quarta-feira, 30 de junho de 2010

Marimbondo pra fazer dormir

Quase todas as vezes que o meu filho Guilherme vai dormir na minha casa eu o ponho pra dormir cantando umas músicas que eu sempre gostei e que ele aprendeu a gostar muito. A preferida do meu miúdo é O Menino e os Carneiros, belíssima música que me comove a cada vez que escuto por que me remete aos meus tempos demenino em Sobral. outra que o Guilherme curte demais é Marimbondo, que tem a cearense Marlui Miranda como uma das autoras, junto com o Xico Chaves. Circulando pela internet encontrei essa versão "feita à mão"  cantanda por uma criança. Veja se num é coisa bonita demais de se ver o ouvir até dormir.

Voto de mulher

Em 2004 tive a enorme satisfação de conhecer a socióloga Fátima Pacheco Jordão, uma craque em análise de pesquisas. Tive algumas oportunidades de aprender com a "Pachequinha", como a chamava o Augusto Pontes, outra fera na análise cenários políticos que infelizmente já é finado, muita coisas sobre pesquisas, mas uma das lições mais marcantes foi sobre o papel decisivo das mulheres nas eleições. Fátima nos dizia sempre que as mulheres são as verdadeiras formadoras de opinião, em especial a dona de casa, trabalhadora, que influencia na opinião dos filhos, das amigas, de vizinhos, que é voltada para as questões mais práticas e concretas da vida por conta das condições objetivas em que vive.

Ontem abri meu email e tinha lá uma dica de leitura enviada pelo meu conterrâneo sobralense, amigo de muito tempo e camarada de PCdoB, Gilvan Paiva, que também trabalhou com Fátima. A dica era justamente um artigo da Fátima Pacheco Jordão, publicado pela Agência Patrícia Galvão, falando sobre a definição do voto feminino nas campanhas eleitorais. Não há muita novidades para quem já conhecia as opiniões da Fátima, mas é um manual para qualquer pessoa que deseje entender mais uma razão das mulheres serem tão importantes na vida de qualquer sociedade. Acho que vale a pena você dar uma lida nesse texto onde a Pachequinha aplica seus conceitos ao cenário da batalha eleitoral em curso no Brasil.

Por que as campanhas precisam falar para as mulheres?

Não só porque são maioria do eleitorado e nem porque nesta eleição há duas candidatas competitivas –Dilma Rousseff e Marina Silva–, mas também porque a cada ano ficam mais evidentes as diferenças de percepção e comportamento entre eleitores e eleitoras.

Historicamente tem-se observado que as mulheres aguardam que o quadro de informações das campanhas esteja mais completo, e só se interessam mais fortemente pelas eleições quando o horário eleitoral gratuito começa e os debates entre os candidatos são realizados. Mais ainda, as eleitoras ficam na expectativa de algo que afete diretamente a vida da população, como propostas para a saúde, educação, desemprego e segurança, entre outras. Pela experiência das campanhas anteriores, sabe-se que esse processo de tomada de decisão sobre intenção de voto se dá mais consistentemente durante o período de propaganda eleitoral gratuita.

Clique aqui pra ler mais.

sábado, 26 de junho de 2010

Pra frente é que se anda

Por aqui voltarei só na próxima semana. É que o final de semana vai ser cheio de muitas emoções e vou vou estar quase no olho do furacão, envolvido na fase final de preparação da campanha eleitoral, nas convenções e em algumas articulações. Aqui no Ceará a batalha eleitoral ficou mais animada e muita coisa ainda pode acontecer até o início oficial da disputa no dia 6 de julho.

Minha pretensão é tentar dar conta de alguns acontecimentos, com opiniões e informações interessantes, mas meu objetivo principal é contribuir pra que o Brasil e o Ceará sigam nesse rumo bom que tomaram nos últimos anos. Nada de caminhar pra trás um passo sequer. O nosso povo não merece, nem vai deixar acontecer, retrocesso. Caminhar pra frente é o melhor jeito de caminhar.

Então ficamos combinados. Na segunda estarei de volta.

