
Maria Carvalho e Kelly Brasil(as 2 da EM PAUTA Produções) e Zé Brasil
O seminário aconteceu no Teatro São João, o que já mexeu muito comigo porque naquele lugar belíssimo aconteciam os eventos culturais mais importantes da Metrópole e eu sempre tava pelo meio. O "São João" foi reformado ainda quando o Cid Gomes era prefeito e o Veveu era Secretário de Cultura e os cabra fizeram um serviço distinto. Preservaram as características originais e o equipamento tá ainda mais mais bonito, bem equipado, com plenas condições de acolher espetáculos de todo jeito, compatíveis com seu tamanho e estrutura. Nem lembro há quanto tempo eu não subia naquele palco. Acho aque ainda foi "naqueles tempos".
Maninha falou legal sobre o Festival de Música de Viçosa do Ceará, que já vai este ano pra sua sexta edição. É uma mistura de formação, intercâmbio e aprentações musicais que encanta qualquer que já foi e até os que não foram ainda, como eu, que já deveria deixar de ser tão cara de pau. É claro que ela falou um pouco sobre o "Dragão" e sua experiência como exímia gestora cultural. Maninha tem um jeito próprio de trabalhar e conduzir a vida onde há sempre muito rigor nas exigências, o que inclui dedicação e competência, mas ela tem uma sensibilidade muito grande para a cultura. Foi muito legal compartilhar não só debate, mas também trocar muitas ideias ao longo do dia.
Paulo André, um cabra muito bem afamado e falado no meio, nos meios de comunicação e por meio de amigos em comum que temos (Fergus Gallas e Dustan Gallas, Guido Bianchi, Indira Amaral) é na verdade um jovem desbravador que poderia ter palestrado por algumas horas e ainda teria muito mais a dizer para um público que o ouviria sem fim. Relatou sua experiência ao decidir, aos 25 anos, organizar há 18 anos, o Abril Pro Rock (o festival tá acontecendo nesses dias e ele não se negou a vir prosear tão bem), apesar muito pouco estímulo, evento que apostou na cena local, nas bandas pernambucanas e dali de perto, geograficamente e culturalmente). Uma ideia muito importante firmada pelo cara é a de que é preciso apostar na talentosa turma nova: "O Pessoal do Ceará teve seu merecido espaço, mas hoje é preciso que a galera tenha seu espaço". Além de contribuir muito para o debate a partir do relato de sua experiência, Paulo André ainda revelou seu encanto com a beleza arquitetônica de Sobral e esteve muito tentado a ficar um pouco, inclusive para conhecer o Festival Mel, Chorinho e Cachaça, que acontece nesse fim de semana em

Optei por falar a partir daquele momento em que a chapa que encabeçada pelo, hoje advogado, José Menescal Júnior, perdeu a eleição para o Grêmio do Colégio Sobralense, mas fomos convdados pela diretoria eleita para orgnizarmos o festival, considerada uma das melhores propostas da disputada estudantil, e topamos na hora! Achei que deveria fazer um registro importante da riqueza cultural de minha cidade onde surgiram alguns dos primeiros teatros do Ceará (Apolo, 1867 e São João, 1885), onde "choviam" apresentações musicais, de teatro, de poesia, conferências de todo tipo, saraus e tanto mais, para demonstrar que aqueles garotos mal saídos da adolescência eram também herdeiros de uma tradição e de uma vida muito ligada às artes. Por acaso o Menescal Jr, com quem toquei a organização do FEMUP, convidava a gente pra estudar na casa dele e ouvíamos música erudita e o melhor da MPB. Coincidência, ou não, a Escola de Música de Sobral funciona na casa onde morou o Cônego Egberto Rodrigues, tio do Menescal, onde a gente dava uma chegadinha na biblioteca e tinha interessantes papos culurais.
Fazer o FEMUP foi uma aventura ousada e testamos muito da nossa credibilidade quando conseguíamos alguns patrocínios de empresas locais, algumas pertencentes à familiares de colegas nossos que ajudavam no aval aos amigos "produtores" junto aos seus pais. Lembro bem da conversa com o Prefeito de Sobral na época, Dr Zé Euclides, pais do Cid e do Ciro Gomes. Foi prosa demorada, ele querendo saber tudo sobre o festival, buscando identificar quem eram mesmo aqueles meninos, quem participava do evento e qual o nível das músicas e poesias, além de recomenda a leitura dos clássicos da literatura universal. Dr Zé Euclides era advogado e seu hábito profissional nos fez falar tudo. No fim liberou uma grana que nos ajudou a pagar as despesas, mas ao sairmos advertiu: "Mas leiam os clássicos, não esqueçam!".
