segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Guarany, emoção desde menino

Eu era um menino mais novo do que meu filho Guilherme quando vi de perto, pela primeira vez, o time do Guarany de Sobral. Estudava na Escola N. S. de Fátima, da Dona Maria José Carneiro, que funcionava na casa dela, ali na Praça da Igreja de São Francisco, pertinho da minha casa. Bem ao lado da escola tinha o Centro Estudantil Sobralense (CES), que foi demolido pra construção da Teleceará e hoje, depois da privatização das telecomunicacões, nem sei mais o que funciona lá. No CES tinha uma quadra onde o time do Guarany ia treinar e foi lá que conheci os guerreiros do Cacique do Vale, entre eles o Teco Teco, o jogador mais querido da história do time e que depois o encontrei novamente, agora já como primo do Pauleca, casado com minha prima, madrinha e irmã de fato, Isabel. Lembro de outros nomes daquele time que seria campeão do 1o. turno do Campeonato Cearense de 1970, vencido pelo Ferroviário, dos meu amigos Chico Lopes, Dalwton, Edson e Aguinaldo. O goleiro era o Ademir, um cabra altão diante daquele miúdo que eu era, e lembro também do Jaldemir, talvez mais por seu nome original do que por alguma jogada.

Em 2010 o Guarany fez bonito no Campeonato Cearense e agitou meu coração. Disputou as finais dos dois turnos do campeonato, contra o Ceará e o Forteleza, e foi o time que somou mais pontos, portanto seria campeão se a regra fosse a mesma dos campeonatos brasileiro, espanhol, português, francês, inglês, alemão, italiano e outros. Mas como a cartolagem daqui gosta daqueeeles tempos, acha melhor deixar as coisas como estão e assim só podem campeões os chamados "times grandes". Neste domingo o Guarany mexeu com a alma da sobralada toda e se classificou para o Campeonato Brasileiro,  Série C. É pouco? É naaaada! Você nem imagina como é difícil esse feito prum time em condições tão difíceis de continuar até existindo. Sujeito a interesses muito particulares, em algumas situações serviu para beneficiar interesses empresariais, políticos e até familiares. (os mesmos que levam alguns a pensarem em criar outro time na cidade). Nisso o nosso time é igual a praticamente todos do Brasil, mas como é o meu time, particularmente eu gostaria que fosse muito diferente. Critico porque é o meu time. A exemplo de Brecht, com sua aldeia, posso falar mal do meu time, mas não deixo que ninguém que torça outro fale nada contra o "bugre sobralense".

Vantuir é simbolo da garra do Guarany
Começo a semana vaidoso. Quero cumprimentar o time todo, mesmo que não saiba a escalação, conheça apenas de vista o goleiro Vantuir, que completou 80 jogos no time na mesma data desse feito. Aliás sou um torcedor muito desinformado não apenas sobre o Guarany, mas também sobre o Botafogo e o Santos, apesar dos três estarem bem na fita atualmente. Tenho emoções por alegria e tristeza, mas sou contido. Nem a camisa dos meus times tenho, apesar de hoje ter a Celeste do Botafogo, por conta do Loco Abreu e a beleza de participação do Uruguai na Copa da África. Já tentei algumas vezes adquirir uma do Guarany, nunca consegui, mas desta vez vou ser mais persistente. Voltando aos cumprimentos, vai um abraço pros meu sobrinhos Rodrigo, Alexandre e Pedro Vitor, que certamente estavam no Juncão hoje, assim como o Diego, filho do meu velho amigo Antonio Henrique "Potin", o Isaías "Lampeão" e por seu intermédio abraço todos os amigos que devem ter feito uma bela festa em Sobral. Fiquei aqui só na vontade, mas muito feliz. Por fim deixo um aviso pro Luciano Filho, meu irmão, para que se decida direito nos jogos entre o Guarany e o Fortaleza. Não negue suas origens, hein cabra!

4 comentários:

Anônimo disse...

Valeu Inácio! Saudações rubronegras!
Talvez uns dez anos atrás, havia uma loja ali por trás do Teatro São João, dedicada ao Flamengo e lá, comprei camisas do Guarany para o meu filho, na época com doze anos. Malha boa, escudo bordado, tanto que ela ainda hoje é usada por um menino simpático, filho da senhora que presta serviços para nossa casa. Nas últimas vezes que passei por Sobral, não lembro de ter visto a tal loja. Talvez tenha mudado de endereço ou, certamente, com a criatividade de nossa gente, outros confeccionistas surgirão para "uniformizar" nosso povão.
Parabéns Guarany!

Anônimo disse...

Recordar é viver. Eu morava em Sobral nessa época e tive muitas alegrias com o Guarany. Vencemos os três grandes e a gozação, a "foba", é que "só valia gol de Edmilson, de cabeça", já que o artilheiro fez gols no CSC, FEC e FAC, "cumprimentando com a cucuruta", como dizia um famoso locutor esportivo de então - seria o Jorge Cury?
A escalação que tá no site é essa:
"Guarany/S: Ademir(Martins), Rodrigues, Zezinho, Didi e Barbosa; Zé Maria e Teco-Teco; Nelson, Paraíba, Edmilson e Jaldemir."
Creio que a foto do post é de outro jogo, pois nela parecem estar Moisés, Zé Quinto e DaJoana, além do Nagibe - o treinador era Ivonísio Mosca de Carvalho - que não constam na escalação.
Mas é um feito histórico e estou acabando de ver na SporTv - Programa "Fora de Série" - uma reportagem boa, apesar do apelo sertanejo, sobre o acesso do Guarany.
É Sobral no noticiário nacional, mais uma vez. Estamos orgulhosos e saudosos.

Anônimo disse...

Também lembro do goleiro Ademir - um rapaz alto e bonitão, demolidor dos corações das moças de Sobral - Não é esse aí que aparece na foto. E tem um agachado, no centro, com os "olhos murchos" que lembra o Cabeção, considerado o Pelé de Sobral, o Rei do Campo da Cidao (que era o estádio anterior ao Juncão).

Anônimo disse...

Estamos muito felizes com o ressurgimento do Guarany. Mais um fato para massagear o ego dos sobralenses e levar alegria para todas as camadas da população. O futebol permite essa democratização, essa comunhão por uma causa comum.
Agora o blog tocou num assunto que nunca foi bem explicado: a cessão do imóvel para a Teleceará. Lá, antes era um belo casarão, com sótão e porão, onde funcionava um colégio e também uns encontros dos fransciscanos, além do Centro Esportivo. Tinha uma quadra de esportes iluminada (considerada a melhor de Sobral, pelo piso e pela localização, e ainda tinha arquibancada) e um campo de futebol. Era um centro esportivo fervilhante, diariamente ocupado. Aí veio o Governo 'revolucionário' e impôs a cessão do terreno em nome do desenvolvimento da telefonia (discurso que hoje volta à tona, por parte do candidato das privatizações), mesmo diante de inúmeras reclamações da população, da igreja, das pessoas de bom senso, que já anteviam o impacto negativo daquela torre gigantesca, ao lado da histórica igreja de São Francisco e em zona residencial. Não adiantou. A Ditadura venceu. Tá lá até hoje. Derramei lágrimas quando vi nosso campo servindo de estacionamento de caminhões. Página negra pra história de Sobral.