quinta-feira, 14 de maio de 2009

Carlos na vida


Ontem o Guilherme me falou que teria de fazer uma pesquisa sobre o Carlos Drummond de Andrade pra apresentar no colégio amanhã. Como a casa dele tá numa meia reforma, o coitado tá sem puder pesquisar na internet e aí resolvi dar uma forcinha. É lógico que acabei "me perdendo" em meio a tantos poemas maravilhosos. Mas aí achei que deveria trazer uns versos pra cá. Poderia até trazer os mais conhecidos e muitos mereciam estar aqui. Mas achei que devria postar um que tivesse mais em dia comigo hoje, em sintonia com minha vida. E taí um que é muito atual.



O amor antigo


O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mais pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.



E se você quiser ler mais Alguma Poesia do Drummond, clique ali, onde tá linkado.


Um comentário:

Este lado para cima disse...

”O amor que move o sol,
como as estrelas“

O verso de Dante
é uma verdade resplandecente,
e curvo-me ante sua magnitude.
Ouso insinuar,
sem pretensão a contribuir
para que se desvende o mistério amoroso:
Amar se aprende amando
Sem omitir o real cotidiano,
também matéria de poesia.

Carlos Drummond de Andrade, in Amar se aprende amando