quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Férias, saudade e corujice

Eu até tinha pensado em não blogar mais este ano e deixar esse cartão de avô/pai/filho-neto ali debaixo até o início do ano que vem, mas enquanto circulava com minha querida Fernanda pela Vila Madalena, em São Paulo, a caminho da Livraria da Vila, recebi por celular essa foto do Guilherme, junto com Joãozinho, seu primo mais jovem. Eles estavam na praia, em companhia do Luciano Filho, meu irmão, e da Claudine, minha cunhada, de onde o Gui havia me ligado pra matar saudades e perguntar se eu já havia achado as revistas do Asterix pra completar a coleção que ele descobriu lá em casa e já releu umas cinco vezes. Minha felicidade em "revê-lo" foi tanta que resolvi quebrar minha jura e expressá-la, compartilhando-a com você, se não achar ruim. Aqui todo mundo sabe desse meu corujismo que só aumenta com a tanta quilometrância do meu filho. Tô cuidando de aproveitar da melhor forma esses dias de folga, mas ô saudade danada! Por isso já cuidei de comprar os livros paradidáticos do Guilherme, completei quase toda a coleção do Asterix e ainda vou procurar as outras revistas na semana que vem. E isso a menos de dois dias sem ver o meu filhote.

Bom, jura quebrada, faço outra de só pintar por aqui no ano que vem. Amanhã vou prum sítio no Vale Verde, em Valinhos, por onde chegarei a doismilidez. Até mais ...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Saber o que diz

"É o testemunho da coragem, da generosidade e dignidade de uma geração. Quem viveu aquele tempo é capaz de compreender com razão, memória e coração. É sempre doloroso lembrar de todos que foram para a cadeia e de todos que foram de uma forma ou de outra barbaramente torturados. Muitas vezes tiraram dessas pessoas a dignidade e muitas vezes a vida" Dilma Roussef sobre os que enfrentaram a ditadura militar.

Cada amigo...

O jornalista Rogaciano Leite Filho era um desses caras que passaram pela vida com muita pressa e com uma intensidade muito maior. Escreveu muito e também deixou muitas histórias nessa vida. A coluna Em Off, do jornal O POVO, marcou época na cidade e quando num era ele que aperreava o juízo de muita gente, arrumava um pra substituí-lo à altura.

No começo de 1992 dois amigos meus resolveram usar a Em Off pra tirar um sarro. O João Carlos Moura flagrou minha concentração numa reunião preparatória da ECO-92 lá no anfiteatro da Faculdade de Direito e o Tarcísio Matos, substituindo o "Roga", ilustrou a coluna com a foto devidamente titulada e legendada. E esses são os meu amigos....

sábado, 19 de dezembro de 2009

Caldera, pra lembrar e nunca esquecer



O disco Geraes, do Milton Nascimento, é das melhores coisas que existem na música brasileira. Só tem gente boa acompanhando o Bituca e num tem uma música ruim. Entre as músicas incríveis tá Caldera, do chileno Nelson Araya, que acabei conhecendo quando ele morou em Fortaleza no início dos anos 80. Araya integrou o grupo Agua , que gravou com muita gente boa aqui no Brasil. A música homenageia os trabalhadores do porto da cidade chilena de Caldera, que ousaram enfrentar a ditadura do Pinochet. Além desta, o Agua tem muitas outras belas canções como El Colibri e La Luna Llena, com as quais embalei minha juventude de luta e amor.

Julieta fala por si



Julieta Palmeira é uma baiana muito distinta, médica, mulher de luta e há muito tempo conduz o trabalho de comunicação do PCdoB na Bahia. Julieta, além de muito segura de sua convicação transformadora, é também uma pessoa de mente muito aberta, que gosta muito de cinema e música. Ela também não é de levar desaforo pra casa, mas é também uma pessoa muito carinhosa, uma amiga fiel e muito bem humorada. Por essas e outras razões sugeri ao pessoal da TV UMLAW que a entrevistasse. Veja aí essa pessoa do meu bem querer.

Amizade faz bem

Um coisa muito legal da CONFECOM, além das muitas vitórias obtidas, foi a construção de muitas amizades. Ali troquei ideias com muita gente, de todos os segmentos presentes. Nem precisa que concordassem com o que penso, bastava ter abertura pra uma boa conversa e eu já tava proseando. Fosse nos grupos de trabalho, na plenária, nas tantas filas que existiam pra tudo (credenciamento, refeições, entrar ou sair do plenário, pegar uma água no bebedouro, comprar um cafezinho,etc), no ônibus que nos levava pro centro de convenções ou nos tantos espaços que juntavam gente de todo jeito.

Daqui do Ceará foi uma turma muito legal, tanto entre nós da sociedade civil, como também entre os delegados do poder público e mesmo entre os empresários. Neste segmento havia inclusive pessoas que eu já conhecia há muito tempo e que num tem nada de empresário, mas é funcionário e a empresa botou o cara pra ir lá representá-lo e defender os interesses dela. É isso mesmo, a maioria dos delegados do segmento empresarial não era empresário e sim funcionário. Bom, mas vamos em frente que o assunto aqui é amizade, coisa boa demais nessa vida. Pois bem, mas entre os que foram daqui tinha essa turma aí da foto, que guarda entre si além daamizade a sintonia política porque a gente compunha a bancada do Portal Vermelho e somos filiados ao PCdoB. Nilson, Dona Teresa e Ivina, gente querida demais.

Um vitória pra degustar devagar

Dois dias depois de encerrada a 1ª Conferência Nacional de Comunicação parace que ainda "não caiu totalmente a ficha" da grande vitória que foi a sua realização e as conquistas ali obtidas. Ainda bem que o fim de semana pode permitir que a cabeça mais quieta, sem tensão dos quatro dias intensos da conferência, reflita o quanto ainda vamos ter que refletir sobre os resultados de tudo que foi feito ao longo de 2009 para garanti a realização da CONFECOM.

Foi uma daquelas vitórias suadas, que nos consumiu o ano todo de trabalho (sem falar os anos "pratrasmente" pra conseguir a convocação), muito debate, muita negociação, muita dedicação e, como eu sempre fazia questão de dizer, muita habilidade política para chegarmos até o fim. Depois de tudo isso, no dia da abertura, com todo mundo em Brasília, corremos o risco do fiasco por conta da tentativa dos empresários de mudar todas as regras. E o pior é que teve gente que, apesar das boas intensões, não teve tranquilidade suficiente para "segurar as pontas" e quase foi tudo pro beleléu. Uma plenária dos movimentos sociais, na noite de segunda feira, quase rachou tudo e ameaçou a unidade dos que desejam mudanças na comunicação do Brasil. Felizmente o juízo baixou em algumas cabeças e as negociações noite adentro juntaram os cacos espalhados por tudo que é canto, como lembrou o Miro Borges.

Mas isso não foi o suficiente pra reduzir o enorme trabalho que nos esperava pros 3 dias que ainda tínhamos pela frente. Felizmente valeu a pena e o resultado foi bem legal. Nesse vídeo abaixo tem a opinião de gente que há muito tempo tá nessa batalha e saiu da CONFECOM muito feliz. Dê uma espiadinha.




Se você quiser saber quais as principais bandeiras aprovadas na CONFECOM dê uma clicada bem aqui.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Corujismo


Quem anda por aqui sabe que sou pai coruja, mas se me chamarem de filho coruja, irmão coruja, tio coruja e até amigo coruja, num vai se enganar e eu até fico feliz. Gosto mesmo das pessoas chegadas e sempre reafirmo esse bem querer.

Como tio coruja que sou, paparico tudo que é sobrinho e ainda tem o sobrinho neto, o Ernesto, que é um cara danado de simpático. Sendo assim arrumei cinco minutinhos aqui pra atender ao reclamo da Clarinha, minha sobrinha, na postagem anterior e postar esse vídeo feito pela turma do meu sobrinho Gabriel, filho da Nampaula e do Fernando, que por sinal terá em breve um texto dele publicado aqui.

O vídeo é um trabalho escolar muito legal. Curta e comente.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Coisas do Brasil



Hoje se comemora o Dia Nacional do Samba e todo mundo tá lembrando duma música, fazendo sua homenagem e eu também quero me meter nesse pagote também. Só que eu acho que além do samba e outros elementos fundametais da cultura brasileira, devemos presevar também o futebol talentoso, antes que a geração pragmática, que se satisfaz com qualquer um a zero e um jogo sacal e feio, acabe de vez com a alegria do povo. Parabéns ao samba e aos sambistas dos gramados.

Cordel do Arruda

Contra o Arruda, arruda na orelha
Raimundo Nonato Silva

O José Roberto Arruda
Pego com a mão na massa
Seria o vice de Serra,
Que é uma outra desgraça
Se a coisa continuar
Vai faltar DEMO na praça.

Arruda pra quem não lembra
É aquele que foi flagrado
Com o canalha ACM
No episódio lembrado
Por todos como a fraude
Do tal "painel do senado”.

Ele na época era líder
Do governo FHC
Que comprou os deputados
Para se reeleger
Renunciou entre prantos
Pra ninguém o prender.

Era o P S D B
O seu partido de então,
Parceiro de Sérgio Naia
E outros éticos de então
Foi para o P F L
Recebeu uma promoção.

Saiu na revista Veja
Nas tais páginas amarelas
Mas para sair ali
Desembolsa a bagatela
De 400 mil mangos
Pra revista “Zé ruela”.

Explico: ele comprou
Sem qualquer licitação
400 mil da Abril
E daí a rasgação
De seda da tal revista
Para o político ladrão.

