Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Macaco Simon

A Dumaducarmo, minha mãe, sempre gosta de contar a história do macaco e a cotia quando alguém reclama muito dos outros, sem se dar conta de seu defeitos. Lembrei dessa "fábulo" ao ver o comportamento do senador Pedro Simon aconselhando Sarney a renunciar à Presidência do Senado. Sobre o assunto vale a pena ler o editorial do Portal Vermelho.

"O senador Pedro Simon (PMDB-RS) costuma ser apontado por comentaristas políticos da grande imprensa como uma ''reserva moral'' da política brasileira. O próprio senador gaúcho alimenta a alcunha proferindo, dia sim, dia não, discursos emocionados na tribuna do Senado, de onde cobra comportamento ético de seus colegas, como fez na última terça-feira (14) ao pedir a renúncia do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
(...)
Reunido nesta semana com deputados estaduais da base de apoio da governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB), Pedro Simon, que é presidente do PMDB gaúcho, defendeu que seu partido continue, por enquanto, dando sustentação ao governo Yeda, afundado em denúncias de tráfico de influência, desvio de dinheiro público, má gestão, formação de quadrilha e outros crimes."

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Fã por rádio

Começou ontem em Icapuí o 8º Acampamento Latino Americano da Juventude, evento que reúne centenas de jovens relebrando os "velhos tempos", juntando a galera pra discutir um monte de coisa e curtir uns shows. Só tive oportunidade de ir uma vez nesse evento, o suficiente pra ter uma bela história pra contar.

Partimos de Fortaleza pra abertura da primeira edição do festival, o então deputado estadual Chico Lopes, o Francinet Cunha, que trabalhava na assessoria do Inácio Arruda e eu. A viagem num foi das melhores e depois de chegarmos à Praia de Tremenbé tivemos que esperar muito a solenidade. Três tomadores de cachaça, arrumamos logo um cantinho pra esquentar a goela. Mal tomamos a primeira chegou um velhinho pra prosear. Pediu pra acender o cigarro dele e puxou conversa.

Quando me dei conta Chico Lopes tava solta na prosa com o velhinho, que a esta altura já bicava da nossa cachacinha também. Os dois falaram de animais de estimação, dos tempos antigos e por esse caminho chegaram no rádio. Cada um mais chegado ao dial.

A certa altura o velhinho falou que gostava muito dum cabra que participava dos programas de rádio que ele ouvia. Chico Lopes perguntopu quem era, citou vários radialistas e nada. O velhinho falou que era um político bom de briga, que defendia o povo e num tinha medo de nada. Eu, que tava animado noutra prosa com o Francinet, me liguei naquele papo que tava ficando muito interesante e já percebi o Lopes agoniado. Foi quando vi que o velhinho lembrou o nome do tal político: era o vereador Chico Lopes. "O senhor conhece ele, seu menino?".

Preto que é, Chico Lopes embraqueceu. Falante que tava, mudou ficou. Desenibido, encabulou-se. O Francinet e eu ficamos espeiando a cena pra ver no que ia dar. O velhinho insistiu na pergunta até que o Chico Lopes, todo sem jeito dissesse quase sem ser ouvido: "Conheço sim. Sou eu". O pobre do velho quase caiu do tamburete. Num acreditava que tinha na sua frente um ídolo e ainda tava proseando e molhando a palavra, como dizia finado Augusto Pontes. "É o senhor mesmo? Num acredito! Vou contar pro povo de casa, pros meus amigos. Nunca mais vou esquecer disso". Mais umas duas bicadas e o velhinho saiu no meio do povo distribuindo a novidade e emoção.

Essa história tem prosa, cachaça, emoção, gaiatice, mas tem muito também a força do rádio que sai por aí espalhando notícias, música, ideias e o jeito do povo se comunicar com uma força que a gente nem imagina o tamanho. Hoje tem rádio pra tudo que é gosto mostrando que esse veículo nunca vai deixar de ter uma enorme capacidade de juntar gente, mobilizar gente, esparramar opiniões, fazer e desfazer a imagem de gente que fica em evidência. É um instrumento poderoso que ainda vai ter sua utilidade por muito tempo.

