sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ernesto, primeiro


As 24 horas do dia 30 de abril tão se findando daqui a pouco, mas o dia vai entrar noite a dentro e a festa vai pegar o noite do outro dia. É que esse menino tico tico aí, primeiro filho da Luisa e do João, primeiro neto do Veveu e da Izolda, primeiro bisneto do papai e da mamãe, meu primeiro sobrinho neto, fez a primeira, das muitas translações em torno do sol que a sua vida terá. Por sua culpa, sua máxima e única culpa, um monte de gente - Wilson e Amélia (pais do João), tios, primos, amigos e alguém mais - veio de Fortaleza pra se encontrarem no final de tarde do primeiro de maio dos trabalhadores na Casa de Pedra e celebrarem essa vida longa, longa vida, que se inicia.


Créditos: A foto foi feita pelo Guilherme agora há pouco na casa de meus pais, quando Ernesto veio colher os primeiros parabéns pela data querida, brincou, fez graça e até ganhou o primeiro presente.

Lembrança e emoção em Sobral

Paulo André, INácio Carvalho, Maninha Morais, Léo Salazar,
Maria Carvalho e Kelly Brasil(as 2
da EM PAUTA Produções) e Zé Brasil

Estou em Sobral desde ontem à convite da Em Pauta Produções, organizadora do Seminário Negócios da Música, onde falei sobre a minha atuação na organização do Festival de Música e Poesia - FEMUP, ali entre os anos 70 e 80. Foi um momento muito legal mesmo, ainda mais porque compartilhei a mesa do debate sobre festivais com a minha queridíssima amiga Maninha Morais, presidente do Centro Dragão do Mar e com um novo amigo, Paulo André Moraes, organizar do Abril Pró Rock e o cara que projetou, entre outros, Chico Science e Nação Zumbi.

O seminário aconteceu no Teatro São João, o que já mexeu muito comigo porque naquele lugar belíssimo aconteciam os eventos culturais mais importantes da Metrópole e eu sempre tava pelo meio. O "São João" foi reformado ainda quando o Cid Gomes era prefeito e o Veveu era Secretário de Cultura e os cabra fizeram um serviço distinto. Preservaram as características originais e o equipamento tá ainda mais mais bonito, bem equipado, com plenas condições de acolher espetáculos de todo jeito, compatíveis com seu tamanho e estrutura. Nem lembro há quanto tempo eu não subia naquele palco. Acho aque ainda foi "naqueles tempos".

Maninha falou legal sobre o Festival de Música de Viçosa do Ceará, que já vai este ano pra sua sexta edição. É uma mistura de formação, intercâmbio e aprentações musicais que encanta qualquer que já foi e até os que não foram ainda, como eu, que já deveria deixar de ser tão cara de pau. É claro que ela falou um pouco sobre o "Dragão" e sua experiência como exímia gestora cultural. Maninha tem um jeito próprio de trabalhar e conduzir a vida onde há sempre muito rigor nas exigências, o que inclui dedicação e competência, mas ela tem uma sensibilidade muito grande para a cultura. Foi muito legal compartilhar não só debate, mas também trocar muitas ideias ao longo do dia.

Paulo André, um cabra muito bem afamado e falado no meio, nos meios de comunicação e por meio de amigos em comum que temos (Fergus Gallas e Dustan Gallas, Guido Bianchi, Indira Amaral) é na verdade um jovem desbravador que poderia ter palestrado por algumas horas e ainda teria muito mais a dizer para um público que o ouviria sem fim. Relatou sua experiência ao decidir, aos 25 anos, organizar há 18 anos, o Abril Pro Rock (o festival tá acontecendo nesses dias e ele não se negou a vir prosear tão bem), apesar muito pouco estímulo, evento que apostou na cena local, nas bandas pernambucanas e dali de perto, geograficamente e culturalmente). Uma ideia muito importante firmada pelo cara é a de que é preciso apostar na talentosa turma nova: "O Pessoal do Ceará teve seu merecido espaço, mas hoje é preciso que a galera tenha seu espaço". Além de contribuir muito para o debate a partir do relato de sua experiência, Paulo André ainda revelou seu encanto com a beleza arquitetônica de Sobral e esteve muito tentado a ficar um pouco, inclusive para conhecer o Festival Mel, Chorinho e Cachaça, que acontece nesse fim de semana em Viçosa do Ceará, mas aí num dava pra largar seu filho dileto que também tá solto nesse mesmo findi. Fica pra outra. (Leia entrevista do Paulo clicando aqui)

