terça-feira, 25 de novembro de 2008

Conde escondido

Alguém sabe onde fica, em Fortaleza, a praça Dom José Tupinambá da Frota? Pois bem, se alguém trafegar pela Avenida 13 de Maio e encontrar numa pracinha minúscula, escondido atrás duma banca de revistas, um busto todo sujo, com uns rabisco de mau gosto, e nem vai saber que é do Bispo-conde de Sobral, porque até a placa foi arrancada.

Essa pracinha, que é uma coisa pequenina mesmo, fica em frente ao Banco do Brasil, próxima da Rua Jaime Benévolo - pra quem já viveu um pouco mais, pertinho de onde ficava a Casa D'Itália. Fui ao banco pagar umas contas ( o dia 25 pra mim é um tormento!) e ao sair vi que o que conceituado sobralense tá mal visto por aqui. Tenho a impressão que a comunidade sobralense deveria fazer algo. Poderia até "adotar" a praça, como é feito com algumas por aqui. Acho mesmo um desrespeito essa situação. Há certas controvérsias sobre o papel de Dom José, mas isso não vem ao caso, o fato é que o que se poderia chamar de "um pedaço de Sobral", tá bem abandonado por aqui.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Argentino bom demais!

Pronto, agora que eu aprendi a postar vídeos, vou arrumar um monte pra vocês verem coisas magníficas. Esse aqui é um belíssimo comercial da Aerolíneas Argentinas que une criança e criatividade. Já vi muito comercial na vida e esse é um dos melhores, mais inteligentes. É encantador! Deliciem-se!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Educação, desafio e simplicidade

"O que chamo de resultados é escola ensinando e aluno aprendendo" Isolda Cela, Secretária de Educação do Ceará

Essa frase aí da secretária está numa excelente entrevista dela para a última revista Universidade Pública, da Universidade Federal do Ceará - UFC. Ali ela fala com muita franqueza sobre a situação real da educação no Ceará, mas aponta saídas viáveis, sustentadas em três pilares: "financiamento, responsabilização e gestão eficiente, tanto no ambito dos sistemas como na gestão escolar. Se não houver uma visão e uma boa eficiência da gestão, o recurso vai embora sem ter resultados. A grande questão é o acompanhamento, ver se isso está rendendo resultados". A Isolda pode falar assim porque vem de uma experiência muito exitosa em Sobral e boa parte do time que trabalhou com ela continua junto. Fico daqui torcendo pro sucesso desse trabalho porque o Ceara, nossa juventude, merecem.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Conselho de pai

Arrumei esse blog pra falar uma coisas que penso e espalhar umas idéias minhas e de outras pessoas com as quais concordo, mas sou meio analfa numas de internet, por isso vou aprendendo aos poucos. Num postava todos os vídeos que queria porque nunca acertava, mas hoje me socorri com a Soninha, uma amiga querida, colorada arretada, e ela me ensinou a postar vídeo.

Pois fui logo buscar o mestre Cartola, em seu reencontro com o pai, que lhe pediu pra cantar O Mundo é um Moinho, composta em 1976. Há uma polêmica, se Cartola a fez para sua filha ou ao ouvir a história de um rapaz que o contou que se apaixonou por uma menina, a levou pra casa, e depois ela quis ir embora.

Alguém sabe algo sobre essa história?


quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Crise, no popular

O Flávio Arruda é desses cabra que tem uma tirada pra tudo no mundo. Dois dedin de prosa com ele podem render mais do que muita tese por aí. Hoje eu recebi um email dele com um texto explicativo sobre a crise econômica. Ele num me disse quem é o autor, por isso fica no crédito do próprio Flavin. Dê uma lidinha nesse texto e me diga se você num sai bem sabido sobre a crise do capitalismo.

Para quem não entendeu ou não sabe bem o que é ou o que gerou a tal crise americana, segue um texto explicando a fuleragem para qualquer menino véi do buchão entender.

É assim: O Jeremias, Beição pros mais chegados, tem um bar lá no conjunto Jereissati I, em Maracanaú, e se toca que o jeito é vender a caninha no fiado porque a mundiça tá sempre lisa e num é todo dia que tem bico pra fazer e levantar um enche-bucho.