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Padrinho vaidoso

Na hora de batizar seu filhos e filhas o nosso povo leva muito em consideração a escolha dos padrinhos e madrinhas. Quando a Hildinha nasceu e o Veveu me convidou pra ser padrinho dela eu fiquei muito satisfeito. Feliz demais. Gosto demais do Veveu, gosto demais da Izolda e gostei demais deles me escolherem pra ser compadre deles logo na primera filha.

Agora, o que eu num imaginava era que a minha felicidade ia crescer tanto a medida em que o tempo passava. Num sou um padrinho daquele jeito que todo muito imagina. Sou danado pra esquecer de dar um presente pra minha afilhada no aniversário dela, no natal, no dia das crianças e até no dia quando ela se formou eu fiz o favor de num tá presente. Num sei o que houve, mas faltei. Esse negócio de abençoar a afilhada, nem tenho jeito. Mas sou padrinho dela e pronto.

E sou um padrinho cheio de vaidade pela afilhada. A Hildinha, ou Hudinha, como ela se chamava no tempo dessa foto aí, é uma criatura bonita. Bonita mesmo, como se pode ver ao vê-la, e mais bonita ainda, como se pode perceber ao conhecê-la. A Hildinha é culta. A Hildinha é bem humorada, irônica até. A Hildinha é firme com suas opiniões na hora de construí-las e defendê-las. A Hildinha é amável mas também sabe fazer cara feia quando algo não lhe agrada.

Há muitas razões pra gente dar os parabéns pra Hildinha nesta data querida e eu também não vou ficar aqui revelando todas os motivos do meu bem querer por ela. Quero mesmo é revelar a minha imensa alegria de ser tio, padrinho e amigo dessa menina incrível que é a Hildinha.


Pra aumentar minha alegria, quis a vida que essa fosse a 500ª postagem desse blog. Essa marca eu dedico a você Hildinha.

Foto que fala

Ontem a tarde, e não terça, como eu havia dito semana passada, a Carol Campos e eu fomos ao encontro da família de Bergson Gurjão. O resultado foi uma matéria maravilhosa que está publicada no Portal Vermelho e eu lhe peço que não deixe de ler. Leia mesmo, por favor. Findado encontro, eu já estava de pé quando vi essa imagem sobre a mesinha do centro da sala. Uma síntese de tudo que foi conversado durante mais de três horas. Sonynha e eu jamais esqueceremos essa imagem.

Agora leia a matéria: "Bergson era um diamante lapidado"

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

tá dito e eu concordo

“A base governista tem maioria e fez valer sua maioria. Se tem maioria e não faz valer, não merece ser governo.” Foi o que disse o Inácio Arruda sobre a formação da direção da CPI da Petrobras e eu concordo com ele. E se algum tucano vier reclamar concordo de novo com o xará ao falar do perído FHC: “Nem tinha CPI, o que tinha era um Procurador da República que ficou com a alcunha de engavetador de República, que arquivava todas as denúncias contra o governo neoliberal de FHC".

Fumaça n'água

Um das introduções mais conhecidas do rock é a de Smoke on the Water, do Deep Purple. Junto com Satisfation, do Roling Stones e Whole Lotta Love, do Led Zeppelin, a música forma um trio pancada, que começa logo marcando sacudindo a alma do cristão que tá escutando. Mas o bom também de "Smoke" é a história dela. A fumaça existiu de fato e água é o lago de Genebra na Suiça. O caso é que o Frank Zappa fazia um show e o local pegou fogo literalmente. Do hotel onde estavam hospedados os "purples" viram a fumaça sobre o lago e daí veio a inspiração - se é que não havia mais fumaça inspiradora. Aí já se viu, Frank Zappa, Deep Purple e fumaça, deu no que você pode conferir no vídeo com a primeira formação da banda (Blackmore, Paice. Lord, Gillan e Glover).

Seu Zé

No começo do ano eu bloguei por aqui falando da minha admiração pelo vice presidente José Alencar. Semana passada eu me assutei muito com a urgente internação dele e a cirurgia pra cuidar mais uam vez do câncer que o persegue há 15 anos. Gente feito o vice - um Zé, tinha de ser, que num tem nada de zé ninguém e que tem um enorme respeitos por tudo que é xará dele - a gente acaba tendo um apreço maior do que imagina.

Pois bem, hoje eu li no Balaio do Kostcho o relato duam prosa do Ricardo com o Seu Zé, em pleno hospital. Muito legal ver a recuperação do vice e bem divertido saber das histórias, que nas Minas Gerais chama causos. Bem legal também ler a carta dum leitar, cuja nome, ao contrário do meu, termina com Inácio, falando da admiração dele pelo Seu Zé. Juntei então a vontade de blogar, com a de compartilhar esse texto com mais alguém e a minha canseira pra escrever muita coisa pra deixar aqui uam sugestão pra que você dê uam chegada no balaio e veja o que tem dentro.

"É impressionante a memória deste homem simples que não virou doutor, capaz de lembrar de nomes, lugares e datas de quase sete décadas atrás, com detalhes de passagens daquela época como se tivessem acontecido ontem."




Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Dia pra nunca esquecer

Gosto sempre de ilustrar com fotos, vídeos, desenhos ou algo do gênero as postagens que faço aqui, mas nada ilustra os cinquenta e poucos minutos que passei hoje, junto com o deputado Chico Lopes (PCdoB), no apartamento de Dona Luiza Gurjão Farias, mãe do Bergson. O que era apenas uma visita de cortesia do deputado comunista, como Bergson, acompanhado de seu assessor e dirigente do partido, virou um encontro cheio de emoções e surpresas.

Minha primeira surpresa foi ao ver que aquela senhora de 94 anos, lúcida e cheia de doçura, foi quem abriu a porta e foi logo dando um carão carinhoso na gente. "A Tânia (sua filha) esperou vocês até agora". Pronto, minha conclusão apressada gerou um curta frustração. Mas a fala pausada de Dona Luiza me tranquilizou: "Ela foi tomar um banho porque o calor tá demais". Alívio total. Eu, que pretendia combinar uma entrevista pro Portal Vermelho com a irmã do Bergson, temi que não conseguisse marcar o papo, saí de lá com muito mais do que desejei.

Dona Luiza, que sabia demais que o motivo da visita era a identificação de seu filho 37 anos depois de sua morte lutando na Guerrilha do Araguaia, nem esperou a filha chegar na sala e soltou uma afirmação que me comoveu logo. "O que me surpreendeu é que eu nunca desconfiei que o Bergson fosse do PCdoB. Eu dizia pra ele ter cuidado nas manifestações, que não fosse na frente porque podia aparecer um doido e agredir ele. Eu até gostava de ir naquelas passeatas e quando tinha confusão eu me escondia na Igreja do Patrocínio, ali na Praça José de Alencar. Mas o Bergson me enganou". Foi difícil, muito mais do que agora enquanto narro, segurar minha emoção. "Dona Luiza, o Bergson tava protegendo a família dele". Foi só o que consegui dizer.

A Tânia, num jeitão despachado que todo cearense autêntico tem, já veio falando antes de aparecer na sala. "Me disseram que vocês vinham a uma e meia e só agora (duas e meia da tarde) vocês chegam. Fui passar o calor". Eu já a tinha visto em várias ocasiões, mas nunca conversamos, nem sequer tínhamos sido apresentados. Mas Tânia lembrou que eu tinha feito uma foto dela entre várias pessoas que a cumprimentavam no dia em que a Comissão de Anistia Wanda Sidou fez a reparação a Bergson em nome do Estado do Ceará. "Eu sabia que já tinha lhe visto em algum lugar", falou com jeito absolutamente natural, como se me conhecesse a muito tempo.

Formalidades. Chico Lopes falou do trabalho que o PCdoB e sua bancada federal está fazendo junto ao governo pra localizar, esclarecer o paradeiro e identificar os que lutaram no Araguaia. Fala das dificuldades, desafinações em setores do governo e da necessidade de ser feita uma bela homenagem ao camarada. Enquanto isso a Dona Luiza vai na cozinha servir algo pra beber e traz também um bolinhos caseiros feitos por ela mesma. Fico ali encantado, vendo tanta doçura e firmeza.

Resolvi entrar na prosa e dizer que pretendo fazer uma entrevista sobre o Bergson, mas que fosse além do militante. A Tânia corre no computador e chama pelo skype a irmã Ielnia, que mora nos Estados Unidos, e logo abre um sorriso ao ver seu velho amigo Lopes ali na sala. Pra ser melhor ouvido e visto pela webcam sento ao lado de Dona Luiza, que vez por outra contava ali só pra mim uma historinha do Bergson. "Uma vez chegou lá em casa uma pessoa muito pobre que ao invés de pedir esmola pediu uma ajuda. O Bergson perguntou o que ela queria e ela disse que queria sangue pruma pessoa da família que tava hospitalizada. Aí ele, que nunca tinha visto aquela pessoa, saiu com ela dizendo:"Pois vamos, eu vou doar o sangue".

A Ielnia é outra criatura incrível. Simpática, doce, mas muito sincera, diz o que pensa. Do jeito que eu gosto e como eu sei ser. Cheia de idéias, trocamos várias. Há muita coisa a ser feita. Deixou claro que não quer que ninguém se apropie do seu irmão. No que eu concordo. Nessa hora assumi a posição de dirigente do PCdoB e disse que respeitaremos tudo que a família decidir - o que é óbvio - e daremos todo apoio que pudermos. Falei de algumas iniciativas e opinei sobre sobre outras.

Resultado: estou integrado, pela família, nas muitas ações que serão feitas para homenagear o Bergson daqui por diante. Tempo? Eu arrumo. Um amigo me disse certa vez, quando eu estudava pro vestibular e não saia de casa alegando falta de tempo, que não tem tempo quem não faz nada. Tava certo ele. Falei pra Ielnia num email que enviei já no final da tarde: "dedicarei ainda mais da minha energia, do meu tempo, da minha emoção, do meu amor ao povo e sua libertação, para esse projeto que você e a Tânia estão empenhadas no sentido de reconstituir a memória desse irmão que tanto amam e que merece ser muito mais conhecido por nosso povo, em especial pela juventude". Ela havia me pedido que eu mandasse um material sobre as opiniões atuais do PCdoB e eu aproveitei pra agradecer aquele momento com a família dela.

Haverão outros encontros. Segunda feira Tânia, Chico Lopes e eu teremos uma audiência com o Reitor da UFC e na terça teremos um novo momento como o de hoje, mas sem o Lopes e com a jornalista Carolina Campos e a Sonynha, é claro. Tudo vai virar uma matéria pro Portal Vermelho e é parte de dois projetos que se completam, o das irmãs e um outro do portal, de resgate da história de Bergson Gurjão Farias, herói cearense do povo brasileiro, que como sempre, está entre nós.

O que houve na China esta semana?

Nesta semana ouve uma grande confusão na região chinesa de Urumqi, a noroeste de Pequim. Mais de 150 pessoas morreram e claro o governo chinês foi logo culpado de massacrar a população indefesa. Fiquei cabreiro e hoje minha inquietação foi contida por um artigo da estudante da Stanford University, nos Estados Unidos, Karmia Chan Cao, publicado pelo Portal Vermelho. Baixo tem um trecho do artigo e se você quiser saber mais clique aqui e veja como é muito complicado conduzir um país em que convivem 56 nacionalidades diferentes.


"A situação envolveu quatro grupos distintos e independentes: os extremistas uigures; a vasta maioria de uigures simples que não tomaram parte na baderna; os Han e o governo. O governo agiu e cercou a cidade na manhã de segunda-feira, para evitar que uigures ou hans viessem até Urumqi e aumentassem ainda mais a violência entre os dois grupos. O sistema de comunicações foi desligado por razões de segurança nacional e regional, não por uma demonstração vergonhosa de poder".
(...)
"Poucos dos jornalistas que escreveram artigos para a mídia ocidental estão informados sobre o que aconteceu de fato nesta violência toda. A mídia ocidental geralmente só se preocupa em fazer artigos sobre a opressão do governo contra as minorias na China".

Olha o olho

O Abel Rodrigues, quando atuou na clandestinidade, foi fotógrafo e esses cabra são danados de observadores, detalhistas. Pois foi ele quem sacou essa foto aí ontem e que hoje tá em quase tudo que é jornal. O Obama e o Sarkozy grudaram o olho na jovem brasileira que ia passando. Dona Michelle e Dona Carla devem ter feito uma baita confusão.