Optei por falar a partir daquele momento em que a chapa que encabeçada pelo, hoje advogado, José Menescal Júnior, perdeu a eleição para o Grêmio do Colégio Sobralense, mas fomos convdados pela diretoria eleita para orgnizarmos o festival, considerada uma das melhores propostas da disputada estudantil, e topamos na hora! Achei que deveria fazer um registro importante da riqueza cultural de minha cidade onde surgiram alguns dos primeiros teatros do Ceará (Apolo, 1867 e São João, 1885), onde "choviam" apresentações musicais, de teatro, de poesia, conferências de todo tipo, saraus e tanto mais, para demonstrar que aqueles garotos mal saídos da adolescência eram também herdeiros de uma tradição e de uma vida muito ligada às artes. Por acaso o Menescal Jr, com quem toquei a organização do FEMUP, convidava a gente pra estudar na casa dele e ouvíamos música erudita e o melhor da MPB. Coincidência, ou não, a Escola de Música de Sobral funciona na casa onde morou o Cônego Egberto Rodrigues, tio do Menescal, onde a gente dava uma chegadinha na biblioteca e tinha interessantes papos culurais.

Fazer o FEMUP foi uma aventura ousada e testamos muito da nossa credibilidade quando conseguíamos alguns patrocínios de empresas locais, algumas pertencentes à familiares de colegas nossos que ajudavam no aval aos amigos "produtores" junto aos seus pais. Lembro bem da conversa com o Prefeito de Sobral na época, Dr Zé Euclides, pais do Cid e do Ciro Gomes. Foi prosa demorada, ele querendo saber tudo sobre o festival, buscando identificar quem eram mesmo aqueles meninos, quem participava do evento e qual o nível das músicas e poesias, além de recomenda a leitura dos clássicos da literatura universal. Dr Zé Euclides era advogado e seu hábito profissional nos fez falar tudo. No fim liberou uma grana que nos ajudou a pagar as despesas, mas ao sairmos advertiu: "Mas leiam os clássicos, não esqueçam!".

E a censura, que tava viva demais naqueles anos de luta pelo fim da ditaduira e pela anistia. Tínhamos que levar todos os versospoéticos e letras musicais para análise do pessoal da Solange Teixeira Hernandez, manda chuva do Departamento de Censura da PF. E um probleminha, como enviar ofícios "pros homi" com a assinatura de dois "de menor"? Não lembro como resolvemos essa, mas solução teve. Aí era esperar a liberação e tocar o festival.

Foi coisa bonita. O "São João" lotado de torcida e apreciadores da música.Tinha até gente de outras cidades e até de capital, já que os festivais de Sobral, principalmente o Mandacaru (um dia falo dele) eram bem afamados. Muita coisa bonita. "E os destroços, dessa jangada/Ainda amam o mar das Barreiras, o mar/São teus pilares de búzios/Que sustentam essa paixão/E esse vento cálido sem certa direção/Ouve e gane em meus ouvidos/Qual será tua canção?/Teu farol, estrela mais próxima do chão". Barreiras, a vencedora do I FEMUP era um tributo à Praia das Barreiras, em Camocim. "Benedito da Lagoa", o violão dedilhado por João Rodrigues, que também cantava e "Maria dos Santos", a viola de 12 cordas harpejada por Jefferson Aragão, encheram de melodia a caixa sonora e o palco do histórico teatro da Princesa do Norte.

Lembrar isso tudo, e muito mais, era emoção demais pra mim, que nunca havia falado sobre o FEMUP em outra ocasião distinta dum papo entre amigos. O Paulo André ainda imaginou como eram difíceis as condições técnicas daquela época, e eram mesmo. O som e os instrumentos eram alugados de um conjunto musical de festas, o BR SOM, a iluminação era feita por 24 refletores, sem nenhuma ligação entre si, operada por esse que vos escreve, espécie de quebra galho como iluiminador daquele e de tantos outros shows que aconteciam no teatro. A divulgação era feita no boca a boca, panfletos mimeografados a álcool e na cara de pau nossa de ir ao programas de rádio. Tudo era aventura, essa coisa que torna a vida mais saborosa e cheia de histórias pra contar pros que gostam de aventuras.

