terça-feira, 28 de abril de 2009

Tô com os piratas da Somália


Quando eu trabalhei em Brasília escutei um cabra bom lá da Bahia me falar uma coisa que me vale muito até os dias de hoje. Ele dizia que na chamada "Boa Terra", no tempo que o ACM era o manda chuva, as forças progressitas ficavam de olho no que ele fazia e sempre procuravam estar do lado oposto. Lembrei dessa história por conta da onda que tão fazendo com os chamados Piratas da Somália. Desconfiado que sou, pensei aqui comigo. "Cumé que um bando de magricelas, com umas metralhadores e umas lanchas miudinhas, ameaçam aquelas esquadras com porta-aviões, destroiers e mais navios de guerra de tudo que é tipo? Pra mim tem caroço nesse angu". Pois achei a resposta nesse final de semana, numa notinha de canto de página do jornal O POVO. Lá falava dum artigo do jornalista Johann Hari , que o site Rebelión repercutiu, e eu fui atrás ler. Pois a história tá muito mal contada pela tal de grande mídia e, na verdade, quem tá ameaçada mesmo é a Somália e seu povo. Abaixo vou reproduzir trachos do artigo, mas só uma pequena parte e se você quiser ler todo, é só clicar aqui.

Quem imaginaria que em 2009, os governos do mundo declarariam uma nova Guerra aos Piratas?


"No instante em que você lê esse artigo, a Marinha Real Inglesa – e navios de mais 12 nações, dos EUA à China – navega rumo aos mares da Somália, para capturar homens que ainda vemos como vilãos de pantomima, com papagaio no ombro. Mais algumas horas e estarão bombardeando navios e, em seguida, perseguirão os piratas em terra, na terra de um dos países mais miseráveis do planeta. Por trás dessa estranha história de fantasia, há um escândalo muito real e jamais contado. Os miseráveis que os governos ‘ocidentais’ estão rotulando como "uma das maiores ameaças de nosso tempo" têm uma história extraordinária a contar – e, se não têm toda a razão, têm pelo menos muita razão.

(...)
O governo da Somália entrou em colapso em 1991. Nove milhões de somalianos passam fome desde então. E todos e tudo o que há de pior no mundo ocidental rapidamente viu, nessa desgraça, a oportunidade para assaltar o país e roubar de lá o que houvesse. Ao mesmo tempo, viram nos mares da Somália o local ideal onde jogar todo o lixo nuclear do planeta.

Exatamente isso: lixo atômico. Nem bem o governo desfez-se (e os ricos partiram), começaram a aparecer misteriosos navios europeus no litoral da Somália, que jogavam ao mar contêineres e barris enormes. A população litorânea começou a adoecer. No começo, erupções de pele, náuseas e bebês malformados. Então, com o tsunami de 2005, centenas de barris enferrujados e com vazamentos apareceram em diferentes pontos do litoral. Muita gente apresentou sintomas de contaminação por radiação e houve 300 mortes.

Quem conta é Ahmedou Ould-Abdallah, enviado da ONU à Somália: "Alguém está jogando lixo atômica no litoral da Somália. E chumbo e metais pesados, cádmio, mercúrio, encontram-se praticamente todos." Parte do que se pode rastrear leva diretamente a hospitais e indústrias européias que, ao que tudo indica, entrega os resíduos tóxicos à Máfia, que se encarrega de "descarregá-los" e cobra barato. Quando perguntei a Ould-Abdallah o que os governos europeus estariam fazendo para combater esse ‘negócio’, ele suspirou: "Nada. Não há nem descontaminação, nem compensação, nem prevenção."

(...)

Por que os europeus supõem que os somalianos deveriam deixar-se matar de fome passivamente pelas praias, afogados no lixo tóxico europeu, e assistir passivamente os pesqueiros europeus (dentre outros) que pescam o peixe que, depois, os europeus comem elegantemente nos restaurantes de Londres, Paris ou Roma? A Europa nada fez, por muito tempo. Mas quando alguns pescadores reagiram e intrometeram-se no caminho pelo qual passa 20% do petróleo do mundo… imediatamente a Europa despachou para lá os seus navios de guerra.

A história da guerra contra a pirataria em 2009 está muito mais claramente narrada por outro pirata, que viveu e morreu no século 4º AC. Foi preso e levado à presença de Alexandre, o Grande, que lhe perguntou "o que pretendia, fazendo-se de senhor dos mares." O pirata riu e respondeu: "O mesmo que você, fazendo-se de senhor das terras; mas, porque meu navio é pequeno, sou chamado de ladrão; e você, que comanda uma grande frota, é chamado de imperador." Hoje, outra vez, a grande frota europeia lança-se ao mar, rumo à Somália – mas… quem é o ladrão?"



Pra ler a repercussão no Rebelión, gaste seu espanhol clicando bem aqui



Um comentário:

Samuel disse...

Meu Deus!!!É impressionante como os fatos são distorcidos quando a imprensa tem interesse.
Eutambém tô como os "Piratas"!!!!!!!!