sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Chegadinha musical

Aquele gostinho meio sem gosto da chegadinha fica mais gostoso com o som do triângulo que a anuncia pelas ruas da cidade. Toda vez que escuto aquele som vou parar nas ruas Deolindo Barreto e Cel. Mont'Alverne, onde eu gostava de comprar aquele iguaria que se desfaz na boca da gente. Foi essa mesma sensação que senti com a deliciosa interpretação da Virgínia Capibaribe de Cidadadela, do seu talentoso irmão, o músico Pádua Pires. Escute com gosto e diga se não tô carregado de razão.

Dilma é a Eleita do Brasil todo

Depois de levarem uma bela surra eleitoral, os tucanos, com o apoio da chamada grande mídia, andam querendo aliviar a dor e tentar enganar alguém que não se liga direito nas coisas. Como se diz por aí, estatísticas servem de acordo com o interesse do freguês e é manipulando os número que essa gente gaiata anda querendo transformar vitória em derrota.

Andam espalhando que a aliança demotucana DEM/PSDB vai governar estados onde mora 52% da população brasileira. Isso é uma lorota sem tamanho. Quer ver porque? O que dizer de Minas Gerais, onde o govenador eleito é tucano, mas a Dilma botou quase dois milhões de votos na frente do Serra? Por outro lado quem elegeu o governador do Acre foi o PT, mas ali o Serra obteve sua maior vitória. Já no Pará o PSDB elegeu o governador e a Dilma teve maioria de quase 7%. Por esse raciocínio da mídia tucana, a Eleita do Brasil vai mandar geral no Brasil todo, onde ela ganhou de 56% a 43%, com mais 12 milhões de votos a mais e em 70% das cidades brasileiras.

Mas ao invés de ficar "estatisticando" vamos pros números mais bem distribuidos e uma certa explicação pros votos da Dilma e do Serra. O blogueiro Alexandre Porto, do Blog do Alê, fez um mapa bem legal, com uma legenda mais interessante de ser ver como foi mesmo a distribuição dos votos nos estados. Esse trabalho serve, inclusive, pra ajudar os debilóides preconceituosos saberem que a Eleita do Brasil, teve muito mais voto no Sul e Sudeste do que a imbecilidade deles permite enxergar. Abaixo o mapa e o texto integral do Alexandre Porto.


Dividir eleitoralmente o Brasil entre Norte e Sul é não entender o recado das urnas

Criei esse mapa sob demanda da jornalista e blogueira Conceição de Oliveira (@maria_fro), para mostrar como são falsas as interpretações de que o Brasil estaria dividido entre pobres e ricos, Sul e Norte. Esse falso contencioso tem gerado uma série de manifestações xenófobas, principalmente difundidas nas redes sociais. Criei com uma graduação de cores baseado nas diferenças de votos em cada estado. Vermelho e azul mais fortes, representam grandes diferenças, as cores mais suaves, ao contrário, pequenas diferenças.


Já foi bastante comentado pela imprensa o fato de que mesmo na absurda hipótese de não se computar os votos das regiões Norte Nordeste, Dilma venceria, mesmo que por pequena margem.



Repare que as duas maiores vitórias de Serra foram exatamente em estados da região Norte, Acre e Roraima. Estados com pequena população e que têm uma forte pressão entre o setor agrícola e ambiental. No Sul, sudeste e Centro-Oeste, ele vence sempre por pequena margem de votos. Em quatro deles, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás e Espírito Santo por diferenças menores que 3% dos votos válidos. Uma margem ligeiramente maior, Serra obteve em Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Sua maior vitória, pasmem, foi em Santa Catarina – local de recente polêmica a cerca de mudanças no Código Florestal, onde o tucano conquistou pouco mais de 56% dos votos válidos.


As vitórias de Serra, incluindo aí toda a região centro-sul do Pará, o chamado "Arco de Fogo", foram em regiões com predomínio da economia agrária. Podemos avaliar que foi em parte pelo conservadorismo dos produtores rurais e o "fantasma do MST", mas também pela forte campanha realizada nessas regiões e sobre o fator câmbio, que de fato tem prejudicado a economia desses estados, nos últimos dois anos. A verdadeira revolução no crédito rural, levada a cabo por Lula, não foi ainda capaz de vencer essa resistência contra uma candidatura de esquerda.


Ao contrário, Dilma além de ter vencido em mais estados (16 a 11), obteve vitórias bem mais contundentes, em praticamente toda a região Nordeste e no estado do Amazonas. Em três deles, Pernambuco, Maranhão e Amazonas, Dilma venceu em todos os municípios. No Ceará perdeu em apenas um; Na Bahia em 8, sendo que apenas um de médio porte, Vitória da Conquista.


Mas mesmo com todas as dificuldades, a candidata petista praticamente obteve "empate técnico" em várias regiões. Incluindo aí o já citado Pará, onde ela venceu por apenas 53,2% dos votos, sua vitória mais apertada.