E a censura, que tava viva demais naqueles anos de luta pelo fim da ditaduira e pela anistia. Tínhamos que levar todos os versospoéticos e letras musicais para análise do pessoal da Solange Teixeira Hernandez, manda chuva do Departamento de Censura da PF. E um probleminha, como enviar ofícios "pros homi" com a assinatura de dois "de menor"? Não lembro como resolvemos essa, mas solução teve. Aí era esperar a liberação e tocar o festival.
Foi coisa bonita. O "São João" lotado de torcida e apreciadores da música.Tinha até gente de outras cidades e até de capital, já que os festivais de Sobral, principalmente o Mandacaru (um dia falo dele) eram bem afamados. Muita coisa bonita. "E os destroços, dessa jangada/Ainda amam o mar das Barreiras, o mar/São teus pilares de búzios/Que sustentam essa paixão/E esse vento cálido sem certa direção/Ouve e gane em meus ouvidos/Qual será tua canção?/Teu farol, estrela mais próxima do chão". Barreiras, a vencedora do I FEMUP era um tributo à Praia das Barreiras, em Camocim. "Benedito da Lagoa",

Lembrar isso tudo, e muito mais, era emoção demais pra mim, que nunca havia falado sobre o FEMUP em outra ocasião distinta dum papo entre amigos. O Paulo André ainda imaginou como eram difíceis as condições técnicas daquela época, e eram mesmo. O som e os instrumentos eram alugados de um conjunto musical de festas, o BR SOM, a iluminação era feita por 24 refletores, sem nenhuma ligação entre si, operada por esse que vos escreve, espécie de quebra galho como iluiminador daquele e de tantos outros shows que aconteciam no teatro. A divulgação era feita no boca a boca, panfletos mimeografados a álcool e na cara de pau nossa de ir ao programas de rádio. Tudo era aventura, essa coisa que torna a vida mais saborosa e cheia de histórias pra contar pros que gostam de aventuras.
10 comentários:
Quanta história boa!
agora tive a certeza que a vontade e o querer movem moinhos.
vejo a foto e me emociono porque a idéia foi concebida há menos de 3 meses e logo tudo se encaminhou e acho que os "Deuses' conspiraram a favor.
Não podíamos mais deixar cair no esquecimento momentos tão valorosos que aconteceram na década de 70 e 80, e Inácio foi a pessoa certa pra fazer este relato de experiêcnia de tamanha "aventura"
Mal sabiam a semente que estavm plantando,pois a partir dali talentos surgiram e movimentos culturais começaram a se estabelecer.
Valeu Inácio!!!!
Época boa.
Ô Maria, minha irmã querida, o que me faz muito feliz é ver você fazendo as coisas com tanto sucesso, de olho no futuro de nossa cidade, fortalecendo a cultura local, seus produtores e propagadores. Se eu e nosso irmão Veveu, junto com tantos outros, semeamos no passado, fico feliz demais ao vê-la regando o que plantamos e plantando novas sementes.
Um afetuoso beijo pra você que sabe muito bem colocar EM PAUTA o valor que nosso gente tem.
Parabéns Inácio, foi muito bom ver você falando sobre a história dos festivais sobralenses, principalmente pela ousadia de fazer o FEMUP naquele período de censura.
Um abraço!
Inácio
Belas lembranças. Quanta saudade. Éramos realmente muito ousados. O Colégio Sobralense foi um celeiro de grandes valores, muitos deles revelados para o mundo. Devo tudo ao Colégio Sobralense que vivi, nas décadas de 70/80.
Luciano Frota
Alguém lembra quantos Femups foram e quem foram os vencedores ?
Caro anônimo. Eu ganhei alguns. Faz tempo. Não lembro quantos.
É Inácio,
Os anos passam. E os seus cabelos não negam.
Participei, nos anos 70 - nem sei direito o ano, de um Festival em Sobral na reabertura do Teatro São João.
Lembro que um dia antes houve a peça Luzia Homem com a saudosa "Bôbô" Sampaio no papel-título.
Na organização do evento estavam Haroldo Holanda, Vicente Lopes, Jader Menezes e outros. (você integrava aquele dinâmico grupo?)
Ganhou o Quinteto Agreste, numa decisão apertada diante de músicos e compositores talentosos e promissores como Abdoral Jamacaru, Caio e Graco Silvio, Stelio Vale, Regis e Rogério, Ricardo Bezerra, dentre outros.
Seria o Mandacaru?
Fico no aguardo do seu próximo post sobre os festivais.
Época em que os jovens de Sobral sempre estevam à frente do seu tempo ...
Oi Inácio, tudo bem? Sou Dênis Melo, historiador da Universidade Estadual Vale do Acaraú, e estou pesquisando o Festival do Mandacaru e gostaria de conversar com você, se possivel, sobre o assunto, e também sobre o FEMUP.
Aguardo seu contato.
Neyu e-mail é: melofranciscodenismelo@yahoo.com.br
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