Mas como ele né nem abestado, aumenta uma merreca no preço da dose, já que só vai receber no fim do mês. Esse aumento a negada metida a besta chama de sobrepreço.

O gerente do banco do Beição, um fela que se acha muita merda, chei de nove hora só porque estudou em Fortaleza, diz que as cadernetas das dívidas do Bar do Beição e grana são a mesma coisa. Então ele começa a emprestar grana pro Beição tendo o pindura dos papudos como garantia.

Um outro magote de besta, gente graúda do banco, se confia na caderneta do Beição e começa a gastar esse dinheiro por conta, abrindo uma porrada de CDB, CDO, CCD, BMW, UTI, SOS e o carái a quatro que ninguém sabe que diabéisso.

E esssa ruma de letrinha começa a animar a negada do Mercado de Capitais de uma tal de BM&F (uma coisa de gringo aí, onde o cabra tem que ser peitudo pra colocar dinheiro e, depois de um tempo, ou fica estribado ou se lasca todim).

Sei que esses bichos gostam da notícia e, mesmo sem saber que tão dependendo da caderneta do Beição, começam a gastar por conta também.

Como tá todo mundo negociando o dinheiro do Beição como se fosse coisa séria e mais garantida que diarréia depois de angu estragado, o dinheiro dele começa a rodar o mundo todo e tem nego em 73 países mexendo nesse dinheiro.

Até que alguém descobre que os fuleragens dos clientes do Beição tão tudo lascado e não vão pagar as contas. O Beição se arromba, vê que cagou o pau e tem que fechar o bar. Aí...

A nêgada que contou com o ovo no boga da galinha .... tá fudida!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Heian Nidan

video

Há quase 3 anos o Guilherme começou a fazer natação, um esporte que ele curtia muito. Só que uma danada duma rinite, herdada deste cabra aqui que vos fala, o obrigou a largar as águas por uns tempos - quer voltar no próximo ano e tem meu apoio. Pois ele logo pediu pra fazer karatê lá mesmo no colégio dele, o "7 de Setembro". Porque ele optou pelo karatê eu não tenho certeza, mas tenho certeza que ele continua praticando muito mais pela técnica, o aprendizado da sequência de movimentos, ou os golpes, como se diz no popular e que lá chama-se "kata", do que por conta do "kumitê", ou das lutas, as disputas. Neste video de 20 segundos ele executa o "heian nidan", numa gravação minha, com ajuda da Sonynha, e a trilha é a introdução de Birdland, da banda Weather Report.

domingo, 9 de novembro de 2008

Coincidências?

Em 2003 o juiz federal Ali Mazloum e seu irmão Casem Mazloum, também juiz federal, foram afastados de suas funções pela Operação Anaconda, da Polícia Federal, acusados de negociar sentenças judiciais.

Em 2004 os irmãos foram isentos da acusação por determinação do Supremo Tribunal Federal, mas ainda restava uma acusação por abuso de poder, da qual se livraram por uma liminar concedida pelo Ministro do STF, Gilmar Mendes, em 2005, e o processo foi extinto no ano seguinte.

Em 2008 o delegado Protógenes Queiróz depois de chefiar a Operação Satiagraha, que prendeu duas vezes o banqueiro Daniel Dantas, solto duas vezes por habeas corpus concedidos peloagora Presidente do STF, Gilmar Mendes, foi indiciado pela Corregedoria da PF porque deixou a Rede Globo gravar a prisão do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta.

Na semana passada o delegado teve o quarto do hotel em que estava hospedado em São Paulo, a residência onde estava sua esposa e uma filha de 7 anos e o apartamento no Rio de Janeiro, onde estava seu filho mais velho, devassados pela Polícia Federal que portava uma ordem de busca e apreensão concedida pelo juiz da 7a. Vara Criminal Federal de São Paulo, Ali Mazloum.



Pro Mino Carta, isso parece coisa de pesadelo. Confira aqui o que ele andou sonhando.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Ainda vai, PimenTel?