O futebol daqui é melhor que o de lá

 

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Hoje é dia de festa



O lugar aqui ainda está em obras, mas nordestino que sou, num poderia deixar passar em silêncio esse dia de festa tão importante: a noite de São João. Tenho cada lembrança boa de meus tempos de menino. Sobral ainda era bem miudinha, nas ruas tinha muitas fogueiras na frente das casas, a gente brincava com umas bombinhas tipo traque, calango elétrico, chuva de prata e até umas rasga-latas e uns foguetes que rasgavam o céu e explodiam lá em cima. Agora me bateu uma saudade danada que se mistura à emoção e à ausência de tudo isso nos dias de hoje. Fique então com esse trio nordestino, Marinês, Dominguinhos e Gil, e sinta-se na mais deliciosa festa, nesta noite mais nordestina do ano.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Deus é brasileiro, agora eu sei

Há muito se fala que deus é brasileiro e cada um tem sua justificativa pra tal crença. Eu, que num boto muita fé no divino, acho que, pelo menos no mundo da copa de futebol foi possível comprovar isso. O fato aconteceu no jogo Brasil x Costa do Marfim, mais precisamente no segundo gol do Luis Fabiano. E já explico o motivo dessa minha conversão, mas vou ter que contar com a ajuda de uns vídeos e também terei de falar de acontecimentos passados em outra copa de futebol, a do México, em 1986.

Naquele tempo, quando o time do Brasil era apenas uma sombra envelhecida da nata futebolística que encantou o mundo na Copa da Espanha, mas que desabou frente à Itália (acho que ali o divino se aliou com os amigos da turma papal), o campeonato mundial de seleções de futebol foi vencido pelos argentinos, sob o comando dum cabra canhoto de vinte e poucos anos chamado Diego Armando Maradona. Antes de chegar à final, los hermanos descontaram parte da raiva que têm até hoje dos ingleses metendo dois gols no time da rainha. Tais gols foram marcados justamente por aquele que hoje comanda a seleção argentina. Um deles Maradona fez só, sozinho mesmo, desde a hora que pegou a bola no meio campo e foi deixá-la embolada na rede, depois de traçar quase todos britânicos. Já o outro, como ele mesmo disse, contou com a ajuda de deus, mais precisamente da mão de deus, como você pode ver no vídeo abaixo.



Pois é, depois desse jogo a Argentina pegou a Alemanha na final e ganhou seu segundo título em copa do mundo de futebol, apenas oito anos depois de ter ganho o primeiro. (Tive certa dúvida sobre que verbo usar para definir a ação que aconteceu na Argentina em 1978 já que assisti pela TV aquele campeonato, que ajudou a manter os milicos oprimindo o povo argentino por mais alguns anos. Usei ganhar, porque não poderia usar conquistar, já que ali houve algo que desvalorizou a premiação, particularmente no jogo Argentina x Peru. Mas aí é outra história, que aliás está sendo contada de verdade por um jornalista argentino que resolveu remexer naquela história mal contada). Bom, voltando então aos tempos mais pra cá, desde aquela ajudinha divina a Argentina nunca mais ganhou Copa do Mundo, mesmo tendo disputado a final de 90 contra a mesma Alemanha, que devolveu a derrota de quatro anos passados.

Nesta copa africana a Argentina chega de novo como favorita e dessa vez é mesmo forte a possibilidade deles acabarem o jejum de 24 anos. Além deles, a Holanda parece que pode ganhar sua primeira copa mundial de futebol. Mas hoje o Brasil se apresentou com jeitão de campeão e, se isso acontecer, vai ficar com três vezes mais títulos que os argentinos. Vamos ter mais um motivo pra tirar muito zarro deles. E mais, deus veio pro lado de cá. Duvida? Pois veja esse vídeo abaixo e me diga se não tenho razão. Me diga se o gol do Luis Fabiano não é muito, mas muito mesmo, mais bonito do que o do Maradona. No gol argentino, deus ajudou só com uma mão, no brasileiro foi com duas. Naquele tempo o juiz nem viu o gesto divino, desta vez o juiz não só viu, como fez questão de dizer pro goleador. E por que será que ele não anulou o gol? Eu acho que ele só pode ser um homem de muita fé, temente a deus, a quem jamais iria se contrapor. E mais, anular uma pintura daquela só por que a bola bateu também na mão, e não apenas no pé do jogador, como é o mais comum, seria o mesmo que destruir uma bela obra de arte por conta de um pequeno arranhão, incapaz de comprometer sua beleza. Tá duvidando do que eu afirmei, pois dê uma espiadinha nesse vídeo abaixo e tente mudar minha opinião, se for capaz.




Como disse um amigo meu, no ritmo que as coisas podem seguir nesta copa, com o Brasil ganhando jeito pra arrastar o hexa e as seleções africanas sem corresponderem no futebol, nas próximas fases, ao invés de se escutar "bafana, bafana", além da zoeira das vuvuzelas, o som que virá da torcida vai ser de que a seleção brasileira estará "abafando, abafando".

domingo, 20 de junho de 2010

Você conhece a Costa do Marfim?

Você acha que o Drogba é o cara mais famoso de Costa do Marfim? Ou pelo menos se ele é o "marfinense" mais famoso sozinho? Você gosta da música da Costa do Marfim? Conhece a música de lá? E acha que o chocolate que comemos aqui tem algo a ver com a Costa do Marfim?

