quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Mandela, além das palavras

Mandela (o mais alto), ao lado de outros jovens revolucionários africanos
Continuo minha conversa quase diária, na hora de dormir, com Nelson Mandela através do seu último livro, Conversas que tive comigo, onde são transcritos trechos de suas cartas, entrevistas e documento. Hoje transcrevo o trecho de uma carta dele para sua então esposa, Winnie, do dia 20.06.70, que serve muito pra uma moçadinha que se acha muito danada, gosta de falar bonito, mas na hora do pega pra capar derrapa na inconsequência, não vai além do discurso.

"Há um estágio da vida de todo reformador social em que ele troveja nas tribunas, primeiramente para se aliviar dos fragmentos de informação indigesta acumulada em sua cabeça; é mais uma tentativa de impressionar as multidões do que iniciar uma esposição calma e simples de princípios e ideias cuja verdade universal se evidenciou por meio da experiência pessoal e do estudo mais aprofundado. A esse respeito não sou exceção e tenho sido vítima da fraqueza da minha geração, não uma, mas cem vezes. Preciso ser franco e lhe dizer que, quando volto a ler alguns do meus primeiros escritos e discursos, fico abismado com o pedantismo, a artificialidade e a falta de originalidade. A ânsia de impressionar e fazer alarde é evidente". 

Mandela, mais uma vez, mostra sua extrema simplicidade e modéstia ao reconhecer suas limitações, quando lhe faltava maior preparo para dirigir a luta do seu povo. Suas lições neste texto valem para os mais jovens, os iniciantes, mas também pra muitos que se satisfazem com o que já sabem, se acham suficiemente capazes de dar conta de tudo. Da minha parte, prefiro aprender diariamente, inclusive com os mais jovens e inexperientes. 

2 comentários:

ana claudia disse...

Querido Inácio, escrevo-lhe esta... (rs)

... para dizer que as cartas (essas escritas de próprio punho) não mentem. rs

belo post.

Beijo.

claudiogonz disse...

Grande Inácio
Essas "pílulas" de sabedoria do Mandela valem mais que uma dezena de livros de auto-ajuda. Fiquei com vontade de ler este livro, vai ser minha próxima aquisição. Depois que assisti ao filme Invictus, minha simpatia pelo Mandela só fez aumentar.
Abraços amigos
Cláudio Gonzalez