quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Receita do Neruda, pra viver muito

Gabo e Neruda, dois cabras vivedores

Ao meu compadre e amigo muito querido, Pedro Parente, um ano mais vivido hoje.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo
todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não arrisca
vestir uma cor nova e não fala a quem não conhece;

Morre lentamente quem faz da TV o seu Guru ou quem evita uma paixão,
quem não segue os seus impulsos e prefere tudo a preto e branco e os
pingos sobre os "is" a um remoinho de emoções, justamente os que não
resgatam o brilho de um olhar, um sorriso de um bocejo, e quem tem
medo de corações aos tropeções e de sentimentos;

Morre lentamente que não atira os papeis ao ar quando está feliz no
trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um
sonho, quem não se permite pelo menos uma vez ao dia fugir dos
conselhos sensatos;
  

Morre lentamente quem não viaja, não lê, não ouve música, quem não acha
graça de si mesmo, quem destroi o seu amor próprio, quem não se deixa
ajudar, quem passa os dias a queixar-se da sua má sorte ou da chuva
incessante, quem não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não
responde quando lhe perguntam sobre algo que sabe. Evitemos a morte em
suaves prestações recordando sempre que estar vivo exige mais que
simplesmente respirar.

Se vais enganar, que seja o teu estomago, se vais chorar que seja de
alegria, se vais mentir que seja sobre a tua idade, se vais roubar,
que seja um beijo, se vais perder, que seja o medo, se tens fome, que
seja de amor, e se é para ser feliz,... que o sejas todos os dias!

O Prata é só o ouro

Num tem nem um ano que eu conheci o Vander Prata, mas parece que temos amizade antiga. Temos amores próximos, ele ama a mãe e eu a filha. Na vez que almoçamos juntos, a única, estavam também o neto e sua amada. Sob os auspícios de São Cristóvão, mais do que comer, compartilhamos as memórias de cada um  e rimos como quem nunca foi triste. Nos anos 70 o Prata inverteu a lógica da migração brasileira e saiu de São Paulo pra Bahia, onde trabalhou, fez família e virou baiano. Pela Bahia ficou, onde ainda trabalha, e de lá, resgatou seu amor paulista, assim como eu, daqui do Ceará. Hoje é dia de abraçar o Prata por sua idade nova, mas como não posso fazer isso pessoalmente, arrumei essa prosa do Bemvindo Siqueira pra fazer meu amigo lembrar o quanto é possivel curtir a vida num lugar que tanto se ama.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Rachel, a cearense

A centenária Rachel de Queiróz no meio do sertão
"[...] tento, com a maior insistência, embora com tão precário resultado (como se tornou evidente), incorporar a linguagem que falo e escuto no meu ambiente nativo à língua com que ganho a vida nas folhas impressas.  Não que o faça por novidade, apenas por necessidade.  Meu parente José de Alencar quase um século atrás vivia brigando por isso e fez escola."


Sobre Rachel de Queiróz, leia mais aqui

Fotos da conquista do Guarany

Na entrada do Juncão pouca gente, mas dentro...

Torcida também tem seu bandeirão

Torcida faz festa pra receber seus ídolos

Até um sãopaulino veio foi dar uma força

Gui (flamenguista), Benja (amarelo) e Thallis (vermelho, mão na cintura)
Benjamin, eu e Guilherme, Thallis fez a foto

Guarany Filho, o velho amigo Nany
"Quem quer se vestir de campeão?"

Torcida orgulhosa põe faixa de campeão
Pequeno torcedor, grande expectativa

O placar final e campeão
Che, um mito no meio da torcida do campeão Guarany

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Guarany, o sobralense campeão

Uma emoção muito grande me pegou no domingo à tarde lá no estádio Juncão, em Sobral, quando participei da conquista do Guarany Sponting Club, primeiro time cearense a conquistar um título brasileiro de futebol. Nem liguei se era a Série D, ou a 4ª Divisão, mas depois que me dei conta de como é difícil a vida dos times que jogam nessa altura do campeonato, digo é que pode ter muito mais valor. Consolo? Nada disso! Nada de passagens pagas pela CBF, quase nenhum espaço na mídia, raro patrocínio porque as empresas só bancam quem tá badalado, time desmontado e remontado porque os chamados "times grandes" levam os talentos revelados na prata da casa. Dificuldade muita ser campeão da Quartona!

O domingo já ia pra mais da metade quando me larguei de Fortaleza pra Sobral junto com três estrangeiros em relação à  Metrópole: Benjamin, nascido em Moçambique, criado na África do Sul, vivido em Portugal e hoje brasileiro adotado, casado e querido de todos nós; Thallis, nascido em Vassouras, RJ, criado em Volta Redonda, adotado por Fortaleza, fluminense de nascimento, flamenguista de coração, cearense de mulher, filho e amigos que lhe querem muito bem; e Guilherme, nascido em Fortaleza, desejoso de saber sobre o mundo inteiro, querido, amado e corujado por esse pai ilimitado de chamego. De todos o que menos sabe de futebol, sou eu, mas pouco como eu gostam tanto de viver grandes emoções. Fui buscá-las no meu nascedouro.