A Eliana Ada, criatura gente fina demais, que gosta de gatos e de escrever umas coisas suas num blog, andou juntando um monte de informações sobre aquele país que perdeu pro Brasil na Copa da África. Acho que vale a pena você ler, afinal aquela "zanga" que a gente ficou dos caras porque eles trataram com dureza os meninos do Dunga, provocaram a merecida expulsão do Kaká e ainda meteram um golzinho no final da partida, já deve ter passado e nunca devemos esquecer que a copa é também uma oportunidade pra gente saber mais sobre outras gentes que vivem nessa parte do universo, ainda mais sendo gente africana, tão mal tratada pelos que lemos, vemos e escutamos por aí.

Veja um pouco do que diz a Eliana e leia o resto indo lá no blog.

Costa do Marfim: que merda foi a colonização

Procuro conhecer a Costa do Marfim. Malogro. Não há uma só palavra confiável na internet. Vejo menções sobre rebeldia e apartheid, mas nenhum link me leva aos fatos. Chocante não conseguir ver e ouvir o povo da Costa do Marfim. Apenas o que os colonizadores franceses e a mídia conivente escrevem sobre.


A Costa do Marfim é um país africano que foi colonizado pela França e na “Partilha da África”, onde alguns países europeus ficaram com partes da África, não consideraram a cultura existente no continente. Óbvio! É esta parte que gostaria de descobrir. Mas há devastação da colonização. E depois do capital. Ah! O capital! E não consigo encontrar a cultura das diversas tribos, e nem noticias sobre seus conflitos étnicos.

Costa do Marfim, dita em francês fica Côte d'Ivoire. Vergonhosamente até o nome do país muda e a sua pronúncia é exclusiva do colonizador francês e precisa fazer o “biquinho” para falar. O idioma oficial é o francês: 76% da população fala predominantemente a lingua francesa e apenas 4% da população é de origem não africana. Depois falam o diula e o baulê, vai "sabê".

Mas o nome Costa do Marfim é uma referência ao grande número de elefantes que existia na região. A caça de elefantes e o comércio de suas presas se intensificou a partir do século 15. Hoje, eles podem ser vistos no Parque Nacional Comoé, patrimônio natural da humanidade. Que triste fim.

Leia mais ... e aproveite pra ver o vídeo abaixo dum marfinense também famoso.


sábado, 19 de junho de 2010

Voveus

dois
josé clodoveu
de arruda coêlho

dois
sobralenses

dois
advogados

dois
formados na
mesma faculdade

dois
intelectuais

dois
avôs amados

cada um
em seu tempo

cada um
com seu estilo

o meu avô, clodoveu
o meu irmão, veveu

sexta-feira, 18 de junho de 2010

José por Saramago

Saber mais é algo que a vida ensina com o tempo. Viver mais é um jeito que se dá pra nunca deixar de viver. Saramago ficou pra sempre entre nós em seus livros, por suas ideias e por suas visão de mundo. O seu evangelho considera que o homem está acima de suas próprias criações, necessidades, a altura de sua existência e de seus sonhos. Ao falar na entrega do Prêmio Nobel de Literatura resumiu o que, até então, houvera escrito em sua obra. Li muitas vezes esse discurso e nele sempre é possivel encontrar algo mais. Sugiro que você o leia, e depois leia sua obra, caso não o tenha feito.

"O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia, Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo. Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animalzinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda que fossem gente de bom carácter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável. Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que accionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado. E algunas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: "José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira." Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para todas as pessoas da casa, a figueira. Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava... No meio da paz nocturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direcção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia. Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: "E depois?" Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas. Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tijela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranquilizava : "Não faças caso, em sonhos não há firmeza". Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quanto o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos. Outra coisa não podería significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer". Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolaçao da beleza revelada. Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprios filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver".

Leia mais ...

E agora, José?


'Acho que na sociedade atual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objetivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objetivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma'.






segunda-feira, 14 de junho de 2010

A alegria do hexa na África

Neste mesmo lugar já contei, acho até que por mais de uma vez, como torci pelo Brasil na Copa de 70, junto com meus irmãos mais velhos. Aqui também já disse poucas e boas sobre o Dunga e sua cabeça dura quanto ao jeito brasileiro de jogar, o que deixou muita gente até com medo do Brasil não disputar a Copa da África. Um parêntese: Você já percebeu que é primeira vez que se fala numa Copa de Futebol de todo um continente, mesmo sendo realizada apenas em um só país? A África, de norte a sul, de leste a oeste, se sente representada pela "Do Sul". É coisa bonita demais, né?