Agora o tal Arruda
Esperneia, baba, mija
Só porque foi apanhado
Com a boca na botija
Aponta pra José Serra
Diz: Careca não se aflija.

José Serra que também
Não é flor pra se cheirar
Haja vista o Roubo-Anel,
No povão a desabar
E o buraco do metrô
Sobre o qual não quer falar.

Não esqueça Yeda Crusius,
A raposa lá do sul
Protegida pela mídia
Que enxerga tudo azul
Enquanto o Rio Grande afunda
Num asqueroso Paul.

Arruda já prometeu
Dizer tudo o que ele sabe
Já disse que enviou
Bufunfa para o Kassab
E que o Roberto Freire
Disso também não se gabe.

No Distrito Federal
Diretora de uma empresa
Acusa Augusto Carvalho
De tomar parte em torpeza
Secretário de saúde
Do PPS é certeza.

Segundo essa diretora,
O montante desviado
Em parte a Roberto Freire
Era na hora enviado.
Grana do propinoduto
Por Arruda instalado.

O tal Durval que está
Até o pescoço imerso
Já responde na justiça
A mais de trinta processos
É o grande articulador
De um esquema tão perverso.

Cadê Agripino Maia
Refugo da ditadura?
Cadê Heráclito Fortes
Tão hedionda figura?
É o boca de sovaco
A mais feia criatura.

Esse Heráclito é chegado
Também a fazer trambique
Por funcionária fantasma
No seu gabinete chique
Tinha a filha do déspota
Maior, o Fernando Henrique.

Agora o caldo entornou
Mesmo com a mídia comprada
Arruda será cassado
E com arma disparada
Levará para o abismo
Toda a quadrilha montada.

Roberto Freire, Zé Serra
Heráclito e Agripino
Kassab e outras moléstias
Terão o mesmo destino
E o Brasil ficará livre
Desse grupo tão ferino.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

é o fim?


Ando cheio de assuntos pra tratar aqui, mas sem muito tempo pra escrever. Mas como não quero largar esse blog, arrumo um jeito de postar algo. Hoje revi essa cena incrível de Blade Runner e resolvi compartilhar com você. Nem vou fazer comentário porque o bom é que cada pessoa imagine e sinta o que lhe convier. Curta e diga o que sentiu.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Nastalgia e felicidade

No começo da semana, enquanto ia pro trabalho, escutei Happy Man, do Chicago, no rádio e bateu uma nostalgia danada. O vídeo não é muito bom, mas a música é uma delícia de se ouvir.

Joãozinho existe

Eu nunca postei uma piada aqui, mas essa aqui me fez lembrar um personagem real que é esse moleque aí do lado, o Joãozinho, filho da Claudine e do Luciano Filho, meu irmão. Esse meu sobrinho tem inúmeras histórias engraçadas e essa piada poderia perfeitamente ser uma dele. Aquele Joãozinho pode até existir só em piadas, mas esse aqui existe na real.


Brincando de Papai Mamãe

Joãozinho chega da escola e vai direto à geladeira pegar o sorvete. Sua mãe entra na cozinha e dá aquela bronca:

-Nada disso, Joãozinho. Isso não é hora de tomar sorvete. Está quase na hora do almoço... Vá lá fora brincar!

-Mas, mamãe, não tem ninguém para brincar comigo!

A mãe entra no jogo dele e diz:

-Tá bom, então eu vou brincar com você. Do que é que nós vamos brincar?

-Quero brincar de papai-e-mamãe.

Tentando não mostrar surpresa ela responde:

-Tá certo. O que é que eu devo fazer?

-Vá para seu quarto, vista o baby-doll e deite-se.

Pensando que vai ser bem fácil controlar a situação, a mãe sobe as escadas.

Joãozinho vai até o quartinho e pega um velho chapéu do pai. Ele encontra um toco de cigarro num cinzeiro e o coloca no canto da boca. Sobe as escadas e vai até o quarto da mãe. A mãe levanta a cabeça e pergunta:

-E o que eu faço agora?Com um jeito autoritário, Joãozinho diz:

-Desça logo e dê sorvete ao garoto!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Fui parar na TV UMLAW



Eu ainda tô devendo aqui, e vou tentar pagar, uma postagem sobre a Conferência Estadual de Comunicação, que aconteceu no final de semana passado. Fiquei que nem um cabra apaixonado, mas tô agorinha sem tempo pra dizer o que penso. Mas como o pessoal da TV UMLAW gravou uma entrevista comigo, eu lhe convido a ver e ouvir esse cabra véi aqui.

Se você quiser ver outras entrevistas é só dar uma chegadinha no Portal da UMLAW, cuja tv web transmitiu ao vivo toda a conferência. Vale registrar também o trabalho feito pela ONG Catavento e pela Rádio Universitária FM para furar o cerco da mídia hegemônica que quando não desinforma, nega ou distorce informações sobre esse movimento pela democratização da comunicação que vai ganhando corpo no Brasil inteiro.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Inshalá!!



Quem quiser não gostar do Mahmoud Ahmadinejad, que não goste. Quem não quiser concordar com tudo que ele pensa, que não concorde. Quem quiser concordar com uma coisas que ele pensa, que concorde. Agora, pelo menos escute-o, saiba por ele o que ele pensa.

Eu acho que ele é um cara que vale a pena ser ouvido, levado a sério e respeitado. Quem quiser se pautar pelo que diz a mídia hegemônica, que o transforma num demônio islâmico, poderia pelo menos dar uma olhada nessa entrevista que ele deu pro Jornal da Globo. Vou logo dizendo que não concordo com tudo que ele pensa, mas concordo com muita coisa e totalmente como quando afirma que "não há razões para que dois amigos pensem o mesmo em todos os campos". Algo mais democrático que isso?

Sobre as acusações que lhes são feitas a respeito de armas nucleares, que tal ler o que ele disse numa entrevista que o Opera Mundi reproduziu?

"Aqueles que estão contra o Irã não são pessoas que estão contra os armamentos nucleares; porque eles têm. Se alguém está contra um ato ilegal, inaceitável, em primeiro lugar, não tem que fazer isso. Como eles estão praticando isso e querem que outros não pratiquem? Nós pensamos que a era dos armamentos nucleares já chegou ao fim. Se esses armamentos nucleares fossem úteis, teriam ajudado a União Soviética e também o governo norte-americano a vencer no Afeganistão e no Iraque. O regime ocupacionista de Israel também poderia ganhar algo em Gaza. Sabemos que isso não ajuda. Tanto pelos regulamentos como pelos pensamentos sobre o uso desses armamentos. Pela religião, é proibido, e no pensamento lógico isso também não funciona. Nós achamos que aqueles que estão à procura de armamentos nucleares são pessoas politicamente atrasadas. A era dos armamentos já acabou. Começou a era da humanidade, do pensamento: o poder dos povos é o pensamento e não os armamentos nucleares.

Continuamos o enriquecimentos de urânio para combustível em nossas usinas. O que nós queremos comprar é combustível para um reator que ajuda na produção de medicamentos. Nós propomos isso para que se desenvolva a cooperação em nível internacional. E deixamos uma oportunidade para que aqueles que estavam contra o Irã possam estabelecer uma cooperação com o programa nuclear iraniano".


Leia a entrevista toda clicando aqui

Eu vou dizer uma coisa: se o cara tem disposição pra defender a soberania da nação dele e enfrentar a arrogância dos Estados Unidos já tem em mim um fã. Ainda mais se vem daquele povo valente e culto, que ofereceu tanta riqueza à humanidade e cuja riqueza natural hoje é objeto de cobiça.

Parabéns ao Ahmadinejad e ao Lula, que ignoraram a histeria midiática e transformaram seu encontro em mais um gesto valioso de afirmação dos povos e nações que lutam por sua afirmação soberana.

Agora você aí, cuide e vá assistir a entrevista desse cabra do nome difícil de escrever e que eu não vou mais recortar e colar.

Civilidade Zero!

Numa "área nobre" de Fortaleza, onde moram pessoas muito "esclarecidas" foi instalada essa "ratoeira pra cachorros" como definiu um leitor do Blog do Plínio Bortolotti, que denunciou essa barbaridade da seguinte forma:

"Já ouvi reclamações de assessores da Prefeitura por nomear de Fortaleza, terra de ninguém, a seção neste blog em que exponho as nossas demasiadas mazelas urbanas.

Mas observem como cada um faz o que quer, das ruas e calçadas, sem que nenhum órgão público imponha limites.

A cerca que vocês veem na foto acima, normalmente posta no alto dos muros, o condomínio que fica na esquina das ruas Ana Bilhar e Joaquim Nabuco, resolveu fixá-la no chão, em ambas as frentes do prédio.

Já ouvi chamarem este equipamento de “cerca israelense”, mas na internet descobri que seu nome comercial é “concertina”.

A cerca é prefuro-cortante, com pontas afiadíssimas, e pode ferir grevemente uma pessoa. Nem ao menos um aviso os responsáveis pelo prédio tomaram o cuidado de pôr para alertar distraídos passantes.

E se algum pedestre se machucar; se uma criança cair sobre a cerca?

De quem é a responsabilidade?

Do condomínio?

Da Prefeitura [pela Executiva Regional II ou pela Semam - Secretaria do Meio Ambiente e do Controle Urbano]?

Do Ministério Público?"

Um jardineiro do condomínio justificou o aparato da seguinte forma:

"É pra espantar os cachorros da zona, pra num vim mais arriar massa no nosso canteirim. Aqui num passa menino não, nunca vi!"