Cotovelinho dolorido

Com mais de 80% de popularidade no Brasil, o cara foi eleito o Homem do Ano em 2009 pela revista francesa Le Monde e pelo jornal espanhol El País; considerado o “político mais popular do mundo”, pela Newsweek; premiado como Estadista Global, pelo Fórum Econômico Mundial, de Davos, entre outros títulos e homenagens recentes e agora a revista Time o elegeu como o líder político mais influente do mundo. Assim não tem cotovelo que aguente!

Figurinhas da Copa

Não tem como fugir, ano de Copa do Mundo é também de álbum de figurinhas. Claro que o Guilherme tá de cara nessa e nesses dias em que estamos em Sobral ele compartilha essa delícia de curtição com a prima Bia, noviça na área. Eu fico só ali por perto, como quem não quer nada, mas de vez em quando invento de dar uma ajudinha na abertura dos pacotes e na separação das figurinhas, porque colar o Guilherme não me deixa mesmo. Ah bichinho, run!


A tempo.

1. Ao final dessa postagem eu havia falado, erradamente, mesmo que em tom de brincadeira, que o Guilherme era egoísta e ele, corretamente, protestou nos comentários que não é egoísta. Por essa razão vim aqui reconhecer de público que errei, mesmo brincando, com meu filho.

2. Na verdade ele me pede pra colar as figurinhas dos estádios da Copa da África, que são duas figurinhas juntas e eu o ajudo nisso.

3. A principal demonstração de que o Guilherme não é egoísta ele mesmo tratou de provar ontem. A Bia e ele foram comprar pacotes de figurinhas e ao final da colagem ele tinha uma quantidade muito maior de repetidas do que sua prima. Eles então resolveram trocar e, ao invés de trocar na proporção de uma por uma, ele deu todas as suas e ficou com as da Bia, algo em torno de 3 por 1. Isso é exatamente o contrário de egoísmo. Assim, meu filho querido, peço-lhe desculpas pela brincadeira descuida e com isso você me dá mais uma lição. Obrigado.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Ciro e a cautela do Capitão Virgulino

Eu já estava me encaminhando pra dormir quando vi que o Ciro Gomes havia divulgado uma nota sobre a decisão do PSB de não lançá-lo como candidato a Presidente da República. Como eu já vinha com muita vontade de comentar a postura do deputado nos últimos tempos, achei que agora, encerrado este ato, também poderia meter meu bedelho nessa conversa.

Pra começar eu quero dizer que é preciso reconhecer um papel relevante do Ciro na cena política do Brasil contemporrâneo. Não é o que ele se atribui, mas ele tem méritos sim. Mesmo guardando ainda forte identidade com o Tasso Jereissati, a mais perfeita tradução de político a serviço de interesses contrários ao Brasil e ao povo brasileiro, não acho que Ciro seja igual ao seu amigo. Mesmo quando foi governador do Ceará, sua postura era mais aberta ao diálogo e pode-se dizer que deu sim uma importante contribuição ao novo ciclo de desenvolvimento econômico e social, democracia, soberania nacional e protagonismo internacional iniciado pelo Presidente Lula. É bom lembrar que Ciro foi um dos que enfrentaram a ofensiva da direita, capitaneada por Tasso, entre outros, para por abaixo o Governo Lula na época da chamada "Crise do Mensalão". Teve muita gente que correu da raia, enquanto o nosso conterrâneo, ao lado de outros como Aldo Rebelo, Dilma Rousseff, o próprio Lula e uma parcela expressiva do movimento social (aqui vale destacar o imenso papel da UNE) partiram pra cima dos golpistas tucanos e sua mídia cretina. Esse mérito o Ciro tem.