Bom, idependente do futebol travado que a seleção atual joga, o fato é que a danada tá lá, na África, disputando a Copa, e pelo visto pode mesmo ser campeã. Talvez todo o futebol, com algumas exceções, tenha ficado desse jeito meio feio e eu é que fico querendo mais. Agora vale mesmo é o resultado, acima de tudo. E se a gente lembrar que há um ano o Brasil ganhou, ali mesmo na África, a Copa das Confederações, ganhou a Copa América e se classificou superbem, aí é que a esperança aumenta.

Pois eu vou torcer cheio de vontade de ser hexa e, finalmente, aumentar o número de estrelas na minha camisa amarela. É que minha canarinha ainda tem apenas quatro estrelas. Não atualizei, nem comprei outra e por isso quero logo é acrescentar duas. Esse ano tem mais um motivo pra torcer pelo hexa: quero compartilhar com meu filho Guilherme essa alegria. Em 2002 ele tinha apenas dois anos e nem se deu conta do penta. A tirar pela alegria dele ao completar o álbum de figurinhas da copa, cada vitória do Brasil vai ser cheia de muita emoção do meu miúdo. E nada me alegra tanto quanto vê-lo muito alegre. E se imaginar que a alegria vai se espalhar pelo Brasil, aí a alegria fica infinita.

Então é isso. Vamos torcer pelo Brasil, jogando feio ou bonito, é o nosso time em campo. Hexacampeão o Brasil ficará feliz. A outra grande alegria a gente vai viver mais na frente, em outubro, com o Brasil seguindo o caminho do progresso, do bem estar social, da democracia, da soberania, que optou há quase oito anos, quando a alegria do penta se espalhou pelo país inteiro.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Uma mulher que merece

Dolores, Zelinda e Luiza, as meninas, como elas se autodefinem

Uma gargalhada como essa da D. Dolores Feitosa a gente quase escuta só de olhar a foto, né? Pois ela uma criatura que todo mundo quer bem e razão é o que não falta. Vou dizer as minhas: pra começar vale o bairrismo, é sobralense, o que já muito. Quer mais? É destemida desde muito tempo. Na época que os generais "ensombrearam" o Brasil ela, junto com as outras duas meninas aí da foto, Dona Zelinda Torres e Dona Luiza ( que nos deixou no início do ano), ia pra rua junto com os jovens, participava de passeatas, "obrigava" padres a deixararem igrejas abertas para acolher os estudantes quando a repressão baixava o pau, e, como ela conta, "passava talco no cabelo pra polícia pensar que eu era uma velhinha entre os meninos que faziam manifestações".

Dona Maria Dolores de Andrade Feitosa num parou quieta na vida e junto com seu Joaquim Feitosa, amor de sua vida, é uma das pioneiras na luta ambiental do Ceará. Aos 85 anos, além de fazer palestras, participar de muitos eventos sobre ambientalismo e biodiversidade, preside a Fundação Bernardo Feitosa, o Museu Reginal dos Inhamuns, e ainda faz trabalhos sobre arqueologia e palentologia.

Por tantas razões assim, a Medalha Chico Mendes, concedida pelo Estado do Ceará pra quem se destaca na defesa do meio ambiente, este ano só podia ir pra essa criatura incrível e eu vou dar um afetuoso abraço em Dona Dolores logo mais, na Assembléia Legislativa. Além de parabenizá-la quero sorver um pouco dessa fleuma dessa gente que ri, tem gana, tem raça, tem força, sempre!!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mais de 70 anos em 30 segundos

Na semana passada, durante um planeamento da próxima campanha eleitoral do deputado federal Chico Lopes, do PCdoB, os participantes ajudaram a construir uma linha do tempo com os principais fatos que marcaram a trajetório do dito cujo. Pois a turma achou pouco registrar a carreira política do Chico e resolveu começar do começo mesmo, do ano que o cabra nasceu. Vendo aquele quadro cheio de fatos que marcaram a vida não só do camarada, mas também a história do Brasil e a vida de cada um que estava ali, busquei a Sonynha pra gravar em 30 segundos quase um século. O resultado é meio impressionante. Esse cara, o Chico Lopes, tem uma vida marcante mesmo e sua trajetória se confunde com parte do que viveu o Brasil, seu povo e o PCdoB, com seus 88 anos de existência.