Por lá deixei o seguinte comentário:

"Plínio eu espero muito que essa sua denúncia repercuta de fato junto à SER II para que esse absurdo seja retirado imediatamente. Quase diariamente passo por esse local, mas como sigo de carro nunca havia percebido. Vou ficar de olho até esse troço agressivo, egoísta e exemplo de falta de urbanidade seja retirado.

Onde já se viu usar algo assim para limitar a “arriada de massa canina” ? Na verdade é a paranóia louca das pessoas nada “esclarecidas”, cara Alessandra, que as leva a praticarem uma insanidade dessas. Tudo vale para isolar do mundo exterior aqueles que nada têm a ver com a vida lá fora. O que importa é a tranqulidade dentro dos condomínios luxuosos, dentro de cercas inexpugnáveis. O mundo que se dane. É assim que pensam os “esclarecidos”, enquanto que os “não esclarecidos” optam por uma calçadinha que lhes permita botar uma cadeira no fim de tarde e prosear na boca da noite com os vizinhos.

Valeu Plinio, espero que sua denúncia se amplifique. Da minha parte eu vou botar a boca no mundo".

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Água boêmia

Uma ótima história que o Rodger Rogério me contou hoje enquanto almoçávamos uma deliciosa moqueca de arraia no Maria Bonita. Lá pelos anos 1970, ele e mais dois boêmios chegam ao Estoril (ô lugarzinho que nunca vou esquecer!) quando o Sitônio já tava começando a recolher as mesas e cadeiras. O garçon, conhecedor do entusiamo etílico das peças que chegavam, vai logo avisando que não sai mais nada no bar.

- Mas Sitônio, só 3 vodkas, enquanto tu guarda as cadeiras, rapaz!
- Tudo bem, vou trazer as vodkas e a conta logo.
- Perai Sitônio, arruma as coisas com calma. Traz três pra cada um e um Crush por rodada
.

Sitônio fez o combinado e depois de arrumar tudo trouxe a conta onde só constava o valor a ser pago pelos três Crush.

- Que é isso, Sitônio. Num vai cobrar as vodkas não rapaz?
- E vocês acham que botei vodka? Tomaram muito foi água misturada com laranjada e do jeito que estão nem perceberam. Agora paguem e vão simbora.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

De olho no mundo

Hoje tá sendo um dia corrido e por isso já peguei o Guilherme em cima da hora, ou "sentado no relógio", como a gente costuma brincar, pra deixar no colégio. No caminho falei pra ele que ontem a noite, antes de dormir havia lido sobre Galileu Galilei e as polêmicas em que se meteu. Aí rolou um papo:


- Pois é pai, ele acabou numa prisão domiciliar.

- Por conta da polêmica dele com as ideias de Aristóteles, filho.

- Pai, tu sabia que o Aristóteles não acreditava em deus e a igreja acabou embarcando na dele?

- Curioso, né filho?

- E o coitado do Galileu, que era cristão, foi perseguido.

Missiva por mais


Tá dito aí do lado que eu gosto de cartas, mas não tá dito que sinto falta delas. Gosto de ler e escrever cartas, mesmo que seja coisa rara nestes tempos de emails, msgs, twitters e tais quais. A carta é coisa muito pessoal, reveladora, refletidora, instigadora, provocadora e algumas viram documentos históricos por registrarem fatos marcantes. Neste vídeo Mercedes Sosa canta La Carta, uma dessas cartas históricas, dum período em que o povo latino maericano lutou e verteu sangue, que perdeu irmãos e irmãs, mas que agora ousa ir além , sonhar mais alto e constuir um novo mundo no século vinte um.

De olho na comunicação

Começa daqui a pouco, e vai rolar durante o fim de semana, a I Conferência Etadual de Comunicação do Ceará. Num foi fácil fazer essa danada acontecer. Há muito tempo dezenas de organizações sociais ( entidades sindicais, estudantis, comunitárias, juvenis, entre outras; partidos políticos, ONGs, etc e tal) constituiram a Comissão Pró-Conferência (CPC/CE), que se reuniu e mobilizou muito pra que essa conferência acontecesse. Nas últimas semanas a coisas andou pegando com os empresários, que diante da riqueza do debate ocorrido a partir da realização das conferências municipais e estaduais, perceberam que o esforço feito por eles não foi suficiente para sufocar o que a jornalista Cristiane Bonfim, em declaração ao Vermelho/CE, chamou de "demanda reprimida". Sem subterfúrgios tentaram conter a CONECOM/CE e ainda acha que podem tentar alguma gracinha. O esforço foi mesmo em vão. Tem mais de 900 pessoas inscritas e imagino que pelo menos 500 vão participar mesmo.

O debate promete e quem não puder ir lá vai poder acompanhar pela TV UMLAW, que é uma tv-web da União dos Moradores de Luta do Álvaro Weyne, ou pelo Agência Catavento Jovem de Notícias, que vão cobrir ao vivo e onlaine.

Infelizmente as regras que vieram lá da Comissão Organizadora da Conferência Nacional desestimulam o debate na medida em que nada poderá ser aprovado. Essa foi mais uma manobra dos empresários. Mas não faltaram propostas e eu, com mais um monte de gente, vamos lá defender as ideias apresentadas pelo Portal Vermelho que são frutoi de um debate que estamos fazendo há muito tempo e por isso contém ideias de vários segmentos que ao longo do tempo foram amadurecidas e agora sintetizadas em sete pontos principais:

1-Pelo fortalecimento do sistema público de comunicação
2-Regulamentar as concessões públicas ao setor privado
3-Programa nacional de incentivo à radiodifusão comunitária
4-Políticas públicas de inclusão digital - banda larga para todos
5-Revisão dos critérios da publicidade oficial
6-Participação democrática da sociedade
7-Por um novo marco regulatório para o setor

É isso aí, vamos ao debate, que com certeza será mesmo muito interesante, muito rico e de grande importância pra democracia e mesmo pra evolução social do Brasil.



Clique aqui e leia os detalhes das propostas vermelhas.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Sempre ligado

Ontem, acompanhado do Guilherme, passei numa agência dos Correios e ao pegar uma senha pra ser atendido entreguei-a pra ele. O cabinha olhou e, apontado pra onde tava escrito "Previsão de espera", perguntou:

- Pai, pra essa senha se a gente num vai esperar nada?

Esse é meu menino.




Vento pra viver

Taí uma coisa que eu curto muito é aniversário. Ainda mais quando é o meu. Muito mais pelas presenças, do que pelos presentes. Gosto da confraternização, da constatação de ter vivido mais e ter feito muito mais. Isso é bom.

Ontem fui prum aniversário diferente, mas tão bom quanto o meu. Fiquei agoniado porque na mesma hora eu tinha reunião de pais no colégio do Guilherme, coisa que eu não gosto de faltar. Mas como lá no colégio a conversa foi rápida e o aniversário atrasou, foi tudo beleza. A "festa" era na Câmara de Vereadores de Fortaleza, numa sessão solene convocada pelo vereador João Alfredo (PSOL) - o barbudo alto aí da foto - mas a maioria dos presentes era ex-militante do movimento estudantil dos anos 70 e 80 que foi ali pra comemorar os 30 anos de reorganização da UNE, do DCE/UFC e do CACB, da Faculdade de Direito da UFC. Como faltar a um encontro tão marcante? Se eu não tivesse ido teria ficado mais chateado ao saber que algumas criaturas estiveram lá e eu não fui encontrá-las.

Esse meu encanto todo é porque o Movimento Estudantil foi pra mim, e é pro movimento social, uma incomparável escola de formação política para jovens. Quem passou pela escola e não teve alguma experiência no movimento estudantil pode até ter saído uma pessoa bem graduada, bem sabedora das coisas, mas num sai tão gente, tão humano quanto quem passou pelo ME. E isso eu vi mais ainda ontem. Ali estavam alguns que se confrontaram duramente na militância, mas que cultivam até hoje uma amizade fraterna, um bem querer emocionante e uma convicção de que ainda há muito por ser feito nesse mundo.

Senti falta de muita gente, acho que ainda nos devemos um grande encontro, uma confraternização bem grande mesmo, como a que fizemos nos 20 anos. Da foto lá em cima, onde também está o baixinho Papito, não estava o sorridente Juninho, da Libelu, que nunca mais vi, nem o meu mano Veveu, que há pouco me mandou um email lamentando não ter ido "abraçar os velhos amigos, na homenagem 'a memória de uma luta tão necessária...Fiquei devendo este
pros amigos e para mim..." (Eu sei, meu mano, o quanto você sentiu. Isso é seu, de você e do que você adquiriu no meio dessa gente que você não pôde abraçar, por isso lhe mandei as fotos. Elas também podem dar um pouco de vento). Mas não estão na foto e estavam lá o primeiro presidente do DCE depois da reorganização, Luis Carlos Paes; o combativo Lula Morais, hoje deputado estadual do PCdoB; a Zú, eterna musa com seu sorriso indescritível; o histórico Paulo Maciel com quem militei entre os secundaristas e os universitários; a Fatinha Carvalho, o Ésio Feitosa, o Alberto "Gato" Fernandes, o Ilário Marques, o Adalberto Alencar, o Zé Alves, a Rejane, companheira do retórico Sandro Og, o Geraldo Marcelo, entre outros e entre a "jovem guarda" (expressão cunhada por Lênin e apossada pela turma do Roberto), que hoje dirige algumas entidades. Senti falta de gente muito querida, como o Gustavo Alberto e o Luiz Antonio, presidente e vice da Chapa Viração (foto aí perto), que integrei e dirigiu o DCE entre 83 e 84 e acho que a Luizianne, que também foi presidente do DCE, poderia ter comemorado o aniversário dela entre essa gente tão boa, que nos dá mais vento ainda pra levar adiante a vida.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Cordel pra Geisy

UMA BURCA PARA GEISY
Miguezim de Princesa


Quando Geisy apareceu
Balançando o mucumbu
Na Faculdade Uniban,
Foi o maior sururu:
Teve reza e ladainha;
Não sabia que uma calcinha
Causava tanto rebu.