O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, junto com outros petistas mineiros, entre eles o deputado Virgílio Guimarães, moveu meio mundo prá fazer uma aliança com o Aécio Neves a fim de eleger um candidato único, apoiado pelo PT e o PSDB, a prefeito da capital. Foi uma campanha muito dura, todo mundo sabia que os dois elegeriam até um poste, ainda mais um milionário como o Márcio Lacerda (PSB), um ilustre desconhecido com disposição pra gastar os tubos. Tomaram um susto no primeiro turno, quando tiveram que engolir uma segunda rodada disputando contra Leonardo Quintão (PMDB). Como nesse ano, mais do que nunca, a máquina forrada de dinheiro das prefeituras funcionou muito bem, acabaram elegendo o poste milionário.
Mas foi só passar a eleição e o governador playboy - até hoje num tá bem explicado o acidente da comitiva dele na Praia da Baleia -, que saiu pelo Brasil fazendo companha pra candidato tucano e também pra ele mesmo - pretende enfrentar o Serra em 2010 - , soltou o verbo pra cima do PT. Veja o que ele disse, segundo o Portal Vermelho:

"Em declarações ao jornal Estado de São Paulo, o governador mineiro afirmou que o governo Lula é ''extremamente perdulário''. Aécio anunciou também que a ''vitória do PSDB em 2010 é vital para o Brasil porque seria perverso para o país mais quatro ou oito anos disso que está aí.” No futuro governo tucano, Aécio prometeu ''gastar menos com a estrutura do estado e mais com as pessoas. Não vamos gastar com a ‘companheirada’.”

A matéria do Vermelho até publicou a resposta da direção mineira do PT, que até se defende, mas fico só imaginando como tem gente tirando onda com petista lá nas Minas Gerais.

PT emplumado


No período que trabalhei em Brasília, em 95 e 96, tinha um deputado do PT maranhense, que gostova muito de fazer uns discursos "radicais" e ainda fazia gênero com uns paletós muito pouco discretos - tinha um que o deixava parecido com uma fatia de gerimum de leite - e umas sandálias de rabicho. O cabra até que chamava atenção na forma, mas o conteúdo era bem pouco convincente. Depois eu soube que ele num se reelegeu, mas continuou atuando lá pela terra dele.

Pois nos dias todos que passei fazendo campanha eleitoral durante o Segundo Turno de São Luís, num vi a cara do dito cujo, e posso dizer que estive com a chamada "alta cúpula"da esquerda maranhense, da qual ele faz parte já que é o Presidente Estadual do Partido dos Trabalhadores. Nunca consegui entender direito porque esse moço andava tão sumido. Pra se ter uma idéia, nem mesmo quando a Ministra Dilma Rousseff esteve lá, o deputado Dutra deu as caras. Algumas pessoas me diziam que ele tava insatisfeto com o rumo das coisas, que num concordava com o paoio do PT ao candidato do PCdoB, Flávio Dino, e coisas mais. Só que tinha gente que dizia que ele queria era evitar o confronto com o governador Jackson Lago, que dava uma de neutro, mas na verdade apoiou totalemente o tucano João Castelo. Ou seja, na verdade a distância de Dutra, era também uma forma de ajudar Castelo. Uma coisa que ninguém acreditiva, mas parece que era mesmo verdade.

Depois que voltei de São Luís, vem por outra dou uma brechada na imprensa de lá, principalmente nos blogs de política. Pois eu digo pra vocês que a coisa tá feia por lá. O ex-coordenador da campanha do Lula Evandro Sousa pediu a abertura de um processo de cassação contra Domingos Dutra e outros petistas infiéis, entre outras coisas, porque não apoiaram Flávio Dino. Ele mandou uma carta pro presidente petista que Blog do Décio Sá e eu sugiro que seja lida. É só clicar bem aqui

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Mais campanha pro Flávio Dino

Hoje tá com uma semana que eu cheguei do Maranhão e depois de conhecer muito bem o Flávio Dino, esse cabra aí de prosa com o Aldo Rebelo, já entrei noutra campanha dele. Recebi um email e li no Portal Vermelho que ele tá na lista dos melhores deputados do Congresso Nacional. Ano passado ele ficou entre os quatro melhores e pelo segundo ano consecutivo os jornalistas que cobrem o Congresso Nacional incluiram o Flávio na lista dos melhores parlamentares do Brasil.

