
Oh você não sabe que agora Mamãe disse...
É desse jeito que vai continuar"
(That's The Way - Page/Plant)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

dantasmóvel


Dizem que a polícia já está testando um novo equipamento para evitar constrangimentos aos cidadãos de bem que, por ventura, sejam surpreendidos em situações indevidas, praticando algo em desconformidade com a legislação penal e tenham que ser convidados a comparecerem a alguma repartição público destinada a exercer restrição de liberdade. O novo equipamento, que poderá substituir as algemas, ainda tem o inconveniente de expor indevidamente o conduzido, mas a versão final deverá ter um revestimento fumê.

slotMusic a novidade digital

Desistam, CDs. Algo do tamanho de uma unha pode oferecer a indústria música um jeito de aumentar as vendas nas lojas físicas, já que as vendas de CD continuam a despencar. As quatro maiores gravadoras planejam vender música em mini cartões de memória que podem ser inseridos em alguns celulares, tocadores de música digital e até nos CD players do carro.

Fabricados pela SanDisk, os cartões slotMusic devem estar à venda nos Estados Unidos, até outubro, nas lojas americanas Best Buy Co. E Wal Mart. Nem a SanDisk ou as gravadoras souberam informar o preço de um cartão, mas falaram que seria possível compará-lo ao dos CDs.

Além de música, os cartões slotMusic virão com outros arquivos, como a arte da capa e contra-capa do disco e às vezes vídeo. Como muitos novos formatos antes desse, o projeto slotMusic enfrenta grandes desafios para ganhar o grande público. Os executivos da indústria musical dizem não saber se a idéia vai pegar, mas que querem experimentar maneiras de distribuir seu trabalho.


Num rejeita, mas também num vota

Em geral as pesquisas eleitorais chamam atenção mais pelo posicionamento das candidatas e candidatos na disputa majoritária. Cada pesquisa é aguardada, com a maior ansiedade, pelo público doido pra saber como tá a disputa. É bom lembrar que os comitês eleitorais, pelo menos o mais estruturados, sabem direitinho porque a campanha é toda monitorada por pesquisas quantitativas e qualitativas. Por conta disso é que aumenta ou diminue o nervosismo e os ataques aos adversários nos programas de rádio e tv, nos debates e no meio da rua mesmo. Basta espiar a pancadaria em cima da Luizianne pra sentir como tá a coisa. Nestes últimos dias de campanha, Moroni e Patrícia vão fazer de pra impedir que a eleição seja resolvida no primeiro turno.

Mas o que eu quero dizer mesmo é que uma das coisas que me chamam atenção nas pesquisas é o baixo índice de rejeição da Patrícia. Desde o início ela mantém um baixíssimo índice de rejeição. No Vox Populi nunca passou de 8%, o que se poderia imaginar que o eleitorado estaria aberto pra votar na senadora. É certo que outros candidatos, os de menor expressão eleiotoral, também são pouco rejeitados, mas aí vai um certo desconhecimento e aí vale ressaltar uma atitude justa do eleitor: não pode rejeitar o que não conhece. Mas no caso da Patrícia, o que não falta é conhecimento. Fazem pelo menos uns vinte anos que a mulher taí nas campanhas, seja como esposa de candidato, como candidata ou como apoiadora de candidatos. Pois o mesmo eleitor que conhece e não rejeita, também não vota na Patrícia. É uma coisa curiosa porque penso que numa disputa quente como a de Fortaleza, o normal seria que pelo menos o eleitorado da Luizianne, que cresce todo dia, rejeitaria a senadora. A impressão que eu tenho é que o povo passa o seguinte recado: tudo bem, Patrícia taí na disputa, mas não queremos que ela seja prefeita não, se ela quiser ser parlamentar topamos. Sacaram? Será que tô viajando demais?