Acho que ele talvez tenha começado a perder o rumo quando se elegeu deputado federal e parece ter definido como objetivo único e irreversível ser o sucessor de Lula. Isto ele diz com todas as letras na sua nota divulgada há pouco e que reproduzo abaixo. "Esta sempre foi a maior das possibilidades", diz ele. Sempre gosto de lembrar a cautela de Virgulino Lampião, muito citado por meu camarada sertanejo Joan Edessom. O Capitão sempre tinha o cuidado de acampar com seu bando em locais que tivessem mais de uma possibilidade de fuga no caso de ser atacado pelos "macacos" das volantes policiais que o perseguiam nas brenhas do sertão nordestino. Numa única ocasião o Rei do Cangaço se descuidou e perdeu a cabeça, junto com Dona Maria e seu bando, no Raso da Catarina. O arisco Corisco teve mais cuidado e escapou da emboscada seguindo o conselho de seu líder, que viu tombar na margem oposta, onde estava acampado.

Ciro pode ter cometido o mesmo erro de Lampião. Resta saber o que o levou a tal atitude. Temo que por uma característica pessoal sua, que Virgulino não tinha, assim como o sertanejo também não tem: uma certa soberba. Criado no sertão, Ciro talvez não tenha se dado conta de o quanto a humildade é importante, em especial numa personalidade política capaz de mobilizar tanta gente. Não é possivel se imaginar que seu papel fosse unicamente ser Presidente da República. É bom lembrar que em 121anos da República o Brasil teve apenas 35 Presidentes e não foram poucos os que tentaram ser, assim como alguns o foram sem merecer. Mas também é importante lembrar que muitos brasileiros entraram para a nossa história como grandes construtures da nação sem terem ocupado o cargo maior do país. O que seria do Brasil, por exemplo, sem a indiscutível contribuição de José Bonifácio, pra citar o exemplo talvez mais expressivo? Cada homem ou mulher tem a sua missão em determinado momento da história, e o Brasil está repleto de pessoas imprescindíveis, como dizia Brecht.

Ciro agora reage à decisão do PSB dizendo que a acatará, mas insinua que a sua verdade não prevaleu devido a "processos tortuosos", deixa dúvidas quanto ao seu engajamento na luta para derrotar a direita e seu candidato José Serra (não entedi seu elogio ao tucano, em comparação com Dilma), reproduz o discurso udenista dos tucanos sobre "deterioração ética generalizada de nossa prática política" e diagnostica uma "precoce esclerose de nossa democracia", a meu ver uma jovem dama cheia de futuro e muito revigorada pela inédita participação popular na vida nacional. Acho precipitada essa reação pública de Ciro Gomes. Sempre é bom deixar a poeira baixar, tomar maracujina, refletir mais distante dos acontecimentos, conversar com o espelho e com aqueles em quem confiamos a dor e a alegria. É também um momento para repassar a própria trajetória, nos últimos tempos um tanto errática, além de avaliar gestos e palavras, algumas delas precipitadas, que podem tê-lo levado a um certo isolamento.

Felizmente Ciro fala em "controlar a tristeza" e em se concentrar no "futuro de nosso País", para ele, "o que importa". É uma esperança de ainda contarmos com sua contribuição. A máxima do Capitão Virgulino ainda pode estar presente.


Ao rei tudo, menos a honra

“A cúpula de meu partido, o PSB, decidiu-se por não me dar a oportunidade de concorrer à Presidência da República. Esta sempre foi uma das possibilidades de desdobramento da minha luta. Aliás, esta sempre foi a maior das possibilidades. Acho um erro tático em relação ao melhor interesse do partido e uma deserção de nossos deveres para com o País.


Não é hora mais, entretanto, de repetir os argumentos claros e já tão repetidos e até óbvios. É hora de aceitar a decisão da direção partidária. É hora de controlar a tristeza de ver assim interrompida uma vida pública de mais de 30 anos dedicada ao Brasil e aos brasileiros e concentrar-me no que importa: o futuro de nosso País!


Quero agradecer, muito comovido, a todos os que me estimularam, me apoiaram, me ajudaram, nesta caminhada da qual muito me orgulho.
Quero afirmar que uma democracia não se faz com donos da verdade e que, se minhas verdades não encontram eco na maioria da direção partidária, é preciso respeitar e submeter-se à decisão. É assim que se deve proceder mesmo que os processos sejam meio tortuosos, às vezes.

É o que farei.


