quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Alguns petistas precisam aprender melhor com Lula

Lula apóia Pedro Bigardi, do PCdoB, em Jundiaí(SP)
Bom dia, amigas e amigos. Hoje li, com muita surpresa, que o deputado petista Antonio Carlos e o Elmano de Freitas afirmaram que o PCdoB, por ter decidido apoiar o candidato Roberto Cláudio, do PSB, a prefeito de Fortaleza no segundo turno está ao lado dos inimigos de Lula, feita ontem em Jundiaí, usa um adesivo 65 e ergue o braço do candidato a prefeito daquela cidade, Pedro Bigardi, por sinal um ex-petista que optou por vir para o nosso partido. 

Os dois petistas parece que se esquecem que tanto o PT como o PCdoB são partidos nacionais, com atuação em todos os estados brasileiros e têm autonomia para decidir como devem se posicionar diante de cada circunstância. O que não se pode conceber é o hegemonismo, que supõe ter todos os aliados sob seu tacão, limitando o direito soberano e democrático da divergência. É isso que permite aos dois partidos terem posições convergentes em diversas cidades brasileiras e noutras, divergentes. 

Em São Paulo, onde se dá a disputa de maior impacto para os destinos do país, a comunista Nádia Campeão é a vice de Fernando Haddad, depois que a deputada Luiza Erundina, uma ex-petista, recusou a aliança ampla que se fez lá para derrotar os tucanos. Em Salvador e em Rio Branco os comunistas também estão na vice. Já em Manaus, onde o PCdoB disputa o segundo turno, o vice é do PT, e em Florianópolis, o vice da candidata do PCdoB, Ângela Albino era do PT, o ex-comunista, Nildão. Já em outras capitais disputamos em campos distintos. Em São Luis, enquanto o PT disputou o primeiro turno com Washington Luiz, atual de vice-governador de Rosena Sarney, o PCdoB disputa o segundo turno com o deputado Edivaldo Holanda, do PTC, e indica o vice. Em Curitiba também apoiamos dois candidatos diferentes. No Recife também estivemos em campos distintos e o vice eleito é o deputado Luciano Siqueira, que já foi vice-prefeito, por duas vezes, do petista João Paulo. Em Contagem, uma das maiores cidades mineiras, o candidato Carlin, do PCdoB, deverá derrotar o atual prefeito petista Durval com quase o dobro da votação. Aqui no Ceará estivemos juntos com Veveu, do PT, em Sobral, mas ali do lado, em Santana do Acaraú o PT apoiou o candidato da situação, apoiado pelo prefeito cassado, e juntos foram derrotado pelo candidato comunista. Exemplos são muitos.

Essa é a realidade de um país continental, cheio de peculiaridades regionais e locais, que levam os atores políticos a fazerem leituras diferenciadas, de acordo com suas visões próprias, com seus objetivos táticos e estratégicos. O importante é que se preserve a lealdade ao projeto nacional em curso no país, que tem grande repercussão interna e externa, e especialmente o respeito à autonomia política de cada partido integrante do amplo espectro de forças que ajudaram Lula e hoje ajudam Dilma a dirigir o Brasil. Essa não é uma tarefa exclusiva do PT, nem do PCdoB ou de qualquer outro partido. Lula disputou três vezes, sem sucesso, a Presidência da República e só conseguiu sua eleição na quarta vez quando ampliou a aliança partidária, tendo como vice José Alencar, o maior empresário têxtil nacional, um burguês capitalista, que conquistou o pais por suas posições desenvolvimentistas e nacionalistas. Dilma tem como vice Michel Temer, do PMDB, que era Presidente da Câmara dos Deputados no primeiro governo FHC, a quem ajudou a fazer a reforma constitucional que golpeou profundamente os interesses da nação. 

As alianças que o PCdoB e o PT fizeram nestas eleições preservam os interesses maiores do Brasil e do povo brasileiro. Portanto, prezados, mais serenidade, bom senso e respeito. Os comunistas não largaram seus compromissos históricos apenas porque não estão no mesmo palanque que os petistas em Fortaleza. Perguntem ao Lula e ele lhes ensinará.

Texto publicado no Facebook no dia 20 de outubro.

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