Trajava um mini-vestido,
Arrochado e cor de rosa;
Perfumada de extrato,
Toda ancha e toda prosa,
Pensou que estava abafando
E ia ter rapaz gritando:
"Arrocha a tampa, gostosa!"

Mas Geisy se enganou,
O paulista é acanhado:
Quando vê lance de perna,
Fica logo indignado.
Os motivos eu não sei,
Mas pra passeata gay
Vai todo mundo animado!

Ainda na escadaria,
Só se ouvia a estudantada
Dando urros, dando gritos,
Colérica e indignada
Como quem vai para a luta,
Chamando-a de prostituta
E de mulherzinha safada.

Geisy ficou acuada,
Num canto, triste a chorar,
Procurou um agasalho
Para cobrir o lugar,
Quando um rapaz inocente
Disse: "oh troço mais indecente,
Acho que vou desmaiar!"

A Faculdade Uniban,
Que está em último lugar
Nas provas que o MEC faz,
Quis logo se destacar:
Decidiu no mesmo instante
Expulsar a estudante
Do seu quadro regular.

Totalmente escorraçada,
Sem ter mais onde estudar,
Geisy precisa de ajuda
Para a vida retomar,
Mas na novela das oito
É um tal de molhar biscoito
E ninguém pra reclamar.

O fato repercutiu
De Paris até Omã.
Soube que Ahmadinejad
Festejou lá no Irã,
Foi uma festa de arromba
Com direito a carro-bomba
Da milícia Talibã.

E o rico Osama Bin Laden,
Agradecendo a Alá,
Nas montanhas cazaquistãs
Onde foi se homiziar
Com uma cigana turca,
Mandou fazer uma burca
Para a brasileira usar.

Fica pra Geisy a lição
Desse poeta matuto:
Proteja seu bom guardado
Da cólera dos impolutos,
Guarde bem o tacacá
E só resolva mostrar
A quem gosta do produto.


Até hoje eu nem tinha falado desse assunto até porque teve todo tipo de artigo, manifestação, futrica sobre a menina que, segunda o Messias Pontes tem parte com o nosso Arruda daqui (eu desconfio que sim, aquela cabecinha dela é bem cearense). Hoje eu recebi da minha amiga Mariazinha Pereira esse cordel aí, e como cordel é difícil de resitir eu não resisti. A coisa é séria, muito séria, mas num custa nada a gente se divertir um pouco com a bobeira da UNITALIBAN.

Brava gente

Operários - Tarcila do Amaral
“Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que caminha para a morte pensando em vencer na vida
Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que tem no fim da tarde a sensação
Da missão cumprida”
Belchior


"Nação nova, o Brasil forjou uma cultura original, base de uma civilização flexível, criativa, aberta e assimiladora, a despeito de estruturas sociais e políticas arcaicas persistentes. Embora jovem, o povo brasileiro foi temperado por conflitos e lutas – muitas vezes de armas nas mãos – pela liberdade e pelos direitos sociais, pela independência e a soberania do país. Tal processo marcou sua história com o fio vermelho do sangue derramado desde a resistência indígena e dos africanos contra a escravização, passando pelo enfrentamento heroico às ditaduras, até as lutas operárias e populares características de nosso tempo. O povo é o herói e o autor da nacionalidade, o empreendedor dos avanços ocorridos no país. Ele resulta do amálgama, através da miscigenação e da mestiçagem, de três grandes vertentes civilizatórias: os ameríndios, os negros africanos e os portugueses. O processo histórico dessa formação foi doloroso, marcado pela escravidão e pela violência, condicionado pelos interesses de uma elite colonizada. Mas a síntese é grandiosa: um povo novo, uno, com um modo original de afirmar sua identidade. São características que se enriqueceram com aportes de contingentes de outras nacionalidades europeias, asiáticas e árabes que emigraram para o país desde o final do século XIX. A mescla da base de cultura popular, de origem índia e africana fundiu-se com os elementos europeus dominantes, gerando a cultura brasileira – um dos elementos marcantes da identidade nacional. A condição de povo uno, no presente, é um trunfo do Brasil que, ao contrário de outras nações, não enfrenta grupos étnico-nacionais que reivindiquem autonomia ou independência frente à Nação e ao Estado." (Trecho do Programa Socialista do PCdoB, aprovado recentemente em seu 12º Congresso)

sábado, 14 de novembro de 2009

Caetano X Lula: a palavra de Zé Celso

Tropicália, sob o signo do escorpião
José Celso Martinez Corrêa


"...meu adorado Poeta Caetano, como sempre, me surpreendeu na sua interpretação de Lula como analfabeto, de fala cafajeste, abrindo seu voto para Marina Silva.

Nós temos muitas vezes interpretações até gêmeas, mas acho caetanamente bonito nestes tempos de invenção da democracia brazyleira, que surjam perspectivas opostas, mesmo dentro deste movimento que acredito que pulsa mais forte que nunca no mundo todo, a Tropicália.

Acho, diferentemente de Caetano, que temos em Lula o primeiro presidente antropófago brazyleiro, aliás Lula é nascido em Caetés, nas regiões onde foi devorado por índios analfabetos o Bispo Sardinha que, segundo o poeta maior da Tropicália, Oswald de Andrade, é a gênese da história do Brazil.

Lula tem phala e sabedoria carnavalesca nas artérias, tem dado entrevistas maravilhosas, onde inverte, carnavaliza totalmente o senso comum do rebanho.

Adoro ouvir Lula falar, principalmente em direto com o público como num teatro grego. É um de nossos maiores atores. Mais que alfabetizado na batucada da vida, lula é um intérprete dela: a vida, o que é muito mais importante que o letrismo. Quantos eruditos analfabetos não sabem ler os fenômenos da escrita viva do mundo diante de seus olhos?

Lula chega à hierarquia máxima do teatro, a que corresponde ao papa no catolicismo: o palhaço. Tem a extrema sabedoria de saber rir de si mesmo. Lula é um escândalo permanente para a mente moralista do rebanho. Um cultivador da vida, muito sabido, esperto. Não é à toa que Obama o considera o político mais popular do mundo.

Fico grato a Caetano ter me proporcionado expor assim tudo que eu sinto do que estamos vivendo aqui agora no Brasil, que hoje é um país de poesia de exportação como sonhava Oswald de Andrade, que no Pau Brasil, o livro mais sofisticado, sem igual brazyleiro canta:

Vício na fala
Pra dizerem milho dizem mio
Pra melhor, dizem mió
Para telha, dizem teia
Para telhado, dizem teiado"



Deleite-se com o texto todo no Blog do Luciano Siqueira, um cabra porreta demais.

E continua ...



Duns tempos pra cá ando nostálgico de música. Coisa séria mesmo. Ontem à noite, em casa, escutei o disco do Laerte Melo todinho. Fiquei ali pensando nas minhas amizades sobralenses, nas muitas vezes que escutei o Laerte - uma vida curta demais pra tanto talento - tocar e cantar suas belas músicas, assim como o João Rodrigues, cujo talento ficou meio enganchado no bem querer dele por Sobral. Asa Partida era uma das músicas que eles tocavam e que ainda hoje escuto lembrando da nossa juventude, dos sonhos e ousadias que realizamos.

Cuide bem do coração "dotô"

Os moços aí da foto já viveram mais 15 anos depois desse dia e em nossos planos viveremos muito mais que isso. Nessa data estávamos em Guadarrama, nas cercanias de Madri, onde o Ducito passou seis anos e voltou um "dotô" muito do sabedor das coisas de engenharia, muito do querido e respeitado por todos que o conheceram por ali e depois dali. Por essa razão de vez em quando ele é chamado prum congresso, prum seminário, pruma banca de "dotorado", todo mundo querendo provar desse conhecimento que ele acumulou e do talento científico que desenvolveu.

Do que ele sabe na engenharia e outros quetais, sei muito pouco, mas sei do quanto ele é um cara muito legal, um irmão que só tem mais seis iguais no mundo e um cientista dedicado ao conhecimento humano, ao papel social desse conhecimento. Por isso ele precisa se cuidar mais, assim como eu. O susto que vivemos na semana que se findou foi grande e sei que pra ele foi maior ainda. Assim como eu, ele anda meio relaxado na forma, produzindo muito conteúdo e cuidando pouco de si mesmo. Ducito, o combinado é ir bem mais adiante. Ainda temos muito o que fazer, e faremos.

Comunista do Brasil

Recentemente uma jornalista ligada ao PT falou que gostava de mim porque eu sou "um comunista diferente, mais gente boa". Agradeci a simpatia, mas falei que num é bem assim. Há um certo esteriótipo que vem desde muito tempo. Eu acho até que a trajetória dos comunistas ajudou a criar essa imagem, mas no Brasil isso já foi superado. Aliás, acho que se fosse diferente eu nem ficava também não. Não consigo separar a ideologia do jeito de ser.

