terça-feira, 29 de março de 2011

Valeu, Zé!

"Não tenho medo da morte,
 tenho medo da desonra"

O POVO tá certo sobre reforma política

Eu não sei se todos os jornalistas, colunistas, editores e até os donos do O POVO lêem os editoriais do jornal, mas eu leio boa parte deles e acho que esse pessoal citado também deveria fazê-lo. Pelo menos pra sintonizar um pouco as opiniões. Eu leio, mas nem sempre concordo, mas em relação ao de hoje, eu não só concordo como resolvi postá-lo todinho aqui pra ajudar a construir no debate sobre a reforma política. Sei que tem todo tipo de interesse sobre o tema, mas se falam tanto que os partidos no Brasil são frágeis, fisiológicos e sem ideologia, que tal tomar medidas que mudem de fato esse perfil? Pois o editorial do O POVO de hoje dá uma boa dica de como fazê-lo.

Reforma política: dinheiro público e lista fechada

A reforma do sistema político brasileiro está embolada no meio do campo. Cada Casa do Congresso (Senado e Câmara dos Deputados) articula sua própria proposta sem consultar a outra. O que prevalece é a busca de garantir os instrumentos favoráveis a cada uma das instâncias parlamentares.

A extinção do inciso XV do Art. 49, CF, pondo fim à exclusividade do Congresso Nacional na convocação de plebiscitos e referendos (como foi abordado em editorial anterior) seria o ideal para que esse assunto pudesse ser resolvido pelo próprio povo. Enquanto não se dá esse passo, o jeito é lutar para conquistar o que for possível.

Um dos pontos da reforma é o financiamento público das campanhas eleitorais, através de um fundo específico de recursos a ser distribuído aos partidos, segundo critérios a definir. Será a maneira de reduzir, ao máximo, a interferência do poder econômico privado nas eleições, que tem sido o maior fator de corrupção do processo eleitoral.

Argumentar que o contribuinte seria contrário ao emprego desses recursos, preferindo vê-los aplicados na melhoria dos serviços públicos, denota uma falta de percepção de que é mais factível obter essa melhoria quando se impede ao máximo que interesses privados se imiscuam na esfera pública, indiretamente, através do financiamento dos dirigentes políticos, pois estes ficam devedores das fontes privadas do financiamento.

Outro fator fundamental é o fortalecimento dos partidos políticos para que se tornem expressão das aspirações reais dos vários segmentos da sociedade, concretizadas em programas e doutrinas. A eliminação do voto no candidato individual é fundamental para isso. O mandato do representante pertence em última instância ao eleitor, mas se expressa através do coletivo do partido. É este que detém a legitimidade para representar, perante o poder, os que se agregam em torno do seu ideário.
Assim, o voto em lista fechada é a melhor forma para traduzir o projeto que se quer para a sociedade. Ao mesmo tempo, viabiliza a governabilidade, pois as negociações se darão em torno dos partidos e suas propostas, e não mais em torno de individualidades. Essa modificação, é claro, deve vir acompanhada de mecanismos partidários democráticos de escolha dos componentes da lista. 

Os "benfeitores" do povo líbio

Outro dia um grande amigo me contestou por criticar a invasão da Líbia dizendo que o Obama, Sarkozy, Berlusconi e Cia agiam em defesa da população que estava sendo massacrada por Kadafi. Argumentei que não era bem assim, que ali há interesses econômicos que falam mais alto que o "bom mocismo" dos chamados "aliados", que o interesse de verdade é no petróleo e que de quebra a indústria bélica ainda fatura um pouco mais. Não o convenci e ao final ele disse que não vê outra solução a não a retirada de Kadafi e que, se fosse ele, faria o mesmo que o Obama. Ontem li a coluna do ex-juiz Wálter Maierovitch na revista Carta Capital e achei que deveria fazer mais uma tentativa de levar meu amigo, um leitor deste blog, à reflexão. Aproveite você também, leia e refleita sobre o humanismo dos bombardeios cirúrgicos.


