Do Carvalho
Sobral,1919
sábado, 24 de dezembro de 2011
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Pra ser feliz...
A arte de ser feliz
Cecília Meireles
Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão
umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água
que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes um galo canta. Às vezes um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela,
uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Fonte: Presentinho de Domingo, da Moema Cavalcanti, que todo domingo presenteia amigos com sua criatividade e fotografou a janela do escritório de seu pai, Paulo Cavalcanti, em Recife.
Cecília Meireles
Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão
umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água
que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes um galo canta. Às vezes um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela,
uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Fonte: Presentinho de Domingo, da Moema Cavalcanti, que todo domingo presenteia amigos com sua criatividade e fotografou a janela do escritório de seu pai, Paulo Cavalcanti, em Recife.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Orlando, mais do que inocente é vítima
No Dia do Saci quem brilhou foi Orlando Silva , um garoto negro que vendia doces nas ruas de Salvador pra ajudar no sustento da família, que sobreviveu à inúmeras dificuldades - certa vez,quando era presidente da UNE ele me disse que metade dos seus amigos de infãncia estavam presos ou mortos, por envolvimento com o crime - até ingressar no curso de Direito da Univesidade Católica de Salvador, tornar-se o líder maior da juventude universitária, presidir a União da Juventude Socialista, tornar-se uma expressão nacional do PCdoB e assumir o Ministério dos Esportes do primeiro governo verdadeiramente democrático do Brasil, presidido por Lula, e continuar com a mesma tarefa no segundo governo com as mesmas caracteristicas. Mas a podridão que ainda infecta o submundo da luta política no Brasil, que toma forma pública através de uma mídia cretina, servil e venal, não aceita tanto. Conseguiu retirar Orlando Silva do Ministério e a resposta já veio imediata como você pode ver na ovação que o menino baiano recebeu em sua despedida.
PiG no século 19?
"Começa a ocorrer uma opinião que, considerada a imprensa como um instrumento de delito semelhante a qualquer outro, entende que não tem direito a leis e fórmulas especiais".
Assim o então jovem jornalista cearense e futuro escritor José de Alencar fez suas primeiras críticas no Diário do Rio de Janeiro, em julho de 1854, a um certo tipo de imprensa que ainda hoje fuça na lama da calúnia e da difamação, numa atitude cretina para impedir que o Brasil continue avançando nas conquistas.
Fonte: "O Inimigo do Rei", de Lira Neto
Assim o então jovem jornalista cearense e futuro escritor José de Alencar fez suas primeiras críticas no Diário do Rio de Janeiro, em julho de 1854, a um certo tipo de imprensa que ainda hoje fuça na lama da calúnia e da difamação, numa atitude cretina para impedir que o Brasil continue avançando nas conquistas.
Fonte: "O Inimigo do Rei", de Lira Neto
domingo, 30 de outubro de 2011
Onde andará Alceu Valença?
Na passagem do ano de 1986 pra 1987 passei férias em Santa Catarina e numa noite fui assistir o Alceu Valença cantar num palco montado debaixo duma lona de circo, em Balneário Camboriú. O lugar num era muito grande e também num precisava porque a maioria dos veranistas nem conhecia o primo do meu cunhado Pedro Igor, lá de São Bento do Una. Valença largou o verbo no mundo, enquanto eu cantava e dançava tudo que ele tocava e cantava em cima do praticado. No intervalo da segunda pra terceira música ele gritou lá de cima: "Eita que tem um nordestino ali que parece que tá com saudade dum forró". Era eu que, mais uma vez, encontrava Alceu numas férias fora de casa. A primeira tinha sido em Olinda, três anos antes, onde fui apresentado a ele por uma prima minha que mora no Recife, a Teresa Coêlho. O cabra era duma simpatia só e ainda arrumou uma casa perto da dele, no Largo do Amparo, pra eu alugar e passar o carnaval com mais de duas dezenas de cearenses. Nossa morada momina ganhou o nome de "Casa da Boca Roxa" - um dia eu conto o porque - e era frequentada pelo dobro de inquilinos. Foram dez dias de folia, onde guardei saudade dum amor que partiu.
Mas continuando a prosa do começo, depois de flagrado eu respondi: "Nordestino, cearense, nascido em Sobral!", e lá do palco veio o complemento: "Conterrâneo dum rapaz latino americano". Pronto, foi prosa durante quase todo o show e no final um abraço pra cá, outro prá lá. Nunca mais nos cruzamos na estrada, mas sempre que posso acompanho as coisas do Valença. Agora a noite descobri que ele virou cineasta e tá dirigindo um filme chamado "A Luneta do Tempo", que como ele diz, vai e volta, acompanhando a formação da identidade nordestina com seus personagens, sua artes e seu força cultural. O filme fica pronto lá pro meio do ano que vem e haverá de ser uma coisa muito bonita, a tirar pelo conjunto da obra do diretor em outros ramos artísticos. No vídeo abaixo tem um momento de descontração, dos muitos que devem existir, nas filmagens filmagens. Curta a gaiatice do cabra, todo de cara nova.
Fonte: Canalvalença
Mas continuando a prosa do começo, depois de flagrado eu respondi: "Nordestino, cearense, nascido em Sobral!", e lá do palco veio o complemento: "Conterrâneo dum rapaz latino americano". Pronto, foi prosa durante quase todo o show e no final um abraço pra cá, outro prá lá. Nunca mais nos cruzamos na estrada, mas sempre que posso acompanho as coisas do Valença. Agora a noite descobri que ele virou cineasta e tá dirigindo um filme chamado "A Luneta do Tempo", que como ele diz, vai e volta, acompanhando a formação da identidade nordestina com seus personagens, sua artes e seu força cultural. O filme fica pronto lá pro meio do ano que vem e haverá de ser uma coisa muito bonita, a tirar pelo conjunto da obra do diretor em outros ramos artísticos. No vídeo abaixo tem um momento de descontração, dos muitos que devem existir, nas filmagens filmagens. Curta a gaiatice do cabra, todo de cara nova.
Fonte: Canalvalença
Mia Couto e o medo
Fui apresentado ao escritor moçambicano Mia Couto pelo poeta Joan Edessom. Li boa parte da obra dos dois, mais deste que daquele, compartilho da maioria das ideias de ambos e por isso quero lhe oferecer a oportunidade de conhecer algumas ideias que nós três comungamos, através de um texto do mais conhecido entre nós, lido pelo próprio autor. Mia Couto pegou o mote do medo, mas foi muito além desse sentimento e cutucou forte as agressões que vitimam os povos no mundo, particularmente na sua África nativa. São menos de oito minutos de vídeo e você, ao final, não terá medo de indignar e enfrentar os que fazem do medo sua arma.
Fonte: Marcio Acselrad
Fonte: Marcio Acselrad
Sal e poesia
O domingo já ia pela metade quando li esses versos aí embaixo. São do Ronaldinho Salgado, jornalista e professor universitário, a quem não faltam ideias agudas e palavras afiadas na lida e na vida do povo que ele soube e sabe como o jornalismo deve retratar da forma mais verdadeira. Seus versos valem como inspiração e também devem nos instigar a termos uma existência digna dos seres que somos, ou que devemos ser. Salve, Ronaldim!
Não brigo
Com as lembranças.
Sequer com as palavras.
Ao contrário.
Em palavras e lembranças
Enfronho-me.
Abrigo-me.
Faço-me existir
Ao nascer dos dias.
Ao debulhar das horas.
À cumplicidade dos gritos.
À existência do outro.
Minha existência é ponta de faca.
Ou ponta de lápis.
Deixo-me existir na insistência.
Deixo-me insistir na resistência.
Ao abrir o olho
Escancaro-me tal qual girassol.
Ao fechá-lo,
Entrego-me à luz
Dos sonhos e dos desejos.
Confesso-me em meu próprio silêncio.
Desabafo em meu próprio sorriso.
Existo em minha própria lágrima.
O mundo vira vida.
A vida vira mundo.
Sou apenas mais um
A mundoexistir!
Com as lembranças.
Sequer com as palavras.
Ao contrário.
Em palavras e lembranças
Enfronho-me.
Abrigo-me.
Faço-me existir
Ao nascer dos dias.
Ao debulhar das horas.
À cumplicidade dos gritos.
À existência do outro.
Minha existência é ponta de faca.
Ou ponta de lápis.
Deixo-me existir na insistência.
Deixo-me insistir na resistência.
Ao abrir o olho
Escancaro-me tal qual girassol.
Ao fechá-lo,
Entrego-me à luz
Dos sonhos e dos desejos.
Confesso-me em meu próprio silêncio.
Desabafo em meu próprio sorriso.
Existo em minha própria lágrima.
O mundo vira vida.
A vida vira mundo.
Sou apenas mais um
A mundoexistir!
Existe
Ronaldo Salgado
Ronaldo Salgado
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Falar em versos
Falar, falar
Se conviver é conversar,
esse falatório sem pausa,
onde o silêncio é mais temido
que palavrão dentro de casa,
faz da vida inteira um entulho
de vozes de bar, de barulho;
neste metralhado lugar
tão atulhado de palavras
que não se pode caminhar,
onde do corpo só a paz
do amor calado satisfaz
Poema de
Alberto da Cunha Melo
Fonte:
Como se faz o PCdoB na TV
Há mais de vinte anos eu participo do trabalho de comunicação dos comunistas. O produto final sempre é muito gostoso de se ver, mais ainda quando ele agrada ao público. Nesse tempo todo evoluímos bastante em termos de linguagem, estética, técnica (lembro de cada improviso feito pela falta de mais e melhores recursos...) e mesmo nas ideias que veiculamos, na medida em que analisamos e compreendemos com mais apuro a realidade e a evolução da sociedade. Sou fascinado pelo processo de produção. Gosto de discutir o tema, construir o briefing, debater o roteiro, acompanhar as gravações e a edição, além de ver e rever a peça final até cansar. Fiz, e continuo fazendo, excelentes amizades, que já foram além do ambiente de trabalho. Já vive tensões e alegrias inacreditáveis. Passei por situações que nunca imaginei passar e espero ainda passar por muitas, preferencialmente mais tranquilas. A vida segue, na rua e na telinha.
Todo esse leriado aí, foi pra dizer que o PCdoB vai ao ar hoje, às 20h30m, em rede nacional, pra falar sobre nossas ideias e experiências para as cidades, mas também pra dizer algo que o povo precisa saber a respeito das sacanagens que estão fazendo com o Orlando Silva, Ministro dos Esportes e com o próprio partido. Nesse vídeo abaixo você curte um pouco de como foi feito o programa de hoje. Curta agora e mais tarde.
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