Nisso daí a "queda do Muro de Berlim" ajudou muito, viu? O PCdoB encarou essa de modelo único de socialismo como algo a ser superado e um dos problemas da experiência socialista na União Soviética e na Europa. Por essa razão o novo programa aprovado no 12º Congresso faz uma bela abordagem sobre a formação da nação brasileira e seu povo uno. O mesmo vale para o modelo de partido. Nem pensar naquele modelo de partido dissociado do cotidiano do povo, do jeito brasileiro de ser e foi por isso que o congresso também aprovou uma nova política de quadros. Esse documento foi construído ao longo do tempo, é fruto da experiência e da aproximação cada vez maior do PCdoB com a realidade do povo brasileiro. E isso tem a ver também com o acerto da linha política que deu mais visibilidade aos comunistas e ao mesmo tempo apresentou maiores e mais complexos desafios. Como a gente costuma dizer, é um típico problema bom de se resolver afinal é fruto do crescimento, do fortalecimento e da consolidação do Partido Comunista do Brasil como uma instituição quase centenária, muito considerada e respeitada por seus aliados e até mesmo por alguns adversários.

Esse nosso jeito de ser tá bem demonstrado numa matéria da revista Carta Capital que destaca a presença do PCdoB entre a juventude brasileira. Vale a pena ler a matéria, mas quero ressaltar aqui algumas coisa que estão ditas por lá. Uma delas é a forma que os operadores de telemarketing de São Paulo,a maioria com idade entre 18 e 29 anos, encontraram pra tornar as assembléias gerais do sindicato, dirigido por um jovem militante do PCdoB. Diz lá a matéria: "Para atingir o público, realizam assembléias durante festas fechadas em casas noturnas, com DJs e outros atrativos. Num determinado momento, a música para, começam os discursos e as informações importantes são transmitidas. A tecnologia é utilizada na comunicação com a base". Alguém poderia imaginar algo assim nas sisudas assembléias de trabalhadores? Pois é assim que a coisa vai hoje em dia. E imaginar que um jovem ministro de estado curta umas rodas de samba e junte amigos nos finais de semana pra descontrair é o mesmo que foi um dos principais responsáveis por duas grandes conquistas nacionais, o direito de realizar a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Pois é, esse cara é o Orlando Silva Júnior, que ainda surpreende os mais ortodoxos com a seguinte frase:“Quando alguém estranha minha opção e pergunta se sou mesmo comunista, eu respondo: sou comunista, graças a Deus”.

Pra botar mais Brasil nesse comunismo vale reproduzir aqui o que disse pra revista o líder indígena do Alto Rio Negro, Fidelis Baniwa, 35 anos, da etnia Baniwa, o da foto aí do lado. Disse aquele primeiro brasileiro:“O comunismo tem tudo a ver com o dia-a-dia em nossas aldeias. Quando alguém traz uma caça, todos são convidados a sentar juntos à mesa”. Pronto, num falta mais nada. Mas ainda vou dizer pra você que encontrei lá pelo congresso dos comunistas o bravo delegado Protógenes Queiróz, o cantor Netinho, o Aliado G, o primeiro rapper no mundo a se candidatar a deputado, além de um monte de gente feliz da vida por ter feito uma opção tão ousada de ainda querer "mudar o mundo", como dizia Cazuza. A diferença é que nossos heróis não morreram de overdose, mas na luta, como fez o Bergson Gurjão e tantos outrois na Guerrilha do Araguaia.




segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Bem Unidos, com Jorge Mautner



A Revolução de 1917 na Rússia marcou uma nova era da humanidade, quando os trabalhadores, liderados pelo proletariado e seu partido, o comunista, chegaram de fato ao poder e iniciaram a primeira experiência de construção do socialismo. Desde lá muita coisa muita coisa aconteceu, o socialismo foi derrotado na sua pátria mãe, porém a crença nele e na sua necessidade, apesar das muitas correções também necessárias, nunca deixou de existir.

O 12º Congresso do PCdoB reafirmou essa certeza no socialismo, aprovou um novo programa socialista que delineia o caminho através de um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento e comemorou a data da Revolução Bolchevique com uma saborosa confraternização na noite de sábado, 07 de novembro. Na festa quem começou as apresentações foi o Jorge Mautner e foi justamente pra homenagear os comunistas que ele executou uma versão instrumental - ele no violino e Nelson Jacobina no violão - da Internacional Comunista, o hino dos trabalhadores de todo o mundo. Com certa precariedade consegui gravar este momento, que vale a pena ser assistido.


"Sejamos tudo ...

Cearenses

A delegação cearense no 12º Congresso do PCdoB era composta por 58 pessoas, dos quais apenas 3 não puderam comparecer à plenária final. Nessa foto, feita ao final do congresso, estão quase todos os delegados eleitos e mais alguns convidados e outros conterrâneos que moram fora daqui. Alguns não estavam na hora da foto, entre os quais os membros do novo Comitê Central: Carlos Augusto "Patinhas" e Inácio Arruda, que foram reeleitos, e Chico Lopes e Martinha Brandão, eleitos pela primeira vez.

Japonês cabeça chata

Se você encontrasse esse cabra aí da foto, imaginaria que ele é japonês? Nunca, né? Pois bem, japonês ele não é, mas representou uma entidade sindical dos trabalhadores japoneses no 12º Congresso do PCdoB. Trata-se de Francisco Freitas, na verdade um brasileiro, que desde criança pequena foi adotado, no Brasil, por um casal japonês com quem aprendeu a falar japonês como "língua mãe" e quando cresceu foi trabalhar no Japão. Freitas tornou-se uma liderança sindical e nessa condição chegou a ser recebido pelo Presidente Lula, quando este visitou o Japão tempos atrás. Pois bem, agora você sabe onde nasceu o distinto aí? No Ceará, mais precisamente em Pacoti, cidadezinha muito simpática situada no Maciço de Baturité, bem de junto de Guaramiranga, a vizinha mais famosa. Pois é, o represente japonês num tem olho puxado mas tem a cabeça chata.


Detalhe da foto: viu quem tá passando ali atrás? O Protógenes Queiróz, um cara muito gente fina que fez um bom discurso dizendo porque se filiou ao PCdoB, em síntese: o partido tem projeto para a nação brasileira.

domingo, 8 de novembro de 2009

Deguste




Findou-se no comecinho da tarde de hoje a plenária final do 12o Congresso do PCdoB. Eu já andei falando pro aqui que esse congresso era uma coisa muito liinda de se ver e viver, só num imaginava que ia ser tanto. Eu tenho tanto pra falar que ainda preciso organizar melhor as ideias, baixar as fotos e vídeos que fiz com ajuda da Sonynha, que nem vou falar nem postar nada de novo hoje, a não ser esse vídeo que sintetiza um pouco do que rolou por aqui e as informações sobre o novo comitê central do partido. Aqui não passa degustação das muitas coisas que aconteceram e do que pretendo falar depois, mas vale a pena provar, pra saber se vale a pena o quem depois.



Pra saber mais sobre o novo Comitê Central, clique aqui.

Mautner na festa dos comuns

Agora a noite rolou uma bela confraternização entre os participantes do Congresso do PCdoB o que sempre é muito gostoso e ajudar a consolidar ainda mais a extrema camaradagem entre todos nós. Na delegação cearense a festa foi ainda maior por conta do aniversário do meu amigo véi, Joan Edessom, o Mestre Matuto. Mas uma participação foi especialíssima foi a do Jorge Mautner - filho de comunista e comunista declarado - acompanhado do seu fiel parceiro, Nelson Jacobina, que tocou a Internacional Comunista - gravei tudo e assim que conseguir postar no You Tube a trarei pra cá - e seu inconfundível Maracatu Atômico, além de muitas outras belíssimas músicas brasileiras. Mautner, muito descontraído sempre fazia comentários interessantes os intervalos das músicas. Num deles lembrou uma frase boêmia do Vinicius de Morais, exaltando vantagens etílicas:

- Ninguém faz amigos tomando leite.



Curta Mautner e seu maracatu tropicálico.

Aliado ao bom humor

Hoje almocei com dois rappers comunistas, o Toni C e o cara aí da foto, Aliado G ( não sei o porque dessas letras solitárias),integrantes da Nação Hip Hop. O papo com eles é sempre muito legal e cheio de bom humor. A certa altura, depois de chamar várias vezes o garçon pra pedir refrimente ou água, o Aliado soltou essa pra cima do moço que demorou a servi-lo:

- Ô meu, só porque eu tô aqui com o pessoal do Ceará, já faltou água?

sábado, 7 de novembro de 2009

Haja emoção!



Se diz que a imagem fala mais que palavras, vão aqui imagens do Congresso do PCdoB, mas ainda vou arrumar um tempinho pra falar mais de tanta coisa incrivel que vivemos aqui. Por enquanto fique com as imagens que falam.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Um congresso pra gente não esquecer



Ontem a noite começou o 12o Congresso Nacional do PCdoB. Coisa muito boa de se ver, e mais ainda de se viver. Viver isso tudo é uma sensação que envolve entusiasmo por perceber o quanto batalhamos para construir um partido forte, vigoroso e firme em seus propósitos e uma boa dose de emoção ao sentir o quanto o PCdoB é uma força política muito respeitada. É só ver aquelas delegações oriundas de dezenas de países, desejosas de acompanhar o congresso, saber o que pensam os comunistas brasileiros, como enfrentarão os grandes desafios do porvir, pra gente perceber como nosso partido é hoje uma referência mundial até.