Agora os internautas de todo o país estão votando para escolher os três melhores deputados e senadores e os que mais se destacam no combate à corrupção. Flávio Dino concorre nas duas indicações. Para participar e votar em Flávio Dino clique no endereço http://www.premiocongressoemfoco.com.br/

Se você quiser saber mais um pouco sobre a participação do Flávio nessa eleição é só clicar bem aqui.

O tempo não pára, mesmo que ande devagar

Hoje todo mundo praticamente só fala na eleição do Barack Obama. Tem declaração de tudo que é líder político, além de figuras respeitáveis como Mandela, Saramago e o próprio Lula. No Quênia, terra dos avós de Obama e onde ainda mora boa parte de sua família, decretou-se feriado. Há vários aspectos a serem considerados na campanha e no resultado das eleições americanas e aí basta abrir jornais, acessar internet e ligar tv e rádio pra escutar todo tipo de opinião.

Uma questão que me parece muito relevante é o grande poderio que os Estados Unidos ainda guardam, mesmo sendo o centro de uma gravíssima crise que começou no mercado financeiro e já atingiu a produção. Basta observar justamente o quanto as eleições chamaram atenção e mobilizaram pessoas no mundo inteiro para se ter uma idéia de tal força. Se duvidar a turma que gosta de tomar uma cachacinha lá na bodega do Abelardo, na Vila Palestina, em Meruoca, ou que toma uma cervejinha com torresmo - o mais saboroso do mundo - no Fuscão Preto, em Sobral, só tem um assunto: Barack Hussein Obama. Nem que pra seja entender como foi que o primo do Saddam Hussein se elegeu presidente logo dos Estados Unidos. Imagino os cabra conversando. "Rapaz, aquele Saddam era forte mesmo, morreu, mas já tinha deixado o primo dele lá nos Estados Unidos, só pra infernizar a vida do Bush", diz um. Ali do lado o cabra emenda: "Que nada rapaz, esse aí ainda é um daqueles que o Bin Laden infiltrou nos Isteites. Ele tentou fazer terrorismo, mas agora ele vai comer é por dentro. Vai dominar os gringo tudin". E por aí vai todo tipo de tese. Tudo contaminado pela propaganda ideológica anti-oriental. Mas o certo é que foi um fato histórico de grande importância. Só de imaginar que 66% dos eleitores americanos votou, quando nem a metade disso costuma votar, dá pra se ter uma idéia do que fez o Obama e da expectativa que ele gerou.

Curioso que a palavra de ordem do Obama era mudança. A mesma que foi usada na campanha de Tancredo Neves, em 1984 e que o levou à vitória no Colégio Eleitoral da ditadura. No ano seguinte a mesma idéia voltou nas eleições para governador e no Ceará o Tasso Jereissati foi eleito com a mesma palavra de ordem e iniciou a chama Geração das Mudanças. Isso também pode nos dar uma noção de como a sociedade ainda avança lentamente sob o domínio do Tio Sam, enquanto que na América do Sul a coisa vai muito mais rápido e o povo botou abaixo, no voto, o modelo neoliberal. O fato é que a vida segue em movimento, a humanidade continua construindo sua história e nenhum lugar do mundo vai ficar de fora.


Sugestão de leitura: Obama eleito; a história, afinal, não acabou , de Bernardo Joffily e o discurso de Barack Obama

EUA: o obsoleto e antidemocrático Colégio Eleitoral

O jornalista Argemiro Ferreira tem um blog muito interessante onde foi possível acompanhar muito bem o processo eleitoral dos Estados Unidos sem aquela espetacularição que se viu nas emissoras de tv. Até mesmo os bastidores serviram para mostrar que a coisa não assim tão democrático como pintam, muito menos um exemplo de democracia, como a Veja vem badalando na última edição. Um exemplo é a análise feita de como funciona o tal Colégio Eleitoral norte-americano, que só por existir já desmascará essa balela de eleições diretas. Sugiro uma leitura desse texto muito esclarecedor e que vai ajudar a entender melhor como é a tal democracia americana. O link que fiz é o do Portal Vermelho, que publicou em conjunto as duas partes originais, mas sugeri uma voltinha pelo Blog do Argemiro.