A qualidade do vídeo não ficou muito legal, por isso vale pausar de vez em quando para ler os cartões com a informação sobre cada fato histórico ou pessoal relacionado ao deputado que tem a cara do povo.

domingo, 6 de junho de 2010

Minha terra tem palmeiras e um céu lindo demais

Ontem viajei da serra pra praia, de Alcântaras pra Camocim, na trilha de reuniões do PCdoB. Mas sabe como é, a reunião nem sempre começa na hora e sempre termina depois do combinado. A primeira tava prevista pra terminar às 15,30h e assim eu chegar na segunda as 18h. Sorte minha porque mesmo atrasado não resisti em parar umas três vezes na estrada pra fotografar. As sombras da noite já começavam a chegar, o sol começou a se misturar com as carnaubeiras e as cores se misturavam no céu. Veja só o que vi.


sábado, 5 de junho de 2010

Yes, somos amigos até hoje

Já que estou em Sobral, pelo menos por mais 3 horas, resolvi matar saudades duma música que conheci aqui, há mais de 30 anos, junto com minha turma adolescente. A gente gostava muito de música e onde encontrasse algo legal tratava logo de buscar conhecer melhor. Até lembrei duma história, das muitas que vivemos naquele final dos anos 70, relacionada a um disco do Yes.

Em 1977 fazíamos a 7ª série, no Colégio Sobralense e, de vez em quando, parte da turma ia estudar na casa de um colega. Certa vez na casa do Zé Ricardo, cujo irmão Júnior, também estudava com a gente, conheci o clássico disco Close to the Edge, da banda inglesa Yes. Fiquei maravilhado com o LP e tratei de espalhar a boa nova musical. Mas o Ricardo não gostava muito daquele som e até topava trocar por algo "mais pesado". O João Rodrigues, também da turma, e fissurado por música, tanto é que virou músico e compositor, também gostou do disco e propôs uma troca com um outro do guitarrista albino Johnny Winter, que era pacada mesmo. O Zé topou na hora e lá fomos o João, seu irmão Fernando, o Nildão e eu lá pra casa dos dois manos pôr o disco na vitrolinha portátil e curtir sentados na área de entrada aquela bolachona mágica que tem apenas três grandes músicas: And You and I, Siberian Khatru e a faixa título Close to the Edge, cada uma a mais bonita.

A vida gente era um pouco assim, cheia de muita música, curtida de maneira simples e sustentada numa amizade que tem força até hoje. Curta então essa bela canção cujo vídeo busquei lá no Blog do Adeodato, outro que faz parte dessa turma eterna.

Berro Dágua nasceu em Sobral

Desde ontem à noite estou em Sobral de passagem para Alcântaras e Camocim, onde acompanharei as seções municipais da convenção eleitoral estadual do PCdoB. Aí não tem jeito, chego aqui e me dá logo vontade de falar sobre a minha sobralencidade, chamegar com minha mãe, meu pai, minhas irmãs ( os irmãos estão todos morando em Fortaleza), a sobrinhada que mora aqui e acariciar esse lugar que num me deixa nem falar porque já fico logo emocionado.

Pois quem pensava que Sobral havia "inspirado" apenas Albert Einstein em suas pesquisas para a comprovação da curvatura da luz e da Teoria da Relatividade, estava enganado. Eu desconfio que o ator Wilson Aguiar, que nasceu na vizinha Massapê, do meu amigo Francinet (.com.br), e é tio da Bida, minha cunhada, andou se inspirando no João de Apolo, que ainda vive "bem velhinho", como me relatou minha irmã Maria, pra fazer o Nezinho do Jegue, no Bem Amado. Do mesmo jeito que personagem esculhambava o Odorico Paraguaçu depois de "tomar umas", o sobralense, com seu paletó malamanhado e sua surrada pasta 007 cheia de recortes de jornal velho, botava baixava a lenha em figuras como o folclórico e habilidoso político sobralense Zé Prado.

Agora o escritor Afonso Romano de Sant'Anna atiçou meu bairrismo ao revelar mais uma inspiração sobralense. Em artigo publicado no Diário do Nordeste ele fala sobre o livro "A morte e a morte de Quincas Berro Dágua", inspiração do filme que estreou dia desses, e revela mais uma razão pra que tenha orgulho de ser sobralense. Diz ele lá: "o verdadeiro nome de Quincas, não é Joaquim Soares da Cunha como solipsisticamente o disse o romancista baiano. O Quincas real tinha, aliás, um nome muito mais mítico, pois se chamava Plutarco, cabo Plutarco. E já que estou rasgando os véus da ficção e da realidade avanço mais: o nome do Quincas/ Plutarco era esse: Wilson Plutarco Rodrigues Lima e nasceu em 1920, em Sobral".