Ontem foi dia de encontrar muita gente querida, amigos e amigas de tudo que é lugar do Brasil. Alguém disse que bastava essa enorme confraternização camarada pra já ter valido a pena vir ao congresso, e concordo. Quem me conhece sabe o quanto eu valorizo muito as amizades e o bem querer. Eu poderia ficar aqui falando um monte de coisa só sobre as primeiras horas do congresso, mas nem tenho tempo porque vou já voltar pro plenário onde começarão os debates. Por isso vou deixar você com essa reportagem da TV Vermelho - que vai fazer um belo trabalho, inclusive de transmitir o evento ao vivo - sobre o início do congresso. Aproveite bem e fique ligado. Se der eu venho aqui deixar algumas impressões sobre o que se passa no congresso, que aliás receberá hoje ninguém menos que o Lula, junto com uma turma boa de ministros e personalidades políticas.

Sobre a delegação cearense no Congresso

Povo brasileiro é o grande homenageado do 12o Congresso do PCdoB

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Por isso sonho ...


Eu sou meio movido a música e hoje cedo, antes de sair de casa, resolvi matar saudades de uam época em que eu vinha de Sobral assistir shows em Fortaleza. Um deles foi "Entradas e Bandeiras", em 1979, quando algumas músicas me marcaram muito. Uma delas é "Coisas da Vida", pra que eu nunca deixe de sonhar.

Marighella, um bravo brasileiro

Rondó da Liberdade
Carlos Marighella


É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

Há os que têm vocação para escravo,
mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.

Não ficar de joelhos,
que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

O homem deve ser livre...
O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer



Augusto Buonicore - Carlos Marighella: Quando é preciso não ter medo

Origem partidária da imprensa

Outro dia eu comentei aqui a decisão do Barack Obama de tratar os órgãos de imprensa do Rupert Murdoch (Fox, WS Journal e outros) como partido de oposição. Fiquei imaginando o que aconteceria se o Lula desse um trato na Veja, Folha, Estadão, Globo e outros tais. Pra mim num tem essa de "imprensa imparcial". Pra mim e pra muita gente boa como o professor Venício Lima, da UnB, que também partiu do episódio Obama/Fox pra deixar claro que tomar partido é o caminho natural da imprensa, inclusive de retorno às suas origens. Veja aí o que ele diz:

"Se, para alguns analistas, a “crise” que a imprensa enfrenta, em decorrência da revolução digital, está levando à sua partidarização como forma (equivocada) de sobrevivência, devemos recorrer à história e verificar que, ao assumir uma posição inequivocamente partidária, a grande mídia está fazendo uma espécie de “retorno invertido” às suas origens, no contexto da reação histórica conservadora do final do século XIX".

Clique aqui pra ver o resto do texto na Agência Carta Maior.


terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um Brasil como nunca se viu....

Logo mais eu embarco prá São Paulo onde participarei da plenária final do 12º Congersso do PCdoB, como delegado eleito pela 19ª Conferência Estadual Bergson Gurjão. Essa será a minha quinta participação em plenárias nacionais dos congressos do PCdoB, dos sete congressos que já aconteceram desde que eu ingressei no partido dos comunistas do Brasil, em 1982. Cada um deles tem um significado especial, representa um marco no crescimento e na consolidação do partido como uma força ativa, consequente e inserida na vida dos brasileiros, contribui para que o PCdoB se mantenha fiel ao compromisso de ajudar a fazer desta terra um grande país e apontar o socialismo como o caminho a ser trilhado.

Uma coisa é certa, que me perdõem alguns camaradas saudosistas, o PCdoB vive hoje seu melhor momento em 87 anos de existência."Está preparado para crescer”, como diz o Walter Sorrentino, Secretário Nacional de Organização, numa entrevista que vale muito a pena ser lida. Um dos pontos centrais em debate no congresso é o programa socialista. Lembro que há 18 anos, no 8º Congresso, em plena ebulição da queda do Muro de Berlim - fazendo 20 anos nestes dias e comemorada sem o mesmo entusiasmo de antes - afirmamos que "o tempo não pára, o socialismo vive". Na época parecia mesmo alguma coisa fora da nova ordem mundial, e era, se reciocinarmos com os olhos de então. Os comunistas brasileiros, e outros tantos pelo mundo afora, ousaram encarar o debate, assumir os erros, levantar, sacodir a poeira e dar a volta por cima. Aprovamos em 1995 um programa socialista e com ele enfrentamos o debate da época. Agora estamos enfrentando o debate desta época e apontando a caminho a seguir. Abrimos a discussão com quem desejasse contribuir, polemizar, questionar e enriquecer o nosso projeto. Acho que saiu uma coisa bem legal e que vale a pena ser lido, nem que seja só por curiosidade, ou mesmo pra dizer que não gostou - o que eu acho muito pouco provável.

Abaixo vai um parágrafo sobre o objetivo do programa, se for ler mais clique bem aqui.


"O objetivo essencial deste Programa é a transição do capitalismo ao socialismo nas condições do Brasil e do mundo contemporâneo. O socialismo tem como propósito primordial resolver a contradição essencial do capitalismo: produção cada vez mais social em conflito crescente com a forma de apropriação privada da renda e da riqueza. Como sociedade superior, deve distribuir os bens e a riqueza conforme o resultado da quantidade e qualidade do trabalho realizado. É uma sociedade de alta produtividade social do trabalho, superior à do capitalismo. Não é uma exigência voluntarista, decorre do avanço da consciência social. É resultado objetivo do desenvolvimento cientifico e tecnológico, do salto das forças produtivas que o capitalismo é incapaz de colocar a serviço da humanidade. Consiste na edificação de um poder de Estado dos trabalhadores, e da predominância das formas de propriedade social dos meios de produção. É um sistema comprometido com a solidariedade entre as nações, com a política de paz e de cooperação entre os Estados, opositor resoluto da agressão imperialista e defensor da amizade entre os trabalhadores e povos do mundo".


domingo, 1 de novembro de 2009

Girassol encabulado



Essa minha viagem à Sobral tá cheia de boas lembranças. Como eu falei numa postagem anterior encontrei minha família, revi amigos queridos, encarei o calorzinho aliviado com o "Aracati". Ainda falta muita coisa, mas num faz nem um dia que cheguei e já aproveitei bastante. Também andei recordando umas boa passagens por aqui. Uma delas tem a ver com a música "Um girassol da cor de seu cabelo", que tá nesse vídeo aí e outro dia escutei cheio de saudade.

No final dos anos 70 nossa turma gostava muito de fazer serenatas pras meninas de Sobral. O repertório do João Rodrigues e do Jefferson Aragão era dos melhores e por isso pintavam até serenatas encomendadas, de meninas amigas que queriam curtir um pouco da boa música. A ronda musical sempre terminava na minha casa, onde a Nampaula e a Maria eram as homenageadas. Também minha prima, Ana Teresa, que morava numa casa vizinha, ganhava sua homenagem, as vezes depois das minhas irmãs. Uma vez em casa eu entrava, pegava um lanche e água pro resto da turma, abria a janela do meu quarto e a moçada ia aliviar a cerveja.

Numa madrugada dessas, enquanto a serenata rolava na janela das minhas irmãs, resolvi tomar um banho e vestir um pijama pra dormir. Depois quando a música foi pra janela da minha prima, fui curtir sentado no murinho baixo da casa do meu tio. Quando João e Jeff soltaram os primeiros acordes de "Girassol", animado por umas cervejas a mais, comecei a dançar e cantar em cima do muro, chamando atenção do meu Tio Totó, que abriu a janela do quarto e foi logo perguntando:

-Inácio, que é isso rapaz?

Saltei de banda, escondi minha vergonha durante um bom tempo sem ir na casa vizinha e evitei encontrar meu tio pra ter de responder à sua pergunta. Penei, viu?


Con la letrita 'L'

- Veu,veu...
- O que vês?
- Una cosita ..
- Con que letrita?
- Con la letrita "L".
- Huumm... Lia!

Essa brincadeira a menininha linda da foto gostava de fazer quando morava com sua família - Ducito, Bida, André e Lara - em Guadarrama, cidadezinha belezura, nas cercanias de Madrid.

Essa criaturinha aí é hoje uma criatura difícil de não se gostar. Ela é meio enigmática, muito na dela. Estudante de arquitetura, certa vez recorreu ao mestre Niemeyer pra buscar inspiração.Disse ele e ela se identificou: “gosto da solidão. gosto de ficar sozinho pensando na vida, neste universo imenso que nos encanta e nos humilha. gosto de sentir a fragilidade das coisas e a nossa própria insignificância.” Isso é mesmo a cara da Lilica, como também é o cinema, a fotografia, a música, um doce jeito de viver e tanto mais.

Hoje é dia de dar um beijo mais afetuoso na Lia e a gente vai juntar muita gente querida aqui em Sobral, na casa do papai e da mamãe, pra festejar a idade nova da Lia. Além do Guilherme eu trouxe uma surpresinha pra ela, mas vou deixar uma dica. Com la letrita "F". E aí Lilica,vai sacar?

...e tenho dito.

Tiago sabe tudo!

Falar que toda criança sempre é muito sincera não é nehuma novidade. Falar que a sinceridade de criança pode desconcertar também pode não ser novidade. Agora, sinceridade de criança também revela muita sapiência, mesmo pra quem ainda não rodou muito na vida.

O mocinho aí da foto chama-se Tiago e é filho do casal Ricardo e Carina, amigos da Nampaula e do Fernando, minha irmã e meu cunhado. Conheci a distinta família ontem assimque chegeu a Sobral e fui pro sítio demeus pais na Vila Palestina, la em cima da Serra da Meruoca. Vindos de São Paulo em busca de uma vida mais tranquila, moram em Sobral há dois anos, o suficiente pro Tiago descobrir o melhor lugar do mundo, segundo ele próprio. Durante uma viagem à São Paulo foi-lhe perguntado qual a melhor cidade do mundo e a resposta vem sem nenhuma dúvida ou demora:

- Sobral.