No primeiro discurso como um duvidoso "presidente eleito" — em dezembro de 2000, depois que a Suprema Corte mandou parar a recontagem de votos da Flórida e fez prevalecer aquele resultado suspeito proclamado antes pela secretária de Estado Katherine Harris — George W. Bush tentou fazer um paralelo entre a situação que então vivia, à sombra da ilegitimidade, e o resultado da eleição presidencial de 1800, que deu a vitória a Thomas Jefferson (1743-1826) sobre Aaron Burr (1756-1836).

Com isso sugeria que também Jefferson, intelectual, estadista e 3º presidente dos EUA, fora empossado sob suspeita, tornando-se depois um grande presidente. Na verdade, nada havia na eleição que pudesse justificar tal comparação — ou, ao menos, nada além do potencial destrutivo da rivalidade entre os federalistas de Alexander Hamilton e os democratas-republicanos de Jefferson.

A mecânica do processo eleitoral, previsto na Constituição já era então uma receita de crise. Houve empate nos votos do Colégio Eleitoral e a decisão, transferida para a Câmara, só deu a Casa Branca a Jefferson depois de uma semana de impasse e incerteza, 36 escrutínios, 19 empates e, afinal, a abstenção de dois estados. Mas Jefferson, ao contrário de Bush, além de ser um estadista tinha vencido também na votação popular.


Pras ruas, moçada!

Em maio de 1983, logo que foi encerrada a apuração das eleições do DCE da Universidade Federal do Ceará, quando a chapa Viração encabeçada pelo estudante de psicologia Gustavo Alberto - hoje professor da mesma UFC - foi eleita com 1234 votos de maioria sobre a chapa Avançando, o então presidente da entidade, Papito Oliveira - hoje delegado do Ministério do Trabalho no Ceará -, anunciou que os estudantes tinham um novo desafio. Em seguida leu um telegrama da Presidente da UNE, Clara Araújo, informando que o governo do General João Figueiredo, havia extinto a meia- entrada estudantil nos cinemas através de uma portaria do Conselho Nacional de Cinema, o CONCINE.

O dia, uma quinta-feira, 5 de maio, já estava amanhecendo e nem deu tempo comemorar a nossa vitória. Aliás, até comemoramos, mas já na luta, passando em sala de aula, convocando os estudantes para uma manifestação. Fizemos uma reunião rápida da diretoria eleita junto com os representantes de Centros Acadêmicos que ainda estavam por ali e marcamos uma passeata, saindo da Reitoria até a Praça do Ferreira, pra quarta-feira seguinte. Gustavo e eu fomos até a minha casa, tomamos um banho e um café da manhã reforçado, feito pela sempre acolhedora Mãe Teresa, depois caimos em campo, ou melhor no campus. Ao meio dia os dois restaurantes universitários, do Benfica e do Pici, viveram uma agitação enorme. A estudantada tava em pé de guerra. Foi moleza botar milhares de estudantes na rua. Além da UFC, tinha gente da UECE, da UNIFOR e os secundaristas.

Foi uma mobilização forte, deu confusão com a polícia, que reprimiu violentamente a manifestação logo na saída da Reitoria, mas depois recuou nas outras, fizemos atividades criativas, como a famosa "fila-boba" - dezenas de estudantes iam pras filas dos cinemas e pediam meia até encher o saco - e ao final os donos de cinemas acabaram cedendo pela metade e instituíram a "meia pra todos". A vitória foi parcial, mas em 1989, o então vereador Inácio Arruda conseguiu aprovar uma lei reinstituindo a meia-entrada em Fortaleza, não só nos cinemas, mas nos espetáculos culturais também, depois estendida pros eventos esportivos. Por uma felicidade tive a satisfação de redigir o projeto de lei, pois já trabalhava como assessor parlamentar. Depois, o mesmo Inácio, assessorado por esse mesmo Inácio, aprovou uma lei estadual com o mesmo objetivo. Uma curiosidade: o Prefeito de Fortaleza, que sancionou a lei municipal, depois foi o mesmo Governador do Ceará que sancionaria a lei estadual: Ciro Gomes.