Já chegamos com o Juncão lotado. Todos ali queriam ser campeões, anfitrões e visitantes, que nem torcida trouxeram - mais dificuldades da 4ª Série. Arrumamos uma beiradinha de arquibancada, de onde víamos o jogo pelos "quadradinhos do alambrado", disse-nos Benjamin com seu jeito lusitano de falar. "Só o Guarany pra trazer o Inácio à Sobral", era o jeito carinhosos dos amigos falarem de saudade. E eu ali, feliz entre eles, com meu filho e outros amigos queridos com quem desejei compartilhar alegria.

A quase certeza que todos nós tínhamos da vitória se confirmou com quatro belos gols dos destemidos jogadores do Cacique do Vale. Dois em cada tempo, entremeados por um solitário gol visitante, que preocupou muito pouco. No final uma festa grande encheu Sobral inteira de alegria, mostrando que ali todos torcem pelo Guarany, mesmo que sejam polígamos.

Pois é, quem quiser que nos ature com nosso bairrismo, muito mais uma forma descontraída de viver com alegria do que qualquer tipo de exclusivismo. Essa ninguém nos tira, o Guarany de Sobral conquistou o primeiro título nacional pro futebol cearense, coisa que os "grandes" tão muito longe de conquistarem. Daqui pra frente novos desafios. O primeiro é não deixar o time ser desmontado e com ele tentar ganhar o Campeonato Cearense de 2011, que em 2010, esteve bem próximo. Outro desafio é se segurar na Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro ou quem sabe ousar subir um pouco mais. Pouca modéstia? Que nada! Ousadia! É assim a vida. É preciso ousar, forma mais correta de se viver e superar desafios.

Dá-lhe Guará!




Pra ver os gols do Guarany na final é só clicar aqui.

Ler um livro pra dirigir?

Depois da exigência pro Tiririca provar que estudou pra ser deputado, um tal de Luiz Carlos Prates, da Globo de Santa Catarina, quer que todo motorista leia pelo menos um livro pra poder dirigir. Nada contra os livros, muito pelo contrário, mas essa é a menor besteira que esse cara falou no horário nobre da RBS barriga verde, repetidora da TV dos Marinho, ao comentar os acidentes ocorridos no feriadão.



Diante de tanta babozeira, o Paulo Henrique Amorim, concluiu na sua Conversa Afiada:
Foi nisso que deu trazer o vaso sanitário para a sala de jantar onde, em Santa Catarina, alguns aparelhos de televisão ainda estão sintonizados na Globo.

Indecente impunidade

Um saculejo grande na cidade de Fortaleza hoje com a história do indecente garotão da altas rodas que resolveu meter chumbo, literalemente, num flanelinha que pastorava carros lá pelas bandas do Centro Cultural Dragão do Mar.

Atirador da Elite
Pra quem num soube do acontecido, fique sabendo que um sujeito de nome Marcus Venicius Araújo Silveira, foi preso ontem, junto com mais dois felas, depois de atirar contra o morador de rua Valderlon da Silva, que pastora carro pra que a fome que passa não o mate. Pois o garotão por pouco não matou o faminto, mas quase deixou o coitado aleijado do olho direito, atingido por um tiro de espingarda de chumbo. O flanelinha não foi o único alvo do atirador da elite fortalezense, já que no sábado duas outras pessoas também foram chumbadas pelo dito cujo. Depois de preso o bandido chic quis jogar a bronca pra cima do funcionário do restaurante da família dele, que curiosamente se chama "Docentes e Decentes". Só que Valderlon, num gesto corajoso, peitou seu algoz e insistiu na autoria do crime.

Esse é mais um episódio criminoso de garotões endinheirados que se acham donos do mundo e da vida das pessoas e sendo assim dão as costas pra todo mundo e tratam as pessoas da pior forma. Ficou famoso no país o caso do índio Galdino, morto em Brasília, por filhinhos de papai. Aqui mesmo um sujeito bem apossado matou a bailarina Renata Braga e até hoje tá impune. A lista de crime impunes é grande e essa é uma das razões para que continuem acontecendo. É aquela velha história do "sabe com quem tá falando?". Aí já viu...

O caso do atirador indecente preso ontem gerou uma grande indignação e tá rolando um clima de boicote ao "Docentes e Decentes", tanto a matriz como a filial. Eu acho legal isso porque mostra certa iniciativa social em gerar uma punição contra aqueles que agridem à população, ainda mais de forma tão torpe. O movimento do boicote é grande e já tem até uma comunidade orkut chamada Doente e Indecente com quase 200 membros e outras iniciativas surgirão.