Entre tapas e beijos

A propósito, a pena de morte está prevista na legislação da Líbia desde 1969, quando o então capitão Kaddafi promoveu o golpe que derrubou o soberano Idris, responsável pela proclamação da independência em 1951.
O premier britânico, David Cameron, pensa diferente dos rebeldes e deu canhestra interpretação à Resolução 1.973 das Nações Unidas, aquela que autorizou a intervenção humanitária e que contou, no início, com o aval da Liga Árabe, com exceção de dois Estados dela membros, Argélia e Síria. Assim, um ataque britânico destruiu, em Trípoli, toda parte residencial do complexo de Bab el-Aziziya. A meta era, efetivamente, matar Kaddafi. Nos primeiros três dias de intervenção, atuaram três comandos (EUA, França e Reino Unido), cada um a agir por si e a livremente interpretar a resolução das Nações Unidas.
Como sabem todos os grãos de areia do deserto líbio, o conflito a produzir um mar de sangue estava localizado na antiga região da Cirenaica, onde fica Bengazi, o berço da revolta e das reservas de petróleo e gás. Na velha região da Tripolitânia, sob domínio de Kaddafi, não existe conflito. Portanto, o ataque britânico a Bab el-Aziziya nada teve de humanitário. Só que Kaddafi, escaldado, lá não estava.
Em 5 de abril de 1986, um ataque terrorista financiado e ordenado por Kaddafi matou 229 frequentadores da discoteca La Belle, em Berlim Ocidental. Dentre os mortos estavam 50 militares norte-americanos que lá se divertiam. Como represália, o presidente norte-americano Ronald Reagan determinou o bombardeamento da residência de Bab-elAziziya. Avisado pelo ex-premier italiano Bettino Craxi, Kaddafi conseguiu deixar a residência, mas sem tempo de tirar sua filha adotiva de 16 anos. Sem Kaddafi, não haveria garantia de abastecimento de gás e petróleo para a Itália.
A Resolução 1.973 foi concebida num momento em que havia uma guerra civil e as forças militares de Kaddafi, próximas a Bengazi, tinham matado mais de 180 civis num único dia. A resolução “autoriza o emprego de todas as medidas necessárias a proteger as populações civis e as zonas habitadas por civis.”
No campo do direito internacional, pode-se discutir a sua pertinência em face de uma revolta interna, da violação ao princípio do Estado soberano e da autoderminação dos povos. No entanto, o texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos permite a intervenção para a defesa da pessoa. Como frisou Massimo D’Alema, ex-premier e ex-ministro de Relações Exteriores da Itália, “a intervenção era justa. Vidas humanas foram poupadas e a ofensiva de Kaddafi levaria a um massacre de civis inocentes”. O problema, ressalta D’Alema, está na falta de definição de objetivos e no protagonismo e precipitação de Sarkozy, que se gaba de ter evitado o massacre em Bengazi.
Nesta quadra, convém registrar que França, Itália e Reino Unido sempre tiveram interesse na região. Em 1911, ela foi tomada pelos italianos do Império Otomano por 30 anos. De 1943 a 1951, ficou sob desfrute de um consórcio formado por França e Inglaterra. Por outro lado, impor uma no-fly zone para cumprir a resolução da ONU não implicava partir de pronto para um bombardeamento, voltado à destruição dos meios e das forças militares de Kaddafi. Medidas de persuasão deveriam anteceder os ataques. Mas nem o controle de fronteira com o Chade, onde são arregimentados os mercenários por Kaddafi, foi realizado. E nem se cogitou em abater apenas os caças que decolavam.
Com o fim da Guerra Fria, Kaddafi mudou de lado. Logrou levantar embargos e despejar pelo planeta dinheiro de cinco fundos soberanos da Líbia. Apenas na Europa, o país mandou investir 340 bilhões de dólares e chegou a evitar a falência da Fiat. Hoje, o Reino Unido é o maior dependente financeiro dos fundos líbios.
Uma pequena amostra dos receptores de dinheiro líbio: nos EUA, Xerox, Pfizer, Halliburton, Mobil e Chevron; na França, Electricité de France (EDF) e Alcatel-Lucent; na Alemanha, Siemens; no Reino Unido, Shell-Royal Dutch, Vodafone, Glaxo SmithKline, Person, Standard Chartered e BP; na Itália, ENI (energia), Unicred (segundo maior banco) e Finmeccanica.
De repente, fala-se em derrubar Kaddafi para implantar democracia e permitir liberdades individuais e públicas. Antes, Kad-dafi era incensado e plantava barracas em Paris e Roma. E o amigo dos ditadores, Sarkozy, agora assume o papel de protagonista de uma farsa para encobrir interesses econômicos e eleitorais. No Bahrein, na Jordânia e na Arábia Saudita, os ditadores convêm e o povo não adianta esperar por uma Resolução 1.973. A secretária Clinton queria o diálogo e não a queda de Mubarak.

