segunda-feira, 11 de julho de 2011

Veveu: “Gostar muito de Sobral é a nossa definição”

Advogado, 53 anos e filiado, desde 1988, ao Partido dos Trabalhadores, José Clodoveu de Arruda Coêlho Neto, mais conhecido como Veveu Arruda, foi vereador e, em seguida, Secretário de Cultura do Governo Cid Gomes, quando esse foi prefeito de Sobral. Eleito por duas vezes vice-prefeito, assumiu o cargo máximo do município este ano, após seu antecessor, Leônidas Cristino deixar o cargo para a assumir a Secretaria Especial dos Portos. Na entrevista a seguir Veveu conta sobre sua relação com a cidade e já adianta projetos futuros.


Veveu tem alegria de ser sobralense e quer Sobral mais humana
O senhor nasceu em Sobral, no ano de 1958. Qual a lembrança mais marcante que o senhor tem da cidade?

Na minha infância Sobral era o meu parque de diversões. Os quintais, as calçadas, as praças, os sobrados e os casarões. O rio Acaraú, com muita areia e pouca água, eram espaços lúdicos para as brincadeiras com meus irmãos, amigos e, às vezes, sozinho.

O que mais mudou na cidade ao longo dos anos?

Para concluir meu científico, precisei ir em 1976, eu e meus amigos, para Fortaleza, porque aqui não tínhamos um bom 3º ano. Hoje temos três universidades públicas, inclusive com excelentes cursos de pós-graduação, além de duas faculdades privadas. Há também uma escola estadual de educação profissional funcionando e outra em construção. No Ceará, das 47 escolas públicas que alcançaram a nota 6 no INEP, desafio estabelecido pelo Ministério da Educação para o ano de 2021, para cumprir as metas da educação dos Objetivos do Milênio (ODM), 37 destas escolas são do Município de Sobral.

Qual a importância que Sobral tem hoje para o Ceará?

A concepção política de desenvolvimento regional e local encontra em Sobral um bom exemplo. A equivocada lógica de desenvolvimento praticada no passado esvaziava as regras que compõem o Estado, em detrimento de um crescimento de Fortaleza, que acarretou para a nossa capital enormes e graves problemas sociais, econômicos e de infraestrutura urbana. Imagine, em toda a história do Ceará, termos sete hospitais estaduais em Fortaleza e nenhum no interior do Ceará. O Governador Cid Gomes então inova e começa a mudar esta realidade. Sobral reagiu a isto e se reconstruiu com base nas políticas públicas elaboradas e executadas em articulação com a sociedade e reforçando a ideia de desconcentração territorial e distribuição de renda como estratégia de desenvolvimento. Daí alguma importância de Sobral como exemplo para as políticas públicas.

É possível fazer uma previsão para daqui a 10 anos?

O planejamento estratégico participativo e com uma visão do futuro que usamos aqui ajuda a responder sua pergunta. Ampliar a base econômica do município, aumentando a riqueza da população e erradicando a pobreza extrema; atender toda a demanda do ensino infantil (de 0 a 5 anos), mantendo o aperfeiçoamento do ensino fundamental; os equipamentos estaduais como o Hospital regional e a Policlínica, atendendo as demandas na atenção secundária e terciária, permitirão a maior qualificação no atendimento das demandas oriundas da atenção primária, assegurando um dos melhores sistemas municipais de saúde do Brasil; as melhorias urbanísticas (transporte, habitação, etc.) focadas na ideia de que a cidade é o lugar das pessoas, e que elas devem viver bem. Este planejamento busca sempre aproximar a cidade real da cidade dos nossos sonhos.

Na sua avaliação, que pontos a cidade precisa investir mais agora para continuar crescendo?

Sempre no esforço de manter as conquistas já asseguradas; aperfeiçoá-las corrigindo as distorções e o permanente exercício da inovação e criação nas políticas públicas, visando a qualidade de vida das pessoas, especialmente as mais empobrecidas. Mas quero acentuar a prioridade da geração de emprego e renda, com uma política voltada para o desenvolvimento econômico que fortaleça a agricultura familiar e os pequenos e médios empreendimentos, como também uma intensa política de novos empreendimentos conectados com projetos estruturantes do Estado e da União., que nos permitam pensar na implantação de um pólo metal-mecânico e um porto seco, por exemplo.
Veveu cultiva em casa o jeito de ser sobralense

O senhor foi Secretário de Cultura e superintendente do IPHAN. Qual a importância da cultura do seu governo e quais os planos do sua gestão para este campo?