Como dizia o saudoso Eusélio Oliveira, gostou ou não gostou? Pois é Jorge Amado, como você vai ler na postagem aí embaixo, inspirou-se num farrista conterrâneo que botava boneco lá no Rio de Janeiro. Tá certo que um cabra pinguço não é lá exemplo pra ninguém, nem motivo de orgulho, mas também ninguém vai ignorar que essas criaturas também ajudam a compor a crônica social de um povo, ainda mais um povo cheio de histórias como o nosso brasileiro.


Post post: tenho de compartilhar o crédito dessa postagem com meu amigo Gilvan Paiva, que viu o artigo do Sant'Anna e me chamou atenção. O Gil também tem um blog e vale a pena você ir lá.

O Berro Dágua de verdade

Enquanto buscava mais informações para a postagem aí de cima achei um artigo do jornalista e escritor Edmílson Caminha publicado no jornal onlaine da Casa do Ceará, em Brasília. Vale a pena você ler e saber um pouco mais sobre essa inspiração do Jorge Amado.

A verdadeira história de Quincas Berro Dágua No posfácio que escreveu para a nova edição, pela Companhia das Letras, do A morte e a morte de Quincas Berro Dágua, de Jorge Amado, Affonso Romano de Sant'Anna surpreende muitos leitores ao afirmar que a célebre personagem do romancista baiano existiu mesmo: chamava-se Cabo Plutarco, e repousa no carneiro nº 6059 do Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro.

Pura verdade, mas Affonso não contou toda a história... Quem o fez (com direito a foto e tudo, pa
ra que ninguém duvide) foi o escritor cearense José Helder de Souza (o senhor da foto ao lado, falecido há pouco tempo, em Brasília), num livrinho precioso com o título Cabo Plutarco, o Berro d’Água, que pouca gente leu, publicado que foi em Fortaleza pela Imprensa da Universidade Federal do Ceará, em 1982. A figura tinha por nome Wison Plutarco de Lima nascido em 1920 no município cearense de Sobral. Berro Dágua, portanto, não era baiano coisa nenhuma, mas natural da cidade em que Ciro Gomes iniciou sua carreira política. (Já que falamos nela, Sobral entrou para a história da ciência, pois lá, no dia 29 de maio de 1919, comprovou-se experimentalmente, pela primeira vez, o desvio da luz, conforme previsto por Einstein na Teoria da Relatividade. Mas isso é outra história...)

Emigrado para o Rio, Plutarco serviu como cabo no lº Batalhão de Caçadores de Petrópolis. Mas sua verdadeira e profunda vocação era a boêmia, a farra, a que se entregou com intensa devoção na companhia de bebuns que frequentavam a Galeria Cruzeiro, no centro carioca. Para que se tenha ideia dos pinguços, um era conhecido por “Marechal de Fezes” (alusão a Floriano Peixoto, o Marechal de Ferro), e outro, certamente por haver pertencido à Marinha, pela edificante alcunha de "Capitão de Mar e Merda"... A turma, como se vê, era um tanto próxima dos militares... Um terceiro gabava-se de viver desempregado há 42 anos, sustentado pelos colegas de mesa. Recorde capaz de ofender um Jorginho Guinle, que se orgulhava de jamais haver metido um prego quente numa barra de sabão...


Conta Zé Helder que Plutarco, certa vez, viajava do Rio para Fortaleza em um navio, ao encontro dos pais. Na escala em Salvador, o passageiro caiu na gandaia e esqueceu-se de voltar a bordo, perdido de amores pelas meninas da Cidade Baixa. Sorte dele: o navio chamava-se “Baependi”, posto a pique no litoral pernambucano por torpedos alemães. Em Fortaleza, a família chorava a morte do Cabo quando recebe um cabograma com o aviso de que perdera o navio, mas que tomara outro e já estava a caminho...

De tanto beber, Plutarco morre em abril de 1950 no Rio de Janeiro, aos 30 anos de idade. Durante a despedida, os amigos começam a beber em memória do companheiro que partia, como narra o pesquisador cearense: “Já com muitas doses de cana no bucho, os vapores subindo à cabeça, aqueles rapazes desprendidos, aquela gente folgazã só podia mudar a feição triste do velório, a tal ponto que a certa altura o próprio defunto passou a ter direito também às suas doses,o gargalo da garrafa enfiado na boca. No desvario, já no pingo da madrugada, as garrafas vazias e a sede e a vontade de beber mais aumentando, os participantes daquela sentinela singular dispuseram-se a sair e ir buscar mais bebida. Injusto seria lá deixar sozinho o companheiro morto, e ele assim foi aluído do caixão e carregado em pé, um amigo de cada lado amparando-o pelo sovaco ou passando-lhe um dos braços pela nuca. Lá se foram pelo bucho da madrugada em busca de um bar, um daqueles que não têm hora para fechar suas portas.”
O dia já amanhecendo, põe Plutarco de volta no caixão — não sem antes tirar-lhe o paletó e os sapatos novinhos, comprados para que tivesse um entero decente. Afinal de contas, ao contrário deles, o amigo não precisava mais daqueles luxos... E assim o Cabo Plutarco subiu aos céus ou baixou aos infernos, ninguém jamais saberá, nos mesmos trajes com que viera ao mundo: completamente nu.