Na tentativa de conquistar um bom lugar pra terra natal de Tiago o interlocutor fez uma segunda pergunta:

- E qual a segunda melhor cidade do mundo? - Forquilha, porque é a cidade mais perto de Sobral.

Ontem o Fernando falou proTiago que iria levá-lo à Camocim, onde ele iria conhecer uma praia deliciosa e poderia ver que existe outra cidade melhor. Tiago respondeu com convicação:

- Não sou de mudar de opinião fácil.


Eita menino sabido!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Saudade de casa



Quando chegar o fim desse ano eu terei completado 30 anos que deixei de morar em Sobral. Um tempo largo que nunca foi o bastante pra que eu deixasse de gostar dali, de onde guardo lembranças definitivas na minha vida, onde aprendi a ser um cara muito ligado nas coisinhas simples da vida e a partir delas desejar coisas aparetemente impossiveis e até fora da ordem, mas eu as quero pra mim e pra maioria.

Amanhã cedo vou pegar o caminho da minha cidade, encontrar com minha família -teremos algumas comemorações entre nós -, rever amigos queridos, encarar o calorzinho já conhecido e aliviar com o "Aracati", sentado ao redor do papai e da mamãe, na porta de casa.

Pois é, bateu uma nostalgia danada e por isso eu quis escutar a Divina Comédia Humana, do Belchior.

Partido da Oposição

No final de setembro o estrategista da campanha do Barack Obama teve uma conversa com um mandachuva da Fox, que nos Estados Unidos faz o papel da Globo e ataca o governante americano de todo jeito. A direitona de lá chega a dizer que o Obama não é americano legítimo, que deveria voltar pro Quênia e elegeu o arremedo de SUS que o governo tá propondo como alvo preferido dos ataques. Pois bem, a conversa de que falei antes era pra tratar da decisão do Obama de considerar o grupo empresarial de mídia do Robert Murdoch, que além da Fox inclui ainda o Wall Street Journal e outros, como "parte ativa da oposição". O que isso significa? Oposição é oposição, e portanto num deve ter direito a tratamento igual ao que se dá a "imprensa normal", ou "imparcial" (coisa que a gente sabe que não existe, mas faz de conta que acredita). A prosa não deu muito resultado e segue por lá a ação desesperada dos republicanos que foram apeados do governo há quase um ano.

Pois bem, recentemente parte da mídia brasileira também apelou. A Míriam Leitão (Globo) e a Dora Kramer (Estadão) deixaram de bater no Lula e seu governo pra raclamar da incompetência da oposição demotucana por não atacar pra valer. Aliás, pras duas a oposição chega a ser até conivente com o governo. A Leitão, num artigo intilado "O papel da oposição" da as orientações de como a moçada lá deveria agir e chega a dizer que no Brasil "tem governo demais e oposição de menos". Já a Kramer chama a oposição de covarde e diz o seguinte: "o que espanta já não é mais o que Lula faz. O que assusta é o que deixam que ele faça. E pelas piores razões: uns por oportunismo deslavado, outros por medo de um fantasma chamado popularidade, que assombra — mas, sobretudo, enfraquece — todo o país".

Pois é, e aí? Essa turma tá querendo o que mesmo? Isso tudo é nome do chamado "papel fiscalizador" da imprensa? Em nome dos interesses do país e do bem estar do povo? Em nome desse aqui elas não falam porque mais de 80% aprova o governo. E se há coincindência entre os interesses do povo e do pais, em nome de que interesses essa senhoras falam? Pra mim elas orientam, ou tentam orientar, a oposição - tarefa difícil, pois como diz o Messias Pontes, os caras tão é birutas - e também tentam criar um sentimento de oposição no meio da população.

E se isso fosse lá com Obama? E se o Lula fizesse o mesmo que o Obama carimbando a Globo, a Veja, a Folha de São Paulo e outros tais como "parte ativa da oposição" como é que a coisa ficava? Aliás o Paulo Henrique Amorim já definiu essa turma como Partido da Oposição Golpista, o PIG. Eu já andei por dizendo por aqui que não acredito em imprensa imparcial, que isso é lorata total e não vejo nenhum problema que os meios de comunicação editorializem sua linha política. Assim a população ia saber mesmo quem é quem. Pois eu acho que a isa deveria ser assim mesmo. E vamos pra disputa de opinião, quem ganhar leva. Quem encara?


Guilherme ligado

Sempre que levo o Guilherme pro colégio passamos por uma esquina de Fortaleza onde um catador de lixo pede esmola. Pra sensibilizar mais possiveis doadores o distinto bota toda família pra dentro do seu carrinho. Hoje soltei um comentário e meu filho mostrou que não perde uma.

- Acho que esse cara apela demais ao fazer isso com o família dele.

- É o marketing dele, pai!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Uma riqueza do meu grande pai

Houve um tempo em que eu e meu pai tínhamos um diálogo muito difícil, nossas divergências brotavam muito facilmente e eu até evitava de ir mais à Sobral. Um certo dia eu acabei externando minha preocupação num cartão que deixei no quarto dele lá em Sobral. Pra minha feliz surpresa ele me respondeu com uma bela carta que eu nem lembrava mais onde andava mas a reencontrei recentemente enquanto arrumava uma montanha de coisas que guardei ao longo da vida.

Desde que a "achei" nem sei quantas vezes eu a li, cheio de emoção, de muito carinho e respeito por meu pai e sua sabedoria. Sou-lhe muito grato por ser esse cara assim, com que eu tenho a possibilidade de trocar ideias, de amadurecer, de divergir muito e até bater boca, mas sei que jamais nos faltará um amor infinito e a convicção de que temos um papel a cumprir aqui mesmo, onde ele chama de "paraíso". No fim, somos diferentes, mas muito iguais também, e é assim que quero ser com meu filho Guilherme.

Eu quero então compartilhar com você um grande riqueza do meu pai, que é ser um grande pai.



Meu caro filho Inácio:

Fiquei muito contente com o seu cartão; tão contente que renovo o ímpeto para tecer comentários sobre os problemas que v. aborda e nós, ambos, sofremos.

Em primeiro lugar, devo dizer-lhe que não me perturba a evidência de que os nossos caminhos serão diferentes. O importante é que v. e eu nos esforcemos para atingirmos um patamar de mútua compreensão, ante as exigências irrevogáveis da vida prática. Eu sei que os caminhos transitados pelo meu pai não foram iguais aos caminhos do pai dele, como sei que os caminhos dos meus filhos não seguirão as minhas pegadas. Neste aspecto, o fundamental, mormente para as pessoas do seu nível intelectual e ético, é a plena compreensão do momento histórico (todos os momentos são históricos) que vivemos, para que não nos frustremos batendo a cabeça no muro ou tentando parar o trem com o braço estendido.

Aprendi, com certo alarme e dor, que para alcançar nossos intentos de felicidade, temos que ceder suficientemente ante as imposições da comunidade, do comum dos homens, compatibilizando o nosso querer com as regras essenciais, ao mesmo passo que devemos reter alguns esforço para batalhar contra os maldosos, os bobos, os arbitrários, os donos da vida e do mundo, de tal forma que ao final do processo apresentemos alguns êxitos e vitórias para melhorar a civilização.

A meu ver tudo tem que caminhar nos prazos da história, cujos passos são as nossas gerações, e não adianta querer queimar etapas, sob pena de pagar com a própria cabeça, arruinando a vida bela e feliz que almejamos, e, de contra peso, ceder aos “farizeus”.

Por exemplo: sua mãe e eu temos lutado para construir um núcleo de pessoas ajustadas, humildes e competentes, de espírito aberto para receber e usar a colaboração de outros, fazendo o mundo melhor do que ele era quaundo nós a ele chegamos.

Este nosso propósito, que não é escrito nem formal, apenas resultado espontâneo da nossa aspiração de felicidade está dando certo.

Aqui estão vivendo e lutando e amando conosco, o Francisco, o Veveu, a Ciana e a Hildinha. Ao que nos parece todos felizes e realizando as aspirações de sua indidualidade.

Imagine, então, como seremos fortes e felizes, se o Inácio, a Ana Paula, a Maria do Carmo e o Luciano Filho fortalecerem a nossa corrente e nos tornamos aquela família que todos os pais estão sonhando.

Bom, o final é muito fácil.

Basta que o tempo, a experiência, e, sobretudo o amor dos que lhe amam, façam-lhe compreender que o “paraíso” somos nós, entendendo uns aos outros e aberto para tudos.

Um grande abraço do
seu pai

Luciano Arruda

Leca e seu finíssimo humor

Se tem uma coisa que eu entendo bastante é de timidez. Tem gente que pensa diferente sobre mim, mas o Leca, que é como também é chamado o Alexandre, filho segundo da minha irmã Ciana, sabe do que eu tô falando. Quem o vê aí dançando na foto, junto com o primo André, o tio Ducito e o irmão Rodrigo, nem imagina que é preciso um bom esforço pra descontrair. Em compensação ninguém queira ser alvo do seu humor poderossímo. O Leca é daqueles que ficam ali calados, acompanhando a cena toda, mas quando solta um comentário pode desmontar qualquer cabra que se acha o mais seguro do mundo. É uma certa defesa, mas também faz dele um cabra muito legal, com uma enorme presença de espírito e muito querido.

Eu deveria ter mandado um abraço de felicidades pra ele no domingo e num deu mesmo. Mas ele deve saber que foi muito lembrado lá na casa do Ducito, quando nos reunimos os quatro irmãos (Ducito, Veveu, Luciano e eu), filhos e sobrinhos prum almoço bem descontraído.