A política cultural em Sobral tem um papel estratégico, pois vamos além de uma política de organização, fomento e apoio às artes, mas é estruturante das diversas políticas públicas, afirmando o nosso jeito de ser.

Outro ponto que vem ganhando elogios em Sobral é a educação. A que o senhor atribui a melhoria nos índices e quais os desafios daqui pra frente?

Os avanços da educação de Sobral foram possíveis em função da decisão política de valorizar a competência para combater o fracasso escolar. A partir dessa decisão, um conjunto de ações fora desenvolvidas, tais como a formação de professores, material didático específico para os alunos de cada série, seleção de diretores e coordenadores por critérios meritocráticos formação de diretores e coordenadores, processo de avaliação externa de todos os alunos, criação e acompanhamento de indicadores de qualidade e uma política de incentivo por desempenho ao professor. Os grandes desafios são manter e qualificar a aprendizagem dos alunos do 1º ao 9º ano, universalizar o atendimento da educação infantil e construir a escola de tempo integral para todos os alunos.

O que é ser sobralense?

Uma historinha: meu pai, 80 anos, assistia a um telejornal que noticiava uma onda de calor no país, especialmente no Nordeste, quando a repórter citou Sobral como tendo o clima mais quente do país naquele dia. Então papai comentou de repente: “besteira menina, um calorzinho deste faz é bem”. Gostar muito de Sobral é nossa definição.

Que presente o senhor gostaria de dar para a cidade neste aniversário?

A sabedoria coletiva para continuarmos unidos, trabalhando pelo bem de todos nós que vivemos em Sobral, respeitando as diferenças e a pluralidade; praticando a democracia, a solidariedade e o humanismo.

Entrevista publicada no Caderno Especial do jornal O POVO sobre os 238 anos de Sobral

4 comentários:

lampiao disse...

Do carvalho, se tem uma coisa que vc e Veveu e outros sobralenses que conheço tem em comum é que todos parecem com Sobral. Do Veveu eu ñ tenho nem o que dizer, pois desde quando eu militava no PT lá da de Tianguá,há uns 20 anos atrás,já sabia de sua luta em Sobral. A vitória de sua trajetória só reflete a persistência de seu trabalho.

Nanpaula disse...

Esse mesmo olhar, o mesmo carinho e cuidados dedicados à sua família, Veveu dedica à sua Sobral! Agora, nos dias atuais, sobra pouco tempo para estar FISICAMENTE com a família.Mas, a sua presença é tão marcante que o tempinho que pode estar conosco, é sempre especial!!

Anônimo disse...

Sobral tem muita sorte de ter um gestor tão apaixonado pela terra,e que vive em busca de uma qualidade de vida melhor pra todos,mas especialmente pros mais empobrecidos.
Homem espirituoso,de uma sensibilidade enorme,coragem é o que não lhe falta pra enfrentar todas as dificuldades que uma gestão municipal apresenta,além de tudo isso ainda ´filosofa em suas falas,um deleite pros que ouvem,tem o dom da oratória,ou melhor herdou do Dr. Luciano e D. Maria do
me sinto orgulhosissima de poder fazer parte do convívio da pessoa do Veveu

Anônimo disse...

Resgato aqui uma lembrança que tenho de Veveu quando da participação em um Jogral no Auditório do Colégio Sobralense, lá pelos idos do duro ano de 1968. Não lembro bem sobre o que era o texto, só sei que contava ponto para as disciplinas de EMC, OSPB (matéria que só exaltava a Ditadura Militar), e Português, e que a quase totalidade dos alunos (na faixa dos 11 a 13 anos) participava daquele evento mecanicamente, para cumprir uma tarefa escolar. No Jogral, havia uma fala que fazia uma exaltação ao Governo e, durante o ensaio, o garoto Veveu falou, convictamente: "Eu não vou falar essa frase; não vou elogiar um governo que tortura e até mata estudantes!" E relatou fatos inéditos para nós. Também os professores ficaram surpresos.
Naquele momento, eu e outros colegas, até então alienados, ouvimos pela primeira vez, referências às atrocidades da Ditadura, já que a imprensa (principalmente a Televisão) era toda censurada. Naquele momento, enxergamos em Veveu um líder, um defensor dos direitos humanos e sociais. Um garoto de futuro na política. É uma imagem que ficou até hoje e permanecerá para sempre. Não sei bem o desenrolar, só sei que mexeu com o Colégio inteiro; mas lembro bem que o texto foi alterado, sendo a frase retirada. Ali, Veveu marcou sua posição. Parabéns!
Costa