Essa história, Jorge Amado a ouviu em Fortaleza, em 1958, na caymmiana “Boate Maracangalha”, que não era propriamente uma boate, mas a residência do Dr. Zequinha de Moraes, advogado e agrônomo (ou “agrobacharel”, como se lia na placa que, por gozação, um amigo pusera na fachada...) Incompatibilizado com os donos de botecos próximos, Zequinha realizara o sonho de todo bebun: ter um bar na própria casa para receber os amigos... Frequentado por jornalistas e escritores, ali foi ter, uma noite, o então jovem romancista
Jorge Amado, a quem contaram as peripécias que, em 1959, a revista Senhor publicaria como protagonizadas por Quincas Berro Dágua. Em 1981, ao receber em Fortaleza o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Ceará, o próprio baiano revelou: “Homem de muitos amigos, tenho aqui, como em toda parte do Brasil, mesa posta em muitas casas e um copo à minha espera na confraria noturna dos últimos boêmios. Foram esses amigos que ainda vivem a aventura e o riso que me forneceram a idéia inicial de uma das minhas histórias mais divulgadas e melhor consideradas. Refiro-me à "Morte e a morte de Quincas Berro Dágua". Esse vagabundo dos becos e ladeiras da cidade da Bahia, que hoje trafega mundo afora em mais de vinte línguas, em trinta países, que virou peça de teatro, balé, programa de televisão. Quincas Berro Dágua foi gerado em Fortaleza, onde brotou a idéia desse pequeno romance. Deram-me notícia de caso acontecido quando da morte de um boêmio, contaram-me como a solidariedade dos amigos prevaleceu na hora da ausência e transformou a dor da despedida em festa.”

Essa, a verdadeira história do cearense Wilson Plutarco Rodrigues Lima, o Cabo Plutarco, o Quincas Berro Dágua de Jorge Amado, essa pequena obraprima da literatura mundial, tão cheia de vigor e de beleza quanto O velho e o mar, de Hemingway, e Bartleby, o escrivão, de Melville. Em homenagem a todos eles, ergamos os copos e entoemos em uníssono, como diz o meu amigo, e parceiro de chope, Afreimar Queiroz: “Bebamos a isso!”

terça-feira, 1 de junho de 2010

Por dentro da pré-história.

No último final de semana viajei pela primeira vez com meu filho Guilherme (na foto acima matando sua curiosidade) e uma turma do seu colégio. O programa do colégio é chamado de Viagem Educacional e nosso destino era Mossoró, ali no Rio Grande do Norte, cuja atração são suas águas termais. A cidade é marcada pela presença da Petrobrás - se não me engano é ali a maior área de extração de petróleo no continente - e sua história tem a marca da passagem de do Capitão Virgulino Ferreira Lampeão e seu bando. Ali o Capitão cometeu um dos dois erros graves de sua vida - entrar numa cidade grande, longe do mato, onde se armou uma resistência organizada que o derrotou - mas a cidade parece que se rende em homenagens a tirar pelos enormes painéis expostos numa praça onde estão além de Lampeão, Dona Maria, Corisco e outros cabras.

Pensei que o encanto maior fosse o Museu do Petróleo, onde se vê toda a interessante descoberta do óleo na cidade, que saia pelas torneiras das casas, e o Hotel Thermas com suas piscinas de águas quentes. Nem gostei tanto de ficar dentro dágua num calor danado. De noite até que é legal ficar de molho a mais de 40 graus, mas de dia, no meio do sol, é uma coisa muito doida mesmo. Meu encanto mesmo, e do Guilherme, foi o Lajedo da Soledade, um lugar onde o sertão já foi mar e hoje é uma incrível sítio arqueológico.

Sempre me emociono quando vou a um lugar onde aconteceram fatos históricos marcantes. Pra mim é demais mesmo estar num canto que só conhecia por leitura e estudo. Mas nunca tinha ida ao lugar como aquele. Imaginar que naquele lugar, há milhares de anos, seres humanos começavam a habitar essa terra, a constituir uma cultura simplória para os dias de hoje, mas extremamente complexa para aquelas pessoas ainda muito primitivas, é algo formidável. Também dá um certo orgulho sentir que nesse canto aqui, ao sul do nosso mundo, fomos pioneiros nas realizações humanas, a semelhança do continente africano.