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terça-feira, 27 de abril de 2010

Fala cachorro

Se vale o ditado de que uma imagem pode falar
mais do que as palavras,
o que diz essa simpática fotografia?

A UNE é união

A UNE reúne futuro e tradição
A UNE, a UNE, a UNE é união
A UNE, a UNE, a UNE somos nós
A UNE, a UNE, a UNE é nossa voz.

(Refrão do Hino da UNE, de Carlos Lyra)

Qualquer um que me conhece sabe o quanto valorizo o movimento estudantil, seu papel indiscutível na história recente do país. Desde o empenho da entidade na busca de conquistas específicas dos estudantes universitários até as mais importantes batalhas políticas dos últimos 70 anos (mobilização da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para combater o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial, campanha O Petróleo é Nosso, luta contra a ditadura militar, Diretas Já, Fora Collor, etc.) a UNE jamais falhou. Além de um espírito de luta aguerrido, os estudantes sempre tiveram como marca a busca da unidade, a condução unitária de suas lutas.

Neste final de semana esta unidade foi novamente posta à prova. A direita apostou que os estudantes cairiam num certo "canto de sereia" e que até se "venderia" por conta da idenização que terá direito por conta da destruição de sua sede histórica no Rio de Janeiro. A chamada grande imprensa insinuou de todo jeito, mas prevaleceu mais uma vez a máxima de que a "a UNE é união" quando o Conselho Nacional de Entidades decidiu por ampla maioria que não apoiaria nenhuma candidatura específica à Presidência da República, mas aprovaria propostas a serem encaminhadas aos candidatos. Assim feito a entidade se manteve independente, mas comprometida com suas bandeiras históricas e quem quiser o apoio dos estudantes que apóie suas propostas.

No meio do debate vale destacar o artigo do jornalista Alon Feuerwerker, ex-diretor da UNE no início dos anos 80, que registrou um episódio semelhante por conta das eleições de 1982, quando o debate foi entre apoiar o PMDB, então uma frente de forças que lutava contra a ditadura, ou o recém nascido PT. A decisão foi apertada e o voto decisivo do Fredo Ebling (esse menino de barba rala, que na foto histórica aparece de jaqueta jeans e hoje é dirigente do PCdoB no distrito federal) manteve a UNE unitária e independente.

Diz o Alon:

"Corria o ano da graça de 1980 e a diretoria da União Nacional dos Estudantes estava reunida no DCE da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em Vitória, para tomar posição diante da reforma partidária imposta — ou segundo outras versões permitida — pelo governo João Figueiredo. A UNE fora reconstruída um ano antes e compunhamos a primeira direção, eleita pelo voto direto. Já eram os ventos da abertura a soprar. A diretoria de 15 integrantes era complicada que só. Todos militantes ou simpatizantes de grupos e partidos que uma década antes tinham aderido à luta armada. Um assunto superado pela vida, mas as diferenças políticas persistiam. Parte pendia para o nascente PT, que outros acusavam de ser subproduto da manobra de Figueiredo para dividir o MDB (Movimento Democrático Brasileiro, única oposição partidária permitida pelo regime até então)". Leia mais...

Dessa vez prevaleceu novamente a unidade e seu presidente, Augusto Chagas, anunciu a posição da entidade: “Uma ampla maioria de delegados aqui foi dessa opinião, de que a UNE participe do processo político que vai se dar este ano, no Brasil, com independência e apresentando propostas, o que é mais valioso na nossa trajetória”. Augusto foi mais enfático ainda ao dizer que "quem deve ter candidatos numa disputa eleitoral são os partidos políticos. A UNE deve contribuir com aquilo que há de mais valioso na nossa trajetória, que são as propostas. Nós vamos lutar para que o Brasil não retroceda a determinadas políticas que, na nossa opinião, são negativas. A instituição só tem o prestígio que tem porque sempre conseguiu pautar as grandes questões nacionais, aquilo que interessava à maioria da população, e porque conseguiu conviver com as diferentes opiniões”.

Agora resta saber quais candidaturas se identificarão com os estudantes brasileiros.