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Podendo

Recebi um email do Flavinho Dearrudeio, cabra mui distinto, que dizia o seguinte:

A atuação do presidente Lula na crise da Bolívia é apenas uma mostra de como ele está conseguindo ganhar uma imagem de líder internacional. No diário britânicoFinancial Times, ele assinou o artigo 'Países desenvolvidos precisam liderar', afirmando que as nações mais ricas precisam se comprometer com firmeza na redução das emissões de gases para conter o aquecimento global. 'O Brasil vai continuar a fazer sua parte, na crença de que o compromisso coletivo vai prevalecer.' E a revista americana Esquire o coloca entre as 75 pessoas mais influentes do século 21, chamando-o de 'o Clinton da América do Sul'. Moral alta...

sábado, 20 de setembro de 2008

"Poema enjoadinho" .... que nada!


Filhos... Filhos? Melhor não tê-los! Mas se não os temos Como sabê-los? Se não os temos Que de consulta Quanto silêncio Como os queremos! Banho de mar Diz que é um porrete... Cônjuge voa Transpõe o espaço Engole água Fica salgada Se iodifica Depois, que boa Que morenaço Que a esposa fica! Resultado: filho. E então começa A aporrinhação: Cocô está branco Cocô está preto Bebe amoníaco Comeu botão. Filhos? Filhos Melhor não tê-los Noites de insônia Cãs prematuras Prantos convulsos Meu Deus, salvai-o! Filhos são o demo Melhor não tê-los... Mas se não os temos Como sabê-los? Como saber Que macieza Nos seus cabelos Que cheiro morno Na sua carne Que gosto doce Na sua boca! Chupam gilete Bebem xampu Ateiam fogo No quarteirão Porém, que coisa Que coisa louca Que coisa linda Que os filhos são! Vinicius de Morais
Guilherme, que bom te ter!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Se quer ver, veja, mas num leia

Tá ali do lado, dito por mim, que aqui exponho opiniões minhas e de outros com os quais eu concordo. Vou manter a linha, mas me perdoe por publicar trechos de uma ofensa ao Educador Paulo Freire, com a qual não concordo. Também me perdoe por divulgar um texto muito longo, o que também não é de praxe neste blog. Mas acontece que é uma carta da Ana Maria Araújo Freire, esposa do Paulo Freire, repudiando os ataques daquela ruma de papel sujo de tinta, que algumas pessoas ainda chamam de revista e o pior, ainda lêem. O texto abaixo veio do Blog do Azenha, que tem muita coisa boa sobre mídia. Vamos lá, leia, e veja do que a Veja é capaz.


Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem "O que estão ensinando a ele?". De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira, ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:

"Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado".


Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigo publicado na Folha, em 1990, cujo título é "Ceausescu no Ibirapuera". Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática de agredir sem assumir. Na época, Paulo era secretário de Educação da prefeita Luiza Erundina.

Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:

Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro Paulo Freire – e um dos maiores de toda a história da humanidade --, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do "filósofo" e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu "Norte" e "Bíblia", esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

Ana Maria Araújo Freire, São Paulo, 11 de setembro de 2008

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Te peguei, sua danada!


Num foi muito fácil encontrar a lua no meio de tanto prédio aqui em Fortaleza. Desde ontem que eu pelejava pra fotografar essa bonitona, mas me enfiei numa reunião que durou até umas dez da noite e quando fui ver tava meio sem graça, e de quebra eu tava sem a Sonynha. Mas hoje eu me preparei melhor. Me livrei de reuniões ( mas também encarei uma a tarde inteira, lá em Maracanaú), deixei a Sonynha no ponto e cedinho fui esperar a Lua. Só não contava que ela ia se esconder atrás dos prédios por tanto tempo. Mas finalmente consegui e ainda ampliei um pouco pra mostrar os detalhes, que quando eu era pequeno a gente dizia que era São Jorge e seu cavalo. Pois tai ela, quem num viu ontem, pode ver hoje de novo e ele vai muito linda, pode espiar direitinho.