O Brasil não está dividido entre norte e Sul. E o que teve de atrito, se deve mais ao nível da campanha eleitoral que às diferenças econômico e sociais. Dilma terá que governar para todos. Precisa melhorar a infraestrutura da produção agrícola, que já vai levar um choque com a inauguração de algumas obras importantes, como as ferrovias Norte-Sul e Transnordestina, a Integração das Bacias do São Francisco e mesmo as hidrelétricas do rio Madeira. São obras, acima de tudo, de integração nacional.


Para além das prioridades na saúde, educação e diminuir o abismo social, governar um país continental, com tantas realidades regionais diferentes, é sempre um exercício de acomodação política e coragem para avançar sobre os desafios, que são gigantescos. O Brasil está ao seu lado Dilma.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Vida simples



Comecinho de noite e eu achei de escutar uma música bonita como Alvorada, cantada por Cartola, só pra sentir a beleza da vida correr com simplicidade.

Humor do Emir

Finalzinho de tarde o  @emirsader soltou, via twitter,  essa conversa imaginária, revelando um fino bom humor


FHC: Malan,eu quero entender esta politica,q faz o governo ter rejeição total
Malan: Eu explico.
FHC: Não,explicar eu sei, eu quero é entender.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Com Dilma, a conversa é diferente



Segunda feira à noite fiquei meio arretado com a Dilma ao ver, na casa de uns amigos, a nossa eleita dando entrevista na bancada do Jornal Nacional. De novo não! Aqueles fila passaram o tempo todo tirando o couro da Dilma e do Lula, enchendo a bola do Serra e a mulher vai logo lá, na primeira entrevista. Pra mim não dava. Minha amiga ficou até chateada comigo porque prometi ser duro quando tratasse do assunto aqui. Fiquei com raiva à toa e queimei a língua.

Em casa, já tarde da noite, assisti à primeira entrevista da Dilma dada ao vivo pro Jornal da Record e não era na bancada do telejornal. Já aliviei minha agonia e até gostei de ver duas mulheres entrevistando uma mulher que vai ser a primeira Presidente na história desse país. Uma das jornalistas mal conseguia conter a emoção. Foi bonito de ver. Mas não fiquei muito contente com esse lance de exclusividade. Não falar primeiro na Globo é legal, mas também não acho que a Record, apesar de ter feito uma cobertura mais fiel aos fatos, seja exemplo de democracia na comunicação. Depois vieram outras entrevistas exclusivas, mas eu acho que não deveria ter começado exatamente assim. Pra mim deveria ter sido feita uma coletiva, bem organizada, com tempo necessário pra que todas as perguntas fossem feitas e as respostas dadas satisfatoriamente, como foi feito hoje pela manhã, nessa entrevista que você pode assistir no vídeo aí de cima.

Valeu a Dilma não ter começado pela bancada do Jornal Nacional. Valeu também ter começado pela Record, apesar da ressalva que fiz. Legal também deixar os jornalistas e as jornalistas bem à vontade para perguntarem o que acharem melhor. Aliás tão dizendo por aí que ela tá dando show em todas a entrevistas. Não vi todas, mas nas que vi, a mulher se garantiu.

Gostei de ver, minha eleita. Fiquei bravo, fiquei feliz, mesmo com uma ressalva na forma, mas o conteúdo tá beleza.  

Mais respeito!



Luiz Gonzaga é um desses famintos e desprovidos que o Nordeste ofereceu ao Brasil. Tão desprovido que meio mundo gosta dele e os outros não gostam porque nem conhecem. Uma das sua mais belas e emocionantes músicas é Respeita Januário, que ele sempre interpretava contando uns causos saborosos, bem nordestinos. Escute o Mestre Lua, prove um pouco mais do Nordeste, lugar de gente respeitadora e que exige respeito.

Mulher condenada à morte e executada, nos Estados Unidos

Você provavelmente nunca viu esse rosto na sua vida. Com certeza nunca esteve com esta mulher e com mais certeza ainda nunca estará. No dia 23 de setembro passado Teresa Lewis foi executada com uma injeção letal, no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos. Foi a oitava mulher executada nos Estados Unidos desde 2000, de um total de 629 outras pessoas que os sistema penal americano executou no mesmo período.

Não me lembro de ter visto nenhuma campanha humanitária, manifesto, lista de solidariedade na internet ou pelo menos uma reportagenzinha falando sobre essa pena de morte cumprida. Eu mesmo só soube da execução uma semana depois, através de uma solitária matéria da revista Carta Capital. Certamente um fato pesou pra que Teresa fosse executada no anonimato: seu algoz é a exemplar democracia" dos Estados Unidos. A mesma democracia que as tropas americanos estão semeando no Afeganistão e no Iraque, ali do lado do Irã, onde Sakineh Mohammadie Ashtiani, também condenada à morte, recebe toda solidariedade. 

Tá justo isso?