Agora o direito dos estudantes já tá ameaçado de novo e logo por um tucano, o senador mineiro Eduardo Azeredo, o mesmo que criou o mensalão na campanha eleitoral de 1998. Um projeto do dito cujo simplismente diz que a meia-entrada não poderá ser utilizada entre quinta-feira e domingo, além dos feriados nacionais. Justamente nos dias em que mais o estudante pode usufruir do direito duramente conquistado. Não é uma graça? A proposta indecente tramita no Senado e se a turma num cuidar vai ser aprovada e depois vai pra Câmara dos Deputados.

Pois bem, só tem um jeito dos estudantes garantirem a meia-entrada: nas ruas. Foi nas ruas que ela foi conquistada e é nelas que poderá ser mantida. Seria uma tremenda ironia que justamente num governo democrático e popular, fruto da longa trajetória de lutas do povo brasileiro, os estudantes sofressem uma derrota tão séria. Pois tá na hora de agitar a cena, que anda muito parada. Antes que seja tarde.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Sei não, viu?

Torcedor de verdade tem que polemizar em favor do torcido e quando o cabra gosta de construir teses, aí sai de baixo. Pois eu vou aqui arrumar uma polêmica. E é logo sobre a vitória do Felipe Massa no GP Brasil de Fórmula 1, que não foi suficiente pra fazer dele o nosso novo campeão.

Negócio é o seguinte, eu até agora tô cabreiro com aquela mudança brusca de posição na última curva entre o Hamilton e o Timo Glock. O fato é que nas últimas três volta da corrida a Maclaren e o antipático Ron Denis se apavoraram com a possibilidade de seu garotinho de laboratório perder, pelo segundo ano consecutivo, o título de campeão por apenas um ponto e nos últimos instantes. Isso poderia criar um tabu em cima do cara, que nunca mais se recuperaria. E o próprio piloto disse que entrou em pânico e falou uma frase enigmática: "Aprendi minha lição do ano passado". Nunca nos esqueçamos que no mundo ninguém é mais supersticioso do que os ingleses.

Superstições à parte, vamos ao negócios. A Maclaren e seus donos investiram mais ou menos um bilhão de dólares pra faturar o campeonato este ano. (Se alguém aí achar pouco diante dos trilhões que estão sendo torrados pra salvar os bancos da crise, eu também concordo, mas que é uma grana alta, ninguém vai negar). Tava tudo no rumo certo, até as bobeiras do box da Ferrari ajudavam. De repente o Touro Vermelho do Sebastian Vettel entrou na arena e ia melar o jogo todo. Mas ainda restava a última cartada e eu imagino que em menos de 3 minutos pode ter rolado uma baita negociação/pressão pro Glock aliviar e deixar o inglês passar.

Ontem, depois da prova achei que isso seria pura especulação, choro de perdedor. Mas hoje fui parar no site do jornal inglês, The Times e vi lá uma tabela que me deixou encucado. O lance é o seguinte, na última volta,a 71a., o Glock quase parou e fez o circuito em 1min. 44,7seg., enquanto que a 70a. ele fez em 1min. 28seg e a 69a. em 1min. 18,7seg. De repente o tempo do cara desabou? Se ele tava com pneus secos o desempenho cairia gradualmente, mas justamente na última curva, a 500 metros do fim ele foi ultrapassado pelo pupilo dos ingleses, que não viam um campeão desde 1996, com o trapalhão Damon Hill, da Williams. Eu desconfio. Quem quiser acreditar nas desculpas, pode acreditar, mas eu arrumei um bom argumento pra achar que o Massa pode ser chamado de campeão moral, afinal disso nós entendemos.

A mais: Desde o primeiro campeonato de Fórmula 1, em 1950, a Ferrari ganhou 13 títulos, o primeiro logo em 1952, com Alberto Ascari. Já a Maclaren só ganhou seu primeiro campeonato em 1974, com o Emerson Fittipaldi, e depois ganhou mais 11. Um detalhe importante é o desde 1999 os ingleses não faziam um campeão, enquanto os italianos ganharam no ano passado, com Kimi Raikkonen e mais cinco, todos com o Michael Schumacher, dos últimos dez. Ou seja, se a Ferrari faz outro campeão este ano, a Maclaren ia ficar muito pra trás, ainda mais que o título de construtures também foi pros papa-pizza. Aí num dava, né?

domingo, 2 de novembro de 2008

Juntos de novo

Olhe gente, eu num tenho do que reclamar sobre ter ido pra São Luís ajudar na campanha do Flávio, foi mesmo uma satisfação enorme. Mas senti muita falta do meu Guilherme. Nesses mais de oito anos da existência dele, nunca eu tinha ficado tanto tempo longe.