Acho legal o boicote, mas não causarei nenhum dano ao lugar. Tenho minhas razões próprias pra não frequentar o recinto. A primeira é o péssimo serviço que me foi mal prestado numa vez que fui lá na matriz da Av. Santos Dumont com meu filho Guilherme, que desde então nem quer passar perto. Outra razão é que a filial, na Varjota, é o vizinho mais desagradável que tenho. Faz muito barulho quase toda noite, tem música e atrações de mau gosto e uma clientela muito mal educada, que quando vai pra casa incomoda quem quer sossego. Perto da minha morada já houve até brigas violentíssimas entre pessoas que chegaram juntas e saíram aos tapas entre si. Portanto, não boicotarei o Docentes e Decentes, apenas continuarei sem frequentá-lo. Uma pessoa falou que a dona do lugar nada tem a ver com o que seu filho faz. Digo, alto lá! Ela pelo menos deveria ter ensinado o filho a tratar as pessoas de maneira decente.

Volto a dizer que a iniciativa das pessoas, mesmo que não dure muito tempo, é válida. Mais válida ainda será a vigilância para que a investigação não se perca entre a burocracia e o "sabe com quem tá falando", que a justiça não fique cega,lenta e inerte diante de um crime deplorável como esse, para que a impunidade não prevaleça contra a sociedade.

Dignidade

Não há sentido algum em ver uma pessoa como Valderlon, largado pela vida, agredido por um criminoso bem vestido, mal tratado pelo cotidiano, circular todo sujo de sangue, segurando um tubo soro, em busca de punição ao seu algoz. Que se preserve pelo menos a dignidade das pessoas.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Trilha da bandidagem

Diante da notícia da condenação do Delegado Protógenes por  conta de sua atuação no combate à bandidagem  granfina, não tive como evitar a saudade do Mussum. Um absurdis!

Condenaram o delegado e soltaram o bandido?

Veja como o Paulo Henrique Amorim, que em dezembro em à Fortaleza pruma conversa afiada comentou a curiosa condenação do delegado e a liberdade do bandido.


Saiu no Estadão:


“Protógenes é condenado por crimes na Satiagraha”


Pela primeira vez na história do Judiciário brasileiro, o distinto público tem notícia de uma decisão da Justiça Federal, primeiro no PiG (*).
Trata-se de uma delirante decisão que condenou o ínclito delegado Protógenes Queiroz a atender à vítimas de queimaduras.
A delirante decisão condenou o ínclito delegado por forjar provas, espionar presidente da República, e assumir o controle da ABIN com o intento mediático de se eleger deputado federal.
O delírio tem um objetivo explícito de impedir que o ínclito delegado se diplome deputado federal e possa subir à tribuna para ler o que ainda não se conhece da Operação Satiagraha.
A decisão delirante foi tomada por um conhecido juiz federal que se livrou de boa por causa de uma decisão Suprema do ex Supremo Presidente Supremo do Supremo Tribunal Federal.
Aquele que maculou irremediavelmente a imagem do Judiciário brasileiro ao conceder em 48 horas dois HC’s ao passador de bola apanhado no ato de passar bola, Daniel Dantas.
Impedir que Protógenes Queiroz assuma a cadeira de deputado federal é o sonho de consumo do Daniel Dantas.
Que agora, por coincidência, é o que pretende a delirante decisão publicada no Conjur, também conhecido como Estadão.
Daniel Dantas continua solto.
E o ínclito delegado vai ter que pensar queimaduras.
Viva o Brasil !


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Fernando Haddad dá, com jeito, um jeito na Globo

Tenho visto um fuzuê danado sobre o problema ocorrido com uma pequena parcela das provas do ENEM. Aqui no Ceará um dos reluzentes representantes do ministério público federal achou luz numa ação contra a prova e brilhou junto com uma mui disposta juíza, conseguindo anular liminarmente o exame. Isso foi o suficiente pra mídia "venal e golpista", nas palavras do Messias Pontes, fazer um alarde danado e tentar, mais um vez, criar dificuldades para essa iniciativa democrática do Governo Lula que visa facilitar o ingresso na universidade. Não me lembro de ter visto nenhuma matéria explicando o que aconteceu exatamente e quais as consequências, até ver essa entrevista muito esclarecedora do Ministro da Educação,  Fernando Haddad, que com jeito e discreção deixou os apresentadores do Bom Dia Brasil gaguejando e até sem palavras pra atacar o ENEM. Sugiro que você assista, mas já vou logo lhe pedindo desculpar por lhe pedir que você assista o Alexandre Garcia, na Globo, tentando atingir as conquistas do Brasil. Mas no final você vai até me agradecer.