Time contra o preconceito

Um bando de debilóide anda espalhando por aí agressões preconceituosas contra os nordestinos. Segundo essa curriola, fiel eleitora do Serra, a culpa pela eleição da Dilma é nossa, do povo daqui de cima do Brasil. Por aqui só tem famintos e desprovidos. Famintos de comida e desprovidos de inteligência. Essas "deficiências"nos teriam feito votar na Dilma, mineira descendente de búlgaros, que se firmou profissionalmemte entre gaúchos, projetou-se no plano mais alto do Brasil e virou a presidente eleita com o voto de gente de todos os estados brasileiros.

Por aqui somos de fato uma gente faminta. Ainda há uma parte dos nordestinos que se alimenta mal, que vive em situação desconfortável e é mal remunerada pelo trabalho que realiza. Disso todo mundo sabia, mas pouca coisa foi feita pra superar tal situação. Acontece que um nordestino, provido de uma sensibilidade pouco vista na história desse país, achou de começar a mudar essa situação. Desprovido e faminto como muitos outros nordestinos, saiu daqui pra se salvar no "Sul Maravilha"e acabou virando o Presidente da República que resolveu enfrentar a fome e a miséria que os letrados, inclusive um "principe", que o antecederam não se tocaram de combater.

O que aconteceu num foi bom só pros famintos e desprovidos do Nordeste não, mas sim pro Brasil inteiro. O país tomou sustança e enfrentou a crise econômica com muito mais saúde que muitos "bem nutridos"do Norte, que ainda hoje pelejam pra superar seus problemas e pra isso criam problemas pra nós daqui do Sul. Pelo mundo a fora o Brasil é escutado com respeito, sem falar fino com os gringos e tratando so hermanos com atençao e carinho. Por aqui no que mais se fala é em desenvolvimento, criação de milhões de empregos, melhoria no salário e na renda, aumento do padrão de vida de milhões de brasileiros e brasileiras e um povo feliz.

Isso tudo incomoda um certo tipo de gente. Não é muita gente, mas é uma gente nojenta, desprovida de dignidade, que não controla seus instintos vis e extrapola seus preconceitos. Quando a gente vê isso acontecer tem vontade de reagir da forma mais agressiva. Mas quando se dá conta de que nós é que somos do bem, que a maioria nem liga pra essa imundície e toca a vida, a raiva passa e seguimos. Mas esse gesto não significa abrir mão das nossas opiniões e das nossas ações. Diz aquele ditado: "dou um boi pra num entrar numa briga, mas dou ma boiada pra não sair dela". Mexeram com nossos brios e já tem reação forte por aí e quem falou o que não deveria, pode viver situações que não gostaria. E a vida segue.

Eu nem tava a fim de entrar nessa futrica, mas a coisa foi ganhando corpo e achei que deveria juntar uma turminha de famintos e desprovidos nordestinos nascidos ou vividos aqui no Ceará pro caso de uma prosa mais esticada, como parece que tá ocorrendo. Espie aí a lista de gente que arrebanhei. Alguns não estão mais entre nós, mas suas idéias e atitudes nos ajudarão e nos inspiram nesse sonho de amor Brasil.

A lista é grande e tá incompleta, mas você pode acrescentar mais gente: José de Alencar, Rachel de Queiróz, Aldemir Martins, Antonio Bandeira, Raimundo Cela, Antonio Conselheiro, Padre Ibiapina, Beato Zé Lourenço, Belchior, Ednardo, Fagner, Teti, Rodger Rogério, Irmãos Aniceto, Expedito Seleiro, Patativa do Assaré, Chico Anizio, Antonio Sales, Clóvis Beviláqua, Chico Albuquerque, Dragão do Mar, Padre Cícero Romão, Abraão Batista, Adelbal Freire Filho, Emiliano de Queiróz, Nonato Luiz, Alberto Nepumuceno, Frei Tito de Alencar, Zé Meneses, Jovita Feitosa, Bárbara de Alencar (pernambucana feita cearense), Miguel Arraes (cearense feito pernambucano), Tristão de Alencar, Pessoa Anta, Padre Mororó, Lenilson Bezerra, João Brigido, Heloneida Studart, Alcides Pinto e mais um monte de gente que eu não lembrei agora.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Finados



Fonte: Blog Sátiro

Boas razões pra votar

Pedro tem 45 anos, é evangélico de família, caminhoneiro em São Paulo e trabalha para uma multinacional brasileira de bebidas . É separado pela segunda vez e casado pela terceira com uma baiana que foi pra São Paulo em buscar de vida melhor. Do primeiro casamento, Pedro tem uma filha, que está na faculdade, e um filho, de 20 anos, que virou músico e há um ano integra uma orquestra na Alemanha.

No primeiro turno, mais por crença religiosa do que política, votou na Marina. No segundo, desmotivado, ameaçou anular o voto, mas não contava com a reação do filho músico que o livrou a tempo desse gesto impensado. O filho pediu que o pai pensasse melhor o que seria de suas vidas se não fossem as oportunidades que o Governo Lula lhes deu para que a irmã estivesse na faculdade, ele desenvolvendo seu talento num grande centro musical e o pai começando a montar o seu próprio negócio. Resultado: Dilma ganhou um voto lindamente conquistado.