Quando terminou a eleição eu ainda fiquei mais uns dias pra cuidar dumas coisas finais e aproveitar pra conhecer um bucadinho daquele lugar. Liguei pro Gui e falei que ia demorar mais uns dias pra voltar. Ele foi logo dizendo, com a gaiatice dele: "Pai, tu tá querendo me enrolar é? Fica só dizendo que vem e num vem". Mas logo aceitou que eu ficasse mais um pouco. Quando cheguei de viagem na quinta a noite fui logo me encontrar com ele e ficamos até ele dormir.


Aproveitamos bastante o final de semana, fomos à praia e por isso perdemos a hora do cinema, adiado pro próximo fim de semana; fomos ao Dragão do Mar onde vimos uma exposição do Museu de Paleontologia do Cariri (tema que ele adora, podem acreditar) e combinamos de ver juntos a réplica do Santanaraptor Placidus, que chegará na terça-feira; brincamos juntos e neste domingo fomos pra casa do Luciano, meu irmão, vibrar com o Felipe Massa, que infelizmente não conseguiu ser campeão. Na foto ele tá curtindo o meu computador, o Dedell, e comendo suas uvas-passa. Eita menino preu gostar!

Rei eterno

Na coluna Vertical S. A., do jornal O POVO de ontem, li uma coisa que só me encheu de orgulho. Nem mesmo a enxurrada de bandas de forró manco, como definiu o Hermeto Pascoal, derruta o eterno Rei do Baião, o Mestre Lua, o Gonzagão, o filho de Januário. Podem fazer a gororoba que quiserem, mastruz com leite, com água, mineral ou benta; aviões, gaviões, qualquer bicho ou arremedo de grupo musical ou cantor, que arrumarem num tem qualidade, talento, tradição e principalmente indentidade com o povo, legitimidade pra suplantar a verdadeira trilha sonora do nordeste. Espie aí porque.

"GONZAGÃO REINA O Escritório Central de Arrecadação (Ecad) confirma: Luís Gonzaga ficou em primeiro lugar no ranking dos autores que obtiveram maior rendimento com a arrecadação de direitos autorais nas festas juninas, em 2008. Lamartine Babo e Tato, vocalista do grupo Falamansa, ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente. Gonzagão repete liderança do ano passado. Em nono ficou Dorgival Dantas. O ranking é referente às músicas captadas em festejos populares, escolas, eventos de igrejas e afins. Não contam as músicas tocadas em shows."


Aproveitando a prosa sobre Luís Gonzaga, numa das viagens que fiz este ano ao Cariri, me contaram uma ótima história dele lá em Crato. Certa vez Gonzagão chegou a um banco e o funcionário pediu que ele apresentasse um documento de identidade para provar que ele era o titular da conta. Ele num se vez de rogado e disse: "Meu filho, me arrume aí uma sanfona que eu já lhe digo quem sou eu".

A música e a perna do Saci

O Flávio Paiva, cabra muito do bom, tá encabeçado uma campanha pró-Saci, que eu tô é dentro, e nesta madrugada, que uns bestas tão por aí comemorando um tal de "raluim", eu saúdo nosso Pererê, com o artigo delicioso do cabra d'Independência que saiu no Diário do Nordeste.

"Em uma vasculhada pelo acervo do pesquisador Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez), do jornalista Nelson Augusto, da Rádio Universitária e nas minhas próprias reservas fonográficas, encontrei dezenas de músicas compostas por força da existência do Saci-Pererê. Em todas as décadas do último século, o Saci foi cantado com muita espirituosidade nos mais distintos ambientes da música plural brasileira. Esse fenômeno de expressão de vigor marginal aos interesses dos sistemas dominantes reforça a minha hipótese da perna invisível da cultura, segundo a qual os casos de amputações simbólicas, como o da perna do Saci, estariam relacionados a uma resposta neurocultural de valorização das essências e não das formas ou funções."
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