terça-feira, 22 de março de 2011

Anistia em cena

Carol e Alexandre encenam Filha da Anistia
Eu tinha uns 10 anos quando soube que um sobrinho da Tia Thermutes, irmã da minha mãe, tinha sido preso pelo governo, encapuçado e levado para Recife. Lembro bem que as pessoas falavam de marcas no corpo dele, nos olhos, especialemente. Acho que na época não eu sabia sabia o que era tortura, em que pese já ter levado uma palmadas maternas e paternas por conta de certas traquinagens, mas nada se compara ao que o sobrinho meio parente havia sofrido. Menos de dez anos depois eu entrei no PCdoB e soube que passei a ser camarada daquele personagem da minha memória. Lembro que fiquei até meio ansioso por conhecê-lo e saber mais sobre o que ele vivera. Hoje nossa camaradagem continua firme e ainda compartilhamos uma hora das manhãs de terça feira o seu programa de rádio Espaço Aberto, na Rádio Cidade AM de Fortaleza.

No programa desta terça feira, o Messias Pontes recebeu o elenco (Carol e Alexandre)  e o diretor (João Otávio) da peça Filha da Anistia, que escacaveia a memória em busca do passado, cutuca a ditadura militar que se instalou no Brasil em 1964, insstiga a juventude de hoje para que ela fique vigilante na defesa da democracia, da liberdade e das ideias. Os envolvidos na peça não se prendem (sem trocadilho, por favor) apenas em revolver o passado, trazer lembranças tristes, mas querem resgatar a história, não toldar a memória dos que não viveram a agonia da noite. Vão aos subterrâneos da liberdade para contar a história, contada através de recortes da vida dos perseguidos da ditadura, mas com o cuidado para não apavorar os que acreditam na luta, que não se dobram diante das injustiças e da tirania, sonham com a vida mais feliz, sempre.

Conversei com a turma da peça. Falei aqui sobre a peça. Mas a peça não verei por conta de uma viagem de trabalho. Se você tá a fim de ver em Fortaleza, vá no Teatro do Dragão do Mar às 17h e às 20h desta quarta feira, e no sábado às 11h e às 20h. Mas não saia depois da peça porque ainda vai ter um papo com uma turma que encarou, e venceu, o dragão da maldade. A peça e a prosa vão ser legais, pode crer.


segunda-feira, 21 de março de 2011

Gilse no Ceará

Conheci a Gilse no comecinho dos anos 80, quando eu ainda nem havia sido recrutado para o PCdoB, mas já conhecia muita gente do partido e por isso, de vez enquanto, encontrava aquela miudinha, sorridente, que falava até pelos cotovelos, com uma convicção impressionante. No dia que entrei no partido, 8 de março de 1982, dei a notícia pra ela na comemoração do Dia Internacional da Mulher e escutei sua fala mineira já misturada com cearês: "Ô baxim, escolheu um dia bom, num foi? Você é bem vindo e muito querido por nós".

Por quase dez anos, aprendi muito com aquela moça de Minas Gerais, sempre disposta a uma conversa mais esclarecedora. Em 1984, pouco antes de encerrar a gestão Viração no DCE/UFC, onde eu era Diretor de Cultura, Gilse me chamou pruma prosa e perguntou o que eu achava de ajudar a criar a União da Juventude Socialista (UJS) no Ceará. Topei na hora e lembro que ela me ajudou a organizar uns roteiros de palestra para jovens. O meu problema era que tava com uma linguagem cheia de chavões do Movimento Estudantil e tinha dificuldades de expor para jovens trabalhadores, inclusive rurais. Mas o sertanejo aqui tratou de relembrar a vida no interior e logo a coisa desenrolou.

No primeiro semestre de 1987, ainda trabalhei com Gilse no escritório de advocacia popular, onde também trabalhava o saudoso Roberto Macambira, antes de receber meu novo desafio: assumir a assessoria do então vereador do Fortaleza, Chico Lopes. Aos vinte e quatro anos, meio assustado, falei pra Gilse que não sabia muito como daria conta da tarefa e ela disse: "Se preocupe não baxim, você vai é aprender muito com o Chico Lopes e o Partido vai tá sempre junto". Dito e feito, mas a tarefa que ia durar só até o fim daquele mandato, em 1988, dura até hoje, depois de bom período com o vereador, depois deputado estadual e depois federal Inácio Arruda, que hoje é senador.