O Guilherme ficou, tal qual o pai, maravilhado e achei muito bonito ele querer assinar o livro de visitas pela segunda vez. Entendi porque ele, que tanto gosta de arqueologia, apesar de seus ainda 10 anos, ter insistido tanto em voltar àquele lugar onde estivera no ano passado. Dessa vez vez questão de me ter ao seu lado e isso me deixou ainda mais feliz.

Ao longo da visita, que durou menos de uma hora - o sol e o calor não permitem que se fique ali por muito mais tempo, mas ele e eu combinamos de voltar para visitar todos os lugares onde não fomos -, conhecemos lugares que há 90 milhões de anos (!!!!!) eram o fundo do mar, vimos formações rochosas que registram anos de muita ou pouca chuva, andamos por pequenos canyons onde circularam nossos ancestrais e, o mais incrível, vimos pinturas rupestres que permitem observam como os primeiros seres humanos registravam suas observações da natureza, suas atividades em busca da sobrevivência, a caça em especial, e um emocionante registro das primeiras elaborações de raciocínio expressas em desenhos aparentemente muito simples mas lotados de formulações e talvez as primeiras noções de conjunto, simetria e organização de ideias. Sinceramente, emociona imaginar aquelas pessoas fazendo tudo isso usando uma tinta feita à base de minério de ferro e gordura animal.

Não sei quantas vezes mais ainda voltarei àquele lugar e irei a outros como a Serra da Capivara, no Piaui, da Domaducarmo, minha mãe, e em Santana do Cariri, aqui no meu Ceará. Por perto da minha Sobral e na Serra da Ibiapaba também tem uns sítios arqueológicos, mas ainda não há nada organizado e tudo ainda é muito pouco pesquisado e estudado. Mas não é de se estranhar que isso ocorra num estado, que, como outros, decretou a inexistência de índios já no século 19. Imagine quanta bobagem, né? Nossos povos primeiros ainda estão vivos e por aqui, lutando por sua afirmação. Nessa semana mesmo um índio tomou posse como vereador do PCdoB lá em Crateús, onde o prefeito também é camarada meu. Vou querer ir nesses lugares e, com cetrteza levarei meu Guilherme, que não larga de ser menino brincalhão, mas já se apega a essas coisas de gente que quer saber como nos formamos como gente, habitamos essa terra e a compartilhamos com os demais seres vivos.


"Eles chegaram atirando"

O ataque do governo bandido contra uma frota de navios que levava 10 toneladas de ajuda humanitária para socorrer a população da Faixa de Gaza, na Palestina - veja aqui o que Israel fez na região há pouco de um ano - mereceu uma condenação bem forte em todo o mundo. Lógico que não houve unanimidade porque os Estados Unidos, com Obama e Cia (vale o trocadilho), além de alguns fantoches seus se recusam a combater o terrorismo sionista. Aliás os gringos nem acham que Israel tenha um governo terrorista, muito pelo contrário, pra eles aquilo ali deve ser um exemplo de democracia e seus governantes merecem até homenagens por seus esforços pacifistas.

Aqui no Brasil o nosso governo pensa de diferente e, além de condenar a bandidagem sionista, defende uma ação enérgica contra aquela estupidez. Aliás não vi nenhuma declaração do Serra sobre esse episódio, mas contra a Bolívia ele solta a língua, né? Um covarde. Até a domesticada ONU condenou o ataque e, logicamente, os bandidos israelenses não aceitam a condenação e ainda dizem a organização foi "precipitada, sequer houve um tempo de reflexão para considerar todos os fatos". Dizem que apenas reagiram em legítima defesa.


Mas dê uma olhada nesse vídeo acima e veja também o que disse a brasileira Iara Lee, que está presa em Israel, acusada de invadir ilegalmente o país:"Esperávamos que eles dessem tiros na perna, tiros no ar, só para aterrorizar as pessoas, mas foram direto. Eles atiraram na cabeça dos passageiros". Pra ouvir a entrevista todinha clique bem aqui, porque eu não consegui postar o áudio devido minha ainda limitada habilidade técnica nessas ferramentas internéticas.

Agora aqui pra nós, num é muito estranho que esse ataque tenha acontecido justamente quando o Brasil e a Turquia, de onde partiu a maioria dos navios, ajustam um acordo com o Irã sobre a questão nuclear? Você num acha que Israel tá, mais uma vez, cumprindo o papel de instrumento de desestabilzação do Oriente Médio? Eu acho.


Aproveite pra prestar sua solidariedade aos palestinos exigindo rigorosa apuração das responsabiliades e o fim do bloqueio sionista contra a Faixa de Gaza. Clique aqui e assine.