Agora assista à entrevista do Augusto Chagas após o 58º CONEG da UNE.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Herói da Nação

Há mais de 30 anos, quando eu escrevia minhas primeiras redações no Colégio Sobralense, a professora pediu para escrevermos sobre Tiradentes. Talvez tomando por um excesso de rebeldia lembro de ter criticado o Herói da Inconfidência. Naqueles tempos, herói pra mim era o Seu Simão, vaqueiro do meu finado Vovô Clodoveu, que metido num gibão de couro e montado no Lazão, corria solto pelo juremal e num perdia uma rês na solta. Esse ainda é o herói que me emociona só de lembrar e por isso num tem uma vez que eu não lembre dele quando vou ao Museu do Vaqueiro, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza.

Mas a vida nos ensina a perceber algo mais além do que os olhos enxergam e aí eu descobri que existe também um outro tipo de herói, que não está na Liga da Justiça, ou nos quadrinhos da Disney. Ele é de verdade, nunca deixa de existir e inspira a nação inteira. Ele também pode não ser sempre perfeito, cumpre um papel em determinado momento da história que não cumpriria noutro, mas nem por isso deve ser rejeitado ou mesmo ignorado. Tiradentes é um dos que marcaram a nossa curta trajetória como nação soberana, que ele vislumbrou antes de muitos outros brasileiros. Eu assim o acolhi como herói, não ao lado do Seu Simão, mas junto com tantos outros construtores do Brasil. Desse modo trago mais uma vez a contribuição do Aldo Rebelo, para ajudar a entender mais sobre Tiradentes e a atualidade de suas ideias.


Tiradentes e a atualidade da questão nacional

Liberdade – essa palavra,
que o sonho humano alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda!
Cecília Meireles, em O Romanceiro da Inconfidência

A atualidade de Joaquim José da Silva Xavier deve ser celebrada no 218º aniversário de sua imolação como símbolo de um movimento de autonomia nacional que ainda hoje está por se completar na formação social brasileira. A Conjuração Mineira foi um daqueles sonhos a que os homens se entregam por intuírem o caminho da História antes de a História lhes oferecer as condições determinantes para a materialização do sonho. Assim ocorreu com a Comuna de Paris, em 1791, definida por Karl Marx como uma tentativa de tomar o céu de assalto. Como já tive oportunidade de observar, também aos revolucionários de Vila Rica a História não recusou a razão, mas lhes negou a oportunidade.

O projeto político de conquistar a Independência e proclamar a República do Brasil foi muito além da troça que certos centros de pensamento querem lhe atribuir, apontando os conjurados como mais interessados em não pagar impostos à Coroa portuguesa do que em fundar uma nação. Joaquim José da Silva Xavier foi líder visionário, não um fantoche manipulado pela elite de Vila Rica, que, afinal, se era elite interessada na Independência do Brasil, constituía o povo da época. Como na memorável luta contra os holandeses no Nordeste, no século anterior, em Minas também se reuniam pela causa nacional os reinóis, os mazombos, os mestiços. Todos foram punidos, uns com a morte na cadeia, outros com o degredo e Tiradentes com a forca. Os banidos para a África e que lá morreram só voltariam à pátria por ordem do presidente Getúlio Vargas, que em 1942 mandou buscar um a um os heróis falecidos no desterro.


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Brasília 50

Grafismos de Brasília no olhar da Fernanda do Val

Outro dia declarei aqui meu bem querer por Brasília, a mais nova cinquentenária deste mundo. Talvez a cinquentenária de vida mais intensa de que se tem notícia. A cidade é mesmo linda, apaixonante, aconchegante (lamento pelos que não encontraram suas esquinas e pensam o contrário disso), rica de muitos saberes e mestre de muitas lições para os que desejam aprender. Como diz o Alceu Valença, Te Amo, Brasília!

Há muitas homenagens à cidade e eu mesmo até gostaria de estar hoje por lá pra participar da festa que terá até Milton Nascimento. Tenho ciência de que os brasilienses, nascidos ou adotados pela capital no planalto central, haverão de redimir aquela cidade também maravilhosa. Trago dois olhares postados em blogs. O da minha querida Fernanda e seus grafismos, em seu "Quebra Cabeça ou Este Lado pra Cima", e o vídeo do Blog do Gustavo Alves, um adotado que conhece alguns dos melhores lugares da cidade. Curta e descubra mais Brasília.