Candidata a deputada federal em 1990, Gilse adotou o slogan "Sem perder a ternura" e ganhou a simpatia e a adesão de muita gente ao longo da campanha que, se não a elegeu, apresentou pra muita gente a bela e destemida história daquela mulher, que também é mãe da Juliana e da Gilda. Pouco tempo depois Gilse assumiu uma tarefa nacional, foi pra São Paulo e depois pra sua Minas Gerais, onde mora até hoje, e por aqui deixou camaradas e amigos que sempre guardam boa lembranças dela.

Gilse chegou à Fortaleza neste domingo e por aqui vai ficar a semana inteira quando o nosso PCdoB comemora 89 anos de história. Ela vai estar em muito eventos de homenagem ao partido, mas também receberá muitas homenagens, ainda por conta do Dia Internacional da Mulher, o "dia bom". Também vai ajudar num trabalho de resgate da memoria do PCdoB no Ceará, que está sendo coordenado pelo Joan Edessom e que eu também faço parte. Vamos relembrar e registrar muitas boas histórias, Gilse terá oportunidade de falar muito, rir de alguns momentos engraçados, como o que ela quebrou o pé dançando frevando comigo, ou de emoções como a festa que fizemos, junto com o povo, no dia da derrota do regime militar no Colégio Eleitoral.

Seja bem vinda, camarada Gilse!

Auto retrato


SELF PORTBAIT from singsfish on Vimeo.

Fonte: Coisas de Ada

sábado, 19 de março de 2011

Hoje é dia de luar


Pra Fernanda, com quem ainda quero ver o luar muitas vezes

O luar
Do luar não há mais nada a dizer
A não ser
Que a gente precisa ver o luar
Que a gente precisa ver para crer
Diz o dito popular
Uma vez que existe só para ser visto
Se a gente não vê, não há
Se a noite inventa a escuridão
A luz inventa o luar
O olho da vida inventa a visão
Doce clarão sobre o mar
Já que existe lua
Vai-se para rua ver
Crer e testemunhar
O luar
Do luar só interessa saber
Onde está
Que a gente precisa ver o luar
Luar, de Gilberto Gil
Essa aí foi a lua que, junto com a Sonynha, quase peguei com a mão no comecinho da noite, da janela do meu apartamento em Fortaleza. Esperei por ela, assim como o céu de Fortaleza, que não deixou uma só nuvem atrapalhar a beleza do luar.
Meio dia em Fortaleza


Finalzinho da tarde em Fortaleza



Essa beleza toda do dia de luar, ficou meio triste por conta dos bombardeios que o Estados Unidos, a França e outros, que se acham "donos do mundo", estão fazendo contra a Líbia. E lembrar que o quarto-crescente é o símbolo dos muçulmanos, religião predominante entre o povo que é bombardeado hoje. Antes que alguém venha com papo de que "alguém deveria intervir para conter o Kadafi", eu digo logo que cada povo deve resolver seus problemas entre si. No passado o atual Presidente da Líbia foi o fator de unidade das diversas tribos do seus país, se houve entendimento antes, por que não agora? Já respondo dizendo que agora tem, gente a fim de vender armas e botar a mão na riqueza petrolífera líbia. Tenho dito! 

sexta-feira, 18 de março de 2011

Eu também assino a carta pro Obama

A paparicação de certos setores, principalmente da chamada grande mídia, ao Obama tá uma coisa nojenta mesmo. Agora, se tem uma coisa positiva nessa vinda do gringo aqui ao Brasil é exatamente o fato dele vir antes da Dilma ir por lá, como acontecia até pouco tempo, inclusive com o Lula. Todo presidente que assumia ia se largava pra lá pra se abençoar com o plantonista da Casa Branca. Acho que teve gente que não chegou nem a tomar posse e já ia logo saber como deveria se comportar, como se fosse uma espécie de síndico do Condomínio Brasil, onde quem mandava de fato era o Tio Sam e seus sobrinhos servis daqui. Agora a coisa se inverteu e isso é um bom sinal.

Seu Barak (lembrei agora Borat lá do filme) vem por aí querendo agradar o Brasil, limpar um pouco a barra dele por conta da fiasco que vai tomando conta de seu governo, que agora demonstrou que não pode nada contra as grandes corporações, especialmente as empresas petrolíferas e a indústria bélica, que dão as cartas por lá. Prometeu mudança, mas o mudou foi só a aparência, mas o jeitão imperialista, belicoso, é o mesmo. Mudança a gente vê é fora dos Estados Unidos, onde os povos vão tentando tomar conta do seu próprio destino. Aqui na América do Sul a orquestra já não toca lá muito afinada com o hino da bandeira listrada com estrelas. Por aqui o som é outro e quem dá o tom é o desejo de mudança do povo e daqueles que governam olhando pra cá e não pra lá.
Seu Barak queria fazer cena lá no Rio de Janeiro, no meio duma praça do povo, mais usada pra reclamar do que pra paparicar. Com medo duma vaia grande, ou até mesmo duma criminosa bolinha de papel, que carioca num rejeita uma gaiatice boa, o homem mudou de planos e foi se enfurnar no palco do Teatro Municipal, lugar muito distinto e bonito, mas também menos arriscado pro sujeito lá. De tudo que é segmento apareceu manifesto contra o gringo. As centrais sindicais fizeram uma carta pro Obama, a Coordenação dos Movimentos Sociais convocou uma manifestação contra a política belicista dos Estados Unidos, o PCdoB divulgou uma nota dizendo que Obama representa o velho estilo americano, inimigo dos povos e muitas outras iniciativas marcam a passagem do Obama por aqui. Uma delas é um abaixo assinado, encabeçado pelo Oscar Niemeyer passando um recado e fazendo uma cobranças ao incômodo viajante. Reproduzo abaixo o texto e lhe convido a assiná-lo, talqualmente eu fiz.


Abaixo-assinado do povo brasileiro à Barak Obama

Para: Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama


O presidente Lula foi definitivo: quando nos dirigimos a V. Exa. não parece que falamos com o representante de um poder imperial e sim com um brasileiro como qualquer um de nós. Sua eleição trouxe muita admiração e muita esperança para o povo brasileiro e para toda a América Latina. Contudo, devemos confessar-lhe que nos encontramos profundamente decepcionados.


Acreditamos nas promessas de campanha. Entre elas esperávamos que seu governo trouxesse a paz e a justiça para nossa querida Ilha Cubana, que, como é sabido, apesar do embargo de mais de 50 anos, conseguiu ocupar um lugar de destaque no mundo com avanços significativos na área da biotecnológica, educacional e na área de saúde pública. Apesar da campanha difamatória e da propaganda violenta, Cuba resiste a todas as agressões e intempéries com dignidade. Desnecessário citar a V. Exa. todos os desmandos contra Cuba, sob as mais mentirosas alegações. Assim foi a Baia de Porcos; assim foi a promessa de desativar Guantánamo; assim é a prisão dos Cinco Cubanos em prisões estadunidenses, com julgamentos sem nenhum critério ético e justiça; assim foi assinado, há mais de 50 anos, um embargo econômico, cruel e desumano.


Assim tem sido contra Honduras, Venezuela, Bolívia, África, sem citar o apoio e o trabalho das agências de inteligência contra os países sul-americanos nas décadas de 60 e 70 do século passado.


São incontáveis essas agressões. O senhor chegou como esperança de crescimento do homem em todas as esferas. Veio de uma classe média diferenciada; traz nas veias a herança de seus antepassados, os mesmos que construíram a economia de seu País.


Sabemos de seus interesses na grandiosidade do Brasil, que transcende o imaginável: Pré-sal, riquezas inesgotáveis de energia, biodiversidade, mão de obra barata, são apenas alguns exemplos.


Senhor Presidente Barack Obama, nosso contencioso é grande; mas, nosso carinho pelo povo norte-americano transcende as desavenças.


Queremos aproveitar esta ocasião para uma reflexão necessária: a generosidade, a solidariedade, o respeito à soberania de cada país e, principalmente, centrar nossas potencialidades para transformar o caos em que vivemos num mundo melhor.


Acabe com o embargo a Cuba e liberte os Cinco Herois Cubanos, em nome da real integração entre os povos.


Rede das Redes em Defesa da Humanidade – Capítulo Brasileiro
Oscar Niemeyer – Presidente de Honra
Marília Guimarães – Presidente do Capitulo Brasil


Pra assinar, dê um clique bem aqui