Parabéns, Alexandre, cuide bem do sorriso do povo, certo?

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Reencontro

Umas pessoas queridas cobraram a falta de novidades por aqui e eu só dizia que tava sem condições de postar nada por muitas razões. Uma das razões mais fortes foi o meu completo envolvimento nas homenagens que foram prestadas ao Bergson Gurjão , o que me deixou totalmente sem tempo. Como eu acabei não falando nada sobre o assunto neste blog trago aqui o único registro do reencontro de Dona Luiza Gurjão e sua família com aquele bravo brasileiro, um "herói que o Ceará deu ao Brasil".

domingo, 4 de outubro de 2009

Gracias a la vida por nos ter dado seu canto



Em 1982 fui pela primeira vez à São Paulo para participar do Encontro Nacional de Direito e logo ao chegar no alojamento na PUC vi que naquela noite haveria uma apresentação de três grandes cantoras no Festival Internacional da Mulher, promovido pela Ruth Escobar. Vivi a enorme emoção de assistir numa mesma ocasião Leny Andrade, Clementina de Jesus e Mercedes Sosa. Neste momento estou na Conferência Estadual do PCdoB e ao chegar recebi a triste notícia da morte daquela que cantou e fez ecoar mundo a fora a luta pela liberdade na América Latina. Tinha de ser ela, uma mulher, uma brava mulher, uma mãe acolhedora, assim como sua América querida. Tenho a convicção de que Mercedes morreu feliz por ter vivido o suficiente para ver o fim das ditaduras que grassaram nessa parte do mundo e a obrigaram se exilar na Europa. E mais, por aqui nos livramos das ditaduras e agora conquistamos governos democráticos e progressitas. Ela dizia que nasceu para cantar, mas não foi uma cantora qualquer porque cantou justamente em busca dessa América Latina que vivemos hoje e que ainda luta para consolidar e avançar nas conquistas. É por isso que, ao invés de trazer pra cá a belíssima Gracias a la Vida, recomendo que você assista Canción con Todos, um hino do nosso continente cheio de esperança.


Canción Con Todos
(Armando Tejada Gómez Y César Isella)


Salgo a caminar
Por la cintura cósmica del sur
Piso en la región
Más vegetal del tiempo y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de América en mi piel
Y anda en mi sangre un río
Que libera en mi vozSu caudal.

Sol de alto Perú
Rostro Bolivia, estaño y soledad
Un verde Brasil besa a mi Chile
Cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña América y total
Pura raíz de un grito
Destinado a crecer
Y a estallar.

Todas las voces, todas
Todas las manos, todas
Toda la sangre puede
Ser canción en el viento.

¡Canta conmigo, canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Agora, "é nóis"!

Rio 2016: sim, nós podemos

O Brasil viu a realização, nesta sexta-feira, 2 de outubro, de um sonho de mais de 20 anos: o sonho olímpico. A cidade do Rio de Janeiro será a sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. Os jogos da paz, da confraternização universal, terão, pela primeira vez, uma cidade da América do Sul como sede. A escolha do Rio não é uma conquista apenas dos brasileiros, mas um reconhecimento de que os países pobres e em desenvolvimento podem sediar grandes eventos.

O bordão "sim, podemos", com o qual Barack Obama marcou sua vitoriosa campanha eleitoral para a presidência dos Estados Unidos, agora foi entoado pelo presidente Lula durante a defesa do Brasil em Copenhague.

Reconhecimentos justos são importantes, e nessa hora de grande júbilo para o povo brasileiro, não se pode deixar de reconhecer que essa conquista coroa um trabalho árduo para que o Brasil pudesse apresentar uma candidatura competitiva. Os atuais governos do Rio, tanto da cidade quanto do estado, o Comitê Olímpico Brasileiro, as federações esportivas, atletas, personalidades, empresários e, especialmente, o Ministério do Esporte, comandando pelo jovem ministro comunista Orlando Silva e sua equipe, merecem todas as congratulações.

O presidente Lula também foi um ator importantíssimo, senão o mais destacado, desta boa briga pelo direito de sediar a Olimpíada. Lula empenhou-se pessoalmente na conquista de votos dos membros do Comitê Olímpico Internacional. Colocou todos os ministérios para ajudar neste esforço. O próprio Itamaraty mergulhou de corpo e alma neste desafio. Até mesmo uma parte da mídia grande, sobretudo a Rede Globo, que nos últimos anos tem se dedicado a atacar qualquer iniciativa do governo Lula, desta vez deu as mãos aos brasileiros para formar a corrente que redundou na vitória da candidatura brasileira.

Nem podia ser diferente. Pesquisa do Comitê Olímpico mostra que 85% dos cariocas aprovam a candidatura do Rio. Os outros 15% que a desaprovam --não é difícil imaginar, deve estar concentrada na mesma elite mesquinha que sente-se alijada do poder e alimenta o já caduco "complexo de vira-lata" que já não tem mais lugar num país que a cada dia se afirma como uma grande nação disposta a cumprir o presságio popular de que somos, sim, o país do futuro. São derrotistas que agora irão roer unhas e apontar uma série de obstáculos para que o Brasil possa cumprir o projeto que defendeu em Copenhague.

Mas enquanto esses derrotistas isolados lambem suas feridas, o Brasil inteiro comemora. Passada a comemoração, é mão à obra para cuidar, desde já, dos preparativos para 2016. Parte do esforço será antecipado para a realização da Copa do Mundo que iremos sediar em 2014. Mas há muita coisa para ser feita. E não será obra de um só governo, nem apenas do setor público. O desafio de fazer o Rio brilhar em 2016 é de todos os setores. O Brasil inteiro vai entrar no jogo.

Como bem registrou o ministro Orlando Silva, é um jogo que vai trazer desenvolvimento, emprego e renda, com impactos positivos em todo o País. E os jogos de 2016 vão mostrar ao mundo um País moderno, democrático, dinâmico e empreendedor. É isso que a nação espera. É para isso que iremos trabalhar. Parabéns Brasil.


(Editorial do Portal Vermelho)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Luzia Reis, o sorriso da guerrilheira

Na última terça feira, no meio da correria toda que anda minha vida, participei da entrevista feita pela Carol Campos, jornalista do Vermelho/CE, com a Luiza Reis, ex-guerrilheira no Araguaia. Conversamos por mais de duas horas e um resultado foi uma bela matéria onde Luzia afirma, entre tantas coisas belas, que deu parte de sua juventude para a democracia.

Digo uma coisa pra você, todo mundo sabe que esse assunto, Guerrilha do Araguaia, mexe muito comigo, com minhas emoções, ajuda a reafirmar minhas convicções e minha certeza de que a luta pela democracia de verdade deve ser buscada de todas as formas, nem que seja preciso pegar em armas. Eu nem tinha ainda ingressado no PCdoB e o Araguaia já era assunto conversado com gente amiga. Já li muito, já debati muito, já escutei muitos relatos, inclusive um do João Amazonas, quando eu morava em Brasília, onde ele contou um pouco do cotidiano dos que lá se instalaram no final dos anos 60. Mas eu nunca tinha conversado com alguém que falasse como a Luzia, com esse belo sorriso misturado com um pouco de emoção ao lembrar alguns momentos difíceis, principalmente a morte de Bergson Gurjão.

Entre as muitas afirmações de Luzia, uma - “Os guerrilheiros abriram este caminho oferecendo suas vidas para construir uma democracia popular. A primeira etapa foi alcançada. Dizer que a morte desses heróis foi em vão é desconhecer a história e ignorar a realidade” - deve muito ser levada em conta, em especial os que tentam diminuir a importância daquele fato histórico brasileiro que a cada dia ganha mais reconhecimento. Não foi um grupo de aventureiros, ou "porraloucas", que se enfiou nas brenhas da selva amazônica para ajudar a resgatar a democracia apreendida por um golpe militar a serviço do imperialismo norteamericano, dos grandes grupos econômicos e de latifundiários. Aquele povo ali sabia muito bem que não estava a passeio, como hoje fazem muitos turistas que se deliciam nas praias do Rio Araguaia. Sabiam que deveriam se enfronhar na vida do povo, conhecer de perto sua vida em todos os aspectos e principalmente lutar junto com ele para defender seus direitos e enfrentar seus inimigos. Não era coisa de pouco tempo e pouca monta. O descoberta da preparação da guerrilha precipitou os acontecimentos e pegou os guerrilheiros ainda em fase de preparação (Luzia lembra que dois novos guerilheiros chegaram dois dias depis do início dos combates), mas ainda assim a mobilização de tropas só perdeu pra Força Expedicionária Brasileira, que combateu o nazifascismo. Tudo isso para enfrentar uma centena de guerrilheiros, aos quais se somou o apoio, a solidariedade, a cumplicidade e mesmo a dor de muitos moradores da região.

Uma história assim não se apaga cortando cabeças, trucidando pessoas, queimando corpos e casas, destruindo documentos, negando pura e simplesmente um fato histórico. A vida acontece independente de quem a queira controlar. No Araguaia foi deixada uma semente, regada diariamente pela luta do povo, dali e do Brasil inteiro, que vai trilhando seu caminho com a certeza de que a vitória definitiva pode até ainda estar um pouco distante, mas vai sendo conquistada a cada passo. Ainda há muito a ser contado e aprendido sobre o que foi e o que significa a Guerrilha do Araguaia, um dos momentos mais importantes da luta democrática no Brasil contemporâneo. No fim vamos sorrir, até poderemos chorar, mas ainda assim seremos felizes, intensamente felizes